CASA DO TERROR – A 13ª REUNIÃO – CAPÍTULO 16


Ruth olhou rapidamente para ele e disse:

– Porque diz isso? O Sr. Nem me conhece direito.

– Com certeza minha querida, mas há uma grande diferença de idade. Eu poderia ser seu avô, fora a questão da credibilidade. Sou uma pessoa com hábitos, e alguns deles talvez excêntricos.

A mulher que conversara com Ruth antes disse:

– Tenho certeza que ela se adaptaria com o tempo.

– Duvido que alguém possa gostar desses hábitos sem que precisasse deles por necessidade. Kenshaw, venha aqui por favor.

– Sim senhor?

– Pode servir o prato principal

O mordomo então entrou por uma porta ao lado da sala.

Ruth notou que todos sem exceção e ao mesmo tempo tomaram um gole de champagne e ficou curiosa com o fato. Dois minutos depois, o mordomo voltou com um carrinho de transportar prataria com iguarias.

O mordomo estacionou o carrinho ao lado do Sr. Humphrey e os convidados todos rangeram as facas nos garfos como se tivessem amolando-os.

De repente Ruth levantou da mesa assustada e gritou:

– Nãoooo!

O Sr. Humphrey e os outros presentes olharam desconcertados para ela como se tivessem imaginando que ela era louca. Então o anfitrião perguntou:

– Algum problema, minha querida?

– Humphrey, isto tudo é culpa sua. Não devia convidar pessoas de fora de nosso grupo para nossa reunião – bradou o  Sr. Rothwell.

– Ora, ora, Rothwell, eu quis ser apenas amável com a moça. Eu nunca iria pensar que ela ficaria assustada.

Ruth ficara calada, vendo a discussão entre os dois e resolveu pronunciar-se.

– Eu enervei-me porque sei quem está naquela panela – disse ela correndo e saindo pela porta.

Conclui a seguir…

Esta obra é baseada na série de televisão “Hammer House of Horror” de Anthony Read. Episódio: The Thirteenth Reunion.

Por Alci Santos

CASA DO TERROR – A 13ª REUNIÃO – CAPÍTULO 15


– Aqui está seu champagne Sta. Ruth. À sua saúde!

– Saúde!

O homem pediu licença e se afastou para longe. Ruth procurou a mulher com quem conversara, mas ela havia se afastado. Olhou em volta e a localizou alguns passos à frente sentada no braço de um dos sofás com uma taça de champagne nas mãos. Ruth se aproximou e a mulher foi logo abrindo a boca:

– É um anfitrião perfeito. Educação perfeita e atraente também. Um viúvo bonito é um grande partido.

– Há quanto tempo o conhece? – questionou Ruth sorrindo.

– Há mais ou menos um ano.

– E onde o conheceu?

– No avião, como todos os outros.

– Estavam todos no mesmo avião?

– Sim querida, de Londres até Marrakesh

– Marrakesh? Daquele avião que…

A mulher não deixou Ruth terminar e disse:

– Sim, aquele que bateu nas montanhas. Somos os únicos sobreviventes.

Ruth olhou o ambiente com as  pessoas sorrindo e “se tocou”:

– Isso é uma reunião?

– Claro que sim. Nós nos encontramos todos os meses. Essa é a Décima terceira.

– Porque esses encontros mensais? Não seria uma experiência para querer esquecer? – perguntou a moça intrigada.

– Na verdade queremos lembrar os demais. Os passageiros que morreram. Como o meu marido por exemplo. Ele estava na poltrona do meu lado e eu só sofri uns arranhões enquanto ele não teve a mesma sorte.

– Você teve sorte. Quanto tempo demoraram a encontrá-la?

– Duas semanas e meia

– Incrível. O jornal disse que foi um milagre. Tinham desistido de achar alguém vivo.

– Eles não deviam ter desistido. É incrível o que fazemos em situações extremas – disse a mulher com semblante sério.

– Como?

– As coisas que fazemos.

Ruth estranhou a frase e pensando um pouco, ia perguntar algo quando o mordomo apareceu batendo em um gongo e disse:

– Senhoras e senhores, o jantar está servido.

Minutos depois, á mesa…

– Lamento pela sua esposa, Luciano. Ela morreu rápido, foi uma bênção – expressou-se o Sr. Humphrey, o anfitrião.

