TREM PARA ETERNIDADE

Estava eu naquele trem de madrugada atravessando o país em meio da escuridão daquela noite fria onde nem as estrelas se avistava, o vagão na penumbra poucos passageiros, vejo apenas um ao fundo do vagão atrás de minha poltrona. Foi quando avistei aquele senhor bilheteiro de uniforme de cortes antigos surgindo der repente em minha direção me olhou, mas passou adiante ao próximo passageiro.
– Bom dia o Senhor gostaria de um bilhete para viver por toda uma eternidade?
Falou aquele senhor com sotaque londrino, e voz calma e olhos profundos, para espanto do passageiro meio sonolento e confuso com a situação. Mesmo assim sem responder apenas olhou para ele entregando o bilhete que havia comprado na estação em que havia embarcado o Senhor, apenas marcou o bilhete se virou e veio em minha direção, antes mesmo dele falar algo para mim lhe chamei atenção:
– Eu quero viver para sempre o que devo fazer?
E o senhor sorridente e misterioso responde naturalmente:
– Compre seu bilhete, sem retorno ou devolução. — E com seus olhos profundos ficou me olhando esperando e me entregou um bilhete antigo e umas moedas de troco sem mesmo eu ter pagado ou falando algo, apenas leu meus pensamentos e enquanto segurava em minhas mãos aquele bilhete e o analisava ouvi a voz dele se afastando:
– Boa viagem..
Quando olhei em sua direção já esta sumindo na escuridão da porta que levava ao próximo vagão sumindo de minha vista. Senti um vento gelado, e logo ouvi o barulho dos freios do trem riscando os trilhos e faiscando, com a trepidação meu bilhete e as moedas caíram das minhas mãos naquela escuridão logo uma luz forte tomou conta de mim, perdendo a razão do tempo e do espaço, já não sentia mais meu corpo ou minha respiração. Olhei para os lados e confuso a imagem do trem descarrilado, algumas chamas perto da locomotiva e o vento soprando na escuridão quando avistei o passageiro q estava atrás de mim, sujo pouco machucado e parecia tonto procurando um lugar seguro.
Algumas pessoas foram ao seu encontro ajudá-la enquanto eu ainda confuso não sabia o que estava acontecendo e o que minha escolha pela eternidade tinha a ver com aquela situação. Não demorou muito senti a presença de pessoas ao meu redor de varias idades e trajes, iluminadas em meio à escuridão por uma luz q não sabia de onde vinha, vendo seus olhares percebi que acabava de fazer uma escolha entre a vida e a morte. Aquele passageiro sem saber fez a escolha certa na linha tênue que separa o destino de nossas vidas.

Publicado na versão on-line do Jornal Diarinho em SC:

http://www.diarinho.com.br/coluna.cfm?codigo=50&.antigo=2278

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