O BEBÊ – PARTE 3 DE 5

– Eu farei o meu melhor, Maurício respondeu, pensando que o homem idoso provavelmente não precisava de um padre como ele que era um bom homem de relações públicas.

– Uma criança nasceu na noite passada, o Papa começou.

– Ele é o Anticristo, Padre Matolli acrescentou.

– O Anticristo? Maurício estava estupefato. Ele tinha antecipado um caso de abusos sexuais ou desvio financeiro, não o trabalho do diabo. Certamente, ninguém acreditava que o descendentes de Satanás poderia ser nada mais do que um personagem de “O Bebê de Rosemary” e “A Profecia”. A própria idéia era medieval.

– Eu sou um membro de uma ordem muito especial, continuou o Padre Matolli.

– O seu único objetivo no século passado foi vigiar os sinais que anunciam a chegada do filho do mal. Durante o ano passado, cada um destes sinais apareceram.

– Sinto muito, disse Maurício, sacudindo a cabeça. Acabei de descobrir que é difícil acreditar …
– O Padre Matolli está correto”, insistiu o Papa, silenciando as novas objeções do seu bispo. O Anticristo já nasceu. É será você quem vai encontrá-lo e eliminá-lo.

-Você acha que sua fé é forte o suficiente para tal tarefa? O idoso Padre perguntou. Você é capaz de destruir uma criança?

– Eu acredito que eu sou, se eu estiver certo de que a criança for o anticristo. Mas como vou encontrá-lo?

– Sabemos que ele é um filho homem caucasiano. Sabemos  o momento exato em que ele nasceu. Em certa cidade, havia oitenta e sete bebês brancos do sexo masculino nascidos naquela exata ocasião, respondeu Matolli.

– Ainda assim, o senhor não espera me igualar a Herodes e o massacre de oitenta e seis crianças inocentes no processo de destruir o mal?

– Não. Você irá a procurar os bebês, um por um. Você vai reconhecer o Anticristo quando vê-lo.

– Como?

– Não é por qualquer meio físico. A você será dado discernimento.

– Se eu encontrá-lo e for capaz de determinar, sem sombra de dúvida que ele é filho do diabo, como vou destruí-lo?

– Embora ele seja o filho de Satanás, ele nasceu de uma mulher mortal, por isso há diversas maneiras que você pode destruí-lo: afogá-lo numa banheira, sufocá-lo com um travesseiro, estrangulá-lo com as mãos.

Este foi o momento mais surreal na vida de Maurício Cooperfield. Ali estava ele, no Vaticano, na presença do Papa, o chefe de uma religião que era contra o aborto e o controle de natalidade, com calma sobre o assassinato de um bebê recém-nascido.

– Eu sei que você deve estar em conflito, meu filho, disse o papa. É muito pedir isso a alguém. É preciso ter fé para crer e à coragem e dedicação a Deus para realizar a escritura. De todos os homens que eu conheço, você é minha maior esperança.

– Estou emocionado por sua confiança em mim, Vossa Santidade, declarou Maurício.
– Então você vai fazer o que nós pedimos?

– Sempre, Sua Santidade.

Maurício Cooperfield começou sua investigação com o próximo filho, que nasceu nos arredores de Roma. Não querendo chamar a atenção para si mesmo, ele vestia uma camisa preta simples e colarinho clerical. Pagar as chamadas para os doentes era uma prática comum dos padres, para que ninguém questionasse a sua presença no hospital. Quando ele viu o bebezinho no berçário da maternidade, ela não parecia ser diferente de milhares de outros bebês que ele havia visto ao longo dos anos.

E se este for o único? perguntou-se. Como eu posso dizer? Padre Matolli tinha assegurado que não haveria nenhum sinal exterior, sem “666” tatuado em seu couro cabeludo ou pequenos chifres saindo da testa. Por quase 20 minutos, Maurício olhou para o bebê, mas não podia discernir nada fora do normal sobre ele.

Por Alci Santos

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