– Ela sofria muito, viver só prolongaria a dor.

O Sr. Humphrey continuou:

– Quando perdi minha esposa, meu consolo foi que a morte foi instantânea.

Ruth que observava meio assustada a conversa, perguntou:

– O que aconteceu a ela?

– Caiu do cavalo. Tínhamos uma égua imprevisível. Ela achava que podia domá-la, mas não deu.

A mulher que antes conversara com Ruth perguntou:

– E pensa em casar-se novamente?

– Eu pensei, mas na minha idade tenho certos hábitos que é difícil achar alguém que se adapte.

– E você Ruth, é casada? – perguntou a mulher curiosa.

– Não senhora. Eu trabalho muito  e é difícil achar um homem que se adapte.

Dizendo isso o anfitrião riu e tomou uma taça de champagne. O Sr. Rothwell tomou a palavra:

– Ruth, você e Humphrey poderiam se unir.

O Sr. Humphrey sorriu e disse:

– Não creio que nossos gostos coincidam.

Continua…

Esta obra é baseada na série de televisão “Hammer House of Horror” de Anthony Read. Episódio: The Thirteenth Reunion.

Por Alci Santos

CASA DO TERROR – A 13ª REUNIÃO – CAPÍTULO 14


– Ruth Cairns.

– Sou Humphrey Chesterton. Venha conhecer os outros.

O homem dirigiu-se a uma porta que dava acesso para outra sala onde estavam várias outras pessoas tomando drinks.

– Pessoal, essa é Ruth Cairns, uma amiga que está de passagem por aqui.

Humphrey apresentou as pessoas para Ruth e um deles disse:

– Boa noite Sta. Cairns. Sua perna não impediu seus movimentos.

O homem era o Sr. Rothwell. Outro convidado então perguntou:

– Ela ficará para jantar?

– Porque não? Temos bastante comida respondeu o Sr. Humphrey.

– Sr. Humphrey, eu…

– Ela ficará – interrompeu o homem olhando de modo sério para o convidado.

– Claro, tudo bem!

– Aceita um champagne Ruth? É de uma safra muito boa.

– Sim, obrigada.

O Sr. Humphrey se afastou para pegar a taça com champagne e o Sr. Rothwell aproximou-se. Ruth notou o movimento e tentou ler os lábios dos dois, mas foi interrompida por uma das convidadas.

– É um pouco assustador. Na primeira vez fiquei apavorada, mas você se acostuma com eles.

Ruth então indagou:

– Os Humphrey são seus amigos?

– Eu sei o que está pensando. O que uma mulher normal faz aqui?

– Não pensei isso senhora.

– Claro que pensou. Tudo bem querida. Ainda não acredito após tanto tempo. Joan O’Burden, de Bolton com os nobres. Ainda me belisco para ver se não estou sonhando.

Neste momento o Sr. Humphrey chega com a taça de champagne.

Continua…

Esta obra é baseada na série de televisão “Hammer House of Horror” de Anthony Read. Episódio: The Thirteenth Reunion.

Por Alci Santos

CASA DO TERROR – A 13ª REUNIÃO – CAPÍTULO 13


Ruth correu até a quina do prédio e viu o Sr. Rothwell depositando o saco na parte traseira do carro funerário. Assim sendo, ele entrou no carro e seguiu para destino ignorado.

Ruth correu até seu carro e tratou de segui-lo, porém foi vista por um dos empregados da clinica.

Os dois carros percorreram alguns quilômetros e entraram em uma propriedade de portões abertos. O Sr. Rothwell seguiu com o carro macabro até uma grande mansão, parando na frente. Ruth porém parou antes atrás de uma grande planta para não ser notada.

Após o Sr. Rothwell entrar na mansão com o saco, Ruth correu até uma das janelas de vidro para ver o que estava acontecendo. Resolveu pular a janela e entrou em um recinto onde havia uma grande mesa arrumada para várias pessoas.

Ruth então procurou um lugar para se esconder, mas seu instinto feminino não resistiu ver alguns talheres que estavam sobre a mesa.

