O ESCRIVÃO NA PORTA DO CÉU

Certo dia, depois de morrer, um escrivão chegou à porta do céu.  O anjo que guardava o portal, procurou o nome dele na lista, mas não encontrou.

– Como é que é? A minha vida na terra foi terrível e você me diz que meu nome não consta ai? Não bastaram todas as provações?

– Senhor não sou eu quem incluo ou não os nomes na lista, infelizmente não posso lhe ajudar.

– O escrivão já começava fazer o maior escarcéu, quando São Pedro apareceu:

– O que está acontecendo aqui? Que confusão é essa nas portas do paraíso?

– Senhor este homem quer entrar mas seu nome não consta na lista.

São pedro bem calmamente falou:

– Se seu nome não consta na lista, então você está lotado em outra seção. Aqui no paraíso não é.

– Que negócio é esse? Até aqui no céu tenho que aguentar isso de procurar outra seção? Não já chega as vezes que fizeram isso comigo na terra?

– São Pedro estava irredutível, mas para acabar com as lamúrias e a confusão na porta do paraíso e também diga-se de passagem que ficara com pena do homem, mas não podia voltar atrás no que tinha dito, falou ao homem:

– Está bem, se cumprir a condição que vou lhe impor, você poderá passar.

– O homem se calou e fez uma cara meio fechada, mas aceitou ouvir a proposta.

— Só te deixo entrar se vieres montado a cavalo.

O escrivão, muito atrapalhado, desceu a imensa ladeira que levava do céu ao inferno, matutando onde encontraria um cavalo por aqueles ermos. De repente, quando já desesperava de achar um, avistou o juiz com quem servira no mundo e sob cuja alçada e vara  roubara a valer a clientela, o qual era por ele, no íntimo, considerado uma cavalgadura. Perguntou-lhe aonde se dirigia, depois de se admirar que também tivesse morrido. O outro respondeu com ênfase que subia para o céu.

— Não perca seu tempo. Se eu não entrei, que fui somente escrivão, como há de entrar o senhor, que foi o juiz? Estou voltando do portão lá de cima e São Pedro me declarou que só nos deixa entrar, se formos juntos e eu montado no senhor. É uma simples questão de prática de humildade, para dar exemplo ao pessoal do foro.

O juiz acreditou na lábia do subordinado e permitiu que o cavalgasse. Quando chegaram à porta do céu, São Pedro ordenou:

— Aqui só entra o escrivão. O cavalo dele fica do lado de fora.

Texto de autoria anônima

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