- Estiveram aqui agora pela manhã – afirmou Ricardo analisando o terreno.
Fábio olhou para o barranco e imaginou a cena.
- Devem ter caído pelo barranco – disse ele.
- É bem certo que sim, veja as marcas.
- Bom, então, ao menos estão vivos – aclamou Rodolfo, mais aliviado.
- Se andarmos rápido, vamos alcança-los antes do pôr do sol – declarou Ricardo.
- Ótimo! Vamos colocar o pé na estrada – incentivou Fábio.
***
- Essa decisão precisa ser bem analisada – dizia Eloísa ajeitando o óculos.
- Droga! Não viram aquele corpo na praia! – retrucou Wilson suando – Aquele é o sinal iminente que precisamos sair daqui.
- Olha, primeiro vamos esperar os outros voltarem e decidiremos por votação o que iremos fazer – sugeriu Amanda.
- Ela está certa – concordou Thais – Uma decisão unanime soa melh0r.
- Droga! Vocês ainda não entenderam o perigo que estamos correndo aqui?! – Wilson passou a mão no rosto.
- Entendemos – disse Amanda – E vamos correr o risco mesmo assim.
- Certo, se essa é a decisão final de vocês, então, aproveitem bem.
Dizendo isto, Wilson levantou-se, buscou uma bolsa com algumas coisas e saiu andando floresta adentro.
- Espere! O que está fazendo?! – indagou Thais correndo atrás dele.
Amanda também correu, porém, Eloísa permaneceu sentada observando.
- Aonde pensa que vai?! – perguntou Amanda, foi quase uma intimação.
- Eu não vou ficar pra morrer – respondeu Wilson – E também não sou babá de vocês. Já que querem tanto ficar, se virem.
- Você não pode fazer isto! – resmungou Thais.
- Quem vai me impedir? – Wilson voltou a andar deixando as duas para trás.
- Não! Não faça isso! Não nos deixe aqui! – gritava Thais em desespero.
- Esquece, não precisamos dele – retrucou Amanda.
- Como não precisamos?! Somos três mulheres sozinhas aqui!
- Fique despreocupada, se alguém aparecer, eu tenho isso – Amanda mostrou o revolver.
Thais olhou-a, engolindo a saliva.
***
Wellington e Nicolas realmente estavam perdidos. Aventurar-se floresta adentro não trouxe nenhum benefício, talvez uma fogueira tivesse sido uma ideia melhor.
- Ainda não acredito que eu estava delirando – falou Nicolas – Tudo parecia tão palpável.
- Você ainda não se esqueceu disto, é?
- Cara, eu estava lá. Foi real e pela primeira vez em tantos anos, tive medo – os olhos de Nicolas estavam distantes.
Wellington parou, cansado.
- Parece até que estamos andando em círculos.
Neste momento, um estalo soou. Nicolas e Wellington abaixaram-se em silêncio total. Infelizmente, em situações como essas tudo parecia ser alguma coisa.
- Será ele? – sussurrou Nicolas.
Os dois estavam atônitos, trêmulos.
- Nicolas! Wellington! Weverton!
Os gritos que soaram trouxeram alívio a eles. Eram vozes conhecidas. Nicolas e Wellington correram e finalmente depois de toda a confusão da noite passada, encontraram um porto seguro: eram Ricardo, Rodolfo e Fábio.
- Oh! Finalmente! – suspirou Fábio.
O mais estranho era perceber como a relação com aqueles estranhos havia se intensificado durante aqueles dias.
- E Weverton? – indagou Rodolfo, aliviado e preocupado.
- Está morto – declarou Wellington, aflito.
- O quê?! – Fábio arregalou os olhos.
- Peraí, explica a história desde o início, porque o Henrique voltou para a praia em estado de choque e até agora não contou nada!
- Aquele maldito voltou para lá?! – exclamou Nicolas, furioso.
- Mas por que toda essa raiva?! Quem me explicar o que foi que aconteceu?! – Ricardo falou autoritário.
- Henrique matou Weverton! – gritou Wellington, com lágrimas – Ele matou…
Todos se entreolharam.
CONTINUA…
Por Naôr Willians
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