De repente surge em uma das portas no final da sala um homem magro e alto com uma bandeja onde havia uma jarra com um líquido dentro. Talvez fosse o mordomo. Ruth assustou-se. Dois segundos depois entrou outro homem, este barrigudo de cabelos brancos, mas elegante em um terno com gravata borboleta. Esse talvez fosse alguém que morasse na casa e com um sorriso disse em uma voz fina, meio estridente:

– Uma convidada inesperada! O que você quer? A prataria?

Ruth olhou para sua mão que segurava um garfo e uma faca e soltou os mesmos na mesa imediatamente. Tentou não se desesperar e disse:

– Não, eu estava de passagem e vi a casa. Adoro mansões como essa.

O homem com o mesmo semblante de antes, falou para a moça:

– E quis fazer uma visita. Que gentileza. Está com fome?

Antes que ela pudesse dizer algo, o homem interrompeu:

– Kenshaw, prepare mais um lugar.

O homem vestido como mordomo respondeu:

– Sim senhor.

Dito isso, o mesmo saiu pela mesma porta que entrou. O barrigudo elegante se aproximou de Ruth e perguntou:

– Pode me dizer seu nome?

Continua…

Esta obra é baseada na série de televisão “Hammer House of Horror” de Anthony Read. Episódio: The Thirteenth Reunion.

Por Alci Santos

CASA DO TERROR – A 13ª REUNIÃO – CAPÍTULO 12


O Sr. Rothwell abaixou-se e apertando a perna de Ruth com as mãos, perguntou:

– Dói aqui?

– Não senhor.

Levando a mão para próximo ao calcanhar da moça, fez outra pergunta:

– E agora?

– Ai! Essa parte está meio dolorida.

O homem levantou-se e disse:

– Faremos alguns exames mais apurados. Essa dor não é sinal que está tudo bem. Quando pode vir?

– O senhor pode dizer quando. Quero resolver logo. Esta noite é possível?

– Claro.

Mais tarde, no departamento de exames, quando a noite caiu…

– Sta. Ruth. Pode deitar naquela cama enquanto preparo tudo para seu exame – disse uma mulher vestida de enfermeira, saindo em seguida.

Ruth rapidamente levantou-se, foi até a porta e esperou as enfermeiras afastarem-se, então correu até uma porta que estava trancada. Olhou em volta contando as portas no corredor e seguiu para fora do prédio, aproveitando um momento deserto, e correu para a janela do quarto que tinha tentado entrar. Tentou forçar a janela, mas a mesma não se mexeu. Abriu então sua bolsa e tirou um ferro fino onde colocou entre o espaço entre a janela e do trinco forçando-o para baixo. Ouviu então um estalo e sorriu. Levantou a janela e entrou sem fechar.

Em seguida entrou no quarto e começou a analisar o que havia no recinto. Depois de dar cinco passos ouviu um barulho como se alguém tivesse abrindo uma porta. Correu então de volta e pulou a janela para fora, fechando-a.

Passou então a observar de cócoras pelo vidro da janela e foi quando notou o Sr. Rothwell entrando onde ela tinha estado segundos atrás. Foi quando viu o mesmo pegar um saco grande que estava pendurado na parede com uma grande mancha de sangue. Era como se alguém estivesse dentro. Depois ele voltou e pegou um plástico que estava pendurado atrás da porta e saiu. Ruth quase teve um ataque de nervos. Achava que alguém estava dentro daquele saco e ela tinha que descobrir quem era.

Continua…

 Esta obra é baseada na série de televisão “Hammer House of Horror” de Anthony Read. Episódio: The Thirteenth Reunion.

Por Alci Santos

CASA DO TERROR – A 13ª REUNIÃO – CAPÍTULO 11


– Ruth, tome cuidado, se eles forjaram aqueles acidentes, eles podem ir atrás de você.

– Se fizerem isso, prepare um funeral de primeira – disse ela rindo.

Andrew atravessou a rua e alguém o observava da janela no andar superior da funerária.

Mais tarde, em uma entrevista com o Sr. Rothwell…

– Quantos anos tem, Ruth?

– Vinte e nove

– Há quanto tempo está sofrendo com esses sintomas?

– Não faz muito tempo, mas à noite as pernas tremem muito.

– Pelo que vejo aqui no laudo, seu médico está recomendando um transplante de veia. Sabe o que isso significa?

– Que terei que substituir a veia defeituosa.

– Isso mesmo, se causar problemas circulatórios pode ser grave.

– Há muito tempo atrás era preciso amputar, mas hoje se resolve facilmente.

Ruth fez uma cara de preocupação seguida de outra de alívio.

– Ainda bem – disse ela sorrindo.

– Deite-se. Vou examiná-la.

– Certo!

– O Dr. Bradley nunca nos enviou um paciente.

– Mas ele o conhece e disse que o senhor é o melhor – disse ela deitando-se ao mesmo tempo na estreita cama.

– Ele é clínico geral?

– Sim e também tem uma coluna no jornal da mesma editora que eu trabalho.

– Não aprovo esse tipo de diagnóstico.

– Ele não dá respostas imediatas e em casos únicos indica um especialista.

– Bem sensato da parte dele. Levante-se – disse o Sr. Rothwell ajudando-a.

Continua…

 Esta obra é baseada na série de televisão “Hammer House of Horror” de Anthony Read. Episódio: The Thirteenth Reunion.

Por Alci Santos

CASA DO TERROR – A 13ª REUNIÃO – CAPÍTULO 10


– Obrigado senhor.

– Essa foi uma transação benéfica para os dois lados senhores. Eu telefonarei quando precisar de mais.

– Senhor, talvez seja necessário subir o preço caso se a frequência de entregas aumentar.

O velho encostou-se na parte vertical da cadeira e disse:

– Como é?

-Custo de vida. Com certeza o senhor entende. Os riscos são grandes.

– Muito bem, aumentarei em cinco por cento.

O segundo carregador olhou para o primeiro e fez uma expressão negativa com a cabeça.

– Se nos dizer pra que precisa deles, podemos aceitar.

O velho então retrucou com um tom mais alto:

– Dez por cento.

Os dois se entreolharam sorrindo e o segundo carregador diz:

– Obrigado Sr.Rothwell. Espero que esteja satisfeito com nossos serviços.

O velho levantou-se para sair e disse:

– Não temos queixas. Eu telefonarei.

– Certo senhor.

Depois disso saíram e quando o velho homem fechou a porta, Willis apareceu puxando uma cortina em um biombo.

– Sr. Rothwell, acho que temos um problema.

Enquanto isso, no escritório da revista…

-“Desde as operações de transplantes cardíacos que atraiu o público para o tema, são feitas experiências com trocas de pernas e braços. O porta-voz acredita que em pouco tempo o homem biônico será realidade”.

– Transplante de braços e pernas? O que acha Doutor?

– Acho que são ladroes de corpos deste século.

– Andrew tem razão. Algo estranho está acontecendo. Preciso investigar Gwen.

– Ruth não é nossa área e mesmo que consiga a história o chefe vai tirá-la de você.

– Eu devia me demitir e escrever um Best Seller.

O Doutor e Gwen sorriram e esta ultima falou:

– Ok, vou lhe dar uma chance.

Ruth sorriu e em seguida dirigiu-se ao Doutor.

– Precisarei de uma carta de referência.

– Humm… Pode ser claudicação intermitente da perna esquerda.

Ruth olhou para ele fazendo careta:

– Em?

– É o problema de saúde que você vai alegar. Seu estado piorou nos últimos seis meses. Recomendo um transplante de veia.

Mais tarde dentro do carro com Andrew em frente à funerária…

– Clinica Chesterton? Nunca ouvi falar.

– Tem certeza Andrew? Não tem nada nos registros?

– Não, tenho certeza.

– Mas há uma conexão. O Chesterton Thrust fez um acordo com seus patrões.

– Está me dizendo que que é um acordo para fornecer corpos Ruth?

– Isso mesmo.

– É um fato assustador.

– É um negócio horrendo que precisa ser denunciado.

– Quer investigar a clínica?

– Sim, mas como uma paciente. Se descobrir algo, não ficarei lá. Eu sairei, procurarei você e iremos à polícia.

– Ruth, terei três trabalhos amanhã, ficarei até tarde no serviço. Estarei aqui até as 23 horas se precisar de mim.

– Está bem.

Continua…

 Esta obra é baseada na série de televisão “Hammer House of Horror” de Anthony Read. Episódio: The Thirteenth Reunion.

Por Alci Santos