SOBREVIVENTES – CAP. 1

Wellington Silva se levantou assustado. Respirou arregalando os olhos fundos – e avermelhados. Começou a cuspir água pela boca. Observou sua roupa, estava um trapo.

Só então, aquele rapaz magrelo, moreno, de olhos negros e cabelos encaracolados percebeu que estava em cima de uma rocha. Olhou ao seu redor. À esquerda e a direita uma enorme floresta. À frente o oceano cobria até onde sua visão alcançava. Na praia, destroços do transatlântico dentre outras coisas.

– Mas que caramba é esse? – questionou tentando se lembrar do que havia acontecido.

Neste momento, ele ouviu um grito. Vinha da mata. Todos os pêlos de seu braço se arrepiaram. Deveria ir atrás do grito? Ou deveria ficar onde estava?

– Ei! – chamou uma voz.

Wellington enxergou um homem de cabelos desengrenados, branquelo, com um cavanhaque bem aparado.

– Não fique parado ai! Nos ajude aqui!

Sem ter escolha, Wellington correu ao encontro daquele estranho.

– O que foi que aconteceu? – questionou ele quando o alcançou.

– Isso não é hora pra essa discussão! – retrucou aquele homem que segurava uma lona nas mãos – Temos algo urgente pra fazer! Pegue na outra ponta da lona.

Embora hesitante, Wellington pegou na outra ponta e seguiu aquele homem floresta adentro.

– Ei! Me diga pelo menos seu nome – pediu.

– Meu  nome é Fábio Santos – respondeu.

Wilson estava sentindo a morte bem perto. Entretanto, a pergunta era como tinha ido parar ali?

Abaixo dele, um enorme precipício do qual não conseguia nem enxergar o fim. Acima, a alça de sua bolsa presa à um pequeno galho, que no momento, estava começando a quebrar.

Ele engoliu a saliva, tentando se mover o mínimo possível. Qualquer movimento e tudo iria pelo ar.

– Aguenta ai, já voltamos! – exclamou um jovem amarelo e magro.

Um sorriso surgiu no rosto de Wilson. Por sorte, dois jovens o havia visto ali. Eram Nicolas e Rodolfo.

– Isso foi tudo que conseguimos – confessou Rodolfo descendo uma corda de alpinismo.

– Acho que é o suficiente – agradeceu Wilson.

– Eu e o Rodolfo vamos te puxar – explicou Nicolas.

Sem mais hesitar, Wilson agarrou a corda deixando sua bolsa cair junto com o galho salvador.

– Puxa Rodolfo! – gritou Nicolas.

Com dificuldade, os dois começaram a levitar o policial que se sentia mais aliviado.

Porém, despercebido, Nicolas acabou pisando numa pedra. O rapaz escorregou deixando a corda escapar-lhe das mãos.

Imediatamente, Rodolfo foi sugado com força na direção do precipício.

– Larga isso Rodolfo! – gritou Nicolas.

– É o que eu vou fazer! – disse Rodolfo sentiu suas mãos arderem.

Mas, para a surpresa de ambos, outra mão agarrou a corda e num segundo Wilson estava sobre terra.

Rodolfo caiu no chão abanando as mãos. Nicolas olhou espantando para aquele homem robusto com uma parte dos cabelos grisalhos e outra negra.

– Precisando de ajuda? – sorriu ele.

– Quem é você? – perguntou Nicolas ainda espantado.

– Eu sou Ricardo Mandelli e quem são vocês?

Fábio enxergou dois jovens no meio da mata olhando para cima. Finalmente haviam encontrado o local. Realmente, era difícil localizar qualquer coisa naquela mata fechada.

– Ali estão! – apontou mostrando para Wellington.

Os dois apertaram os passos até alcançarem os outros dois.

– Rápido! Estiquem! – gritou um jovem moreno com uma camisa social rasgada. Seu nome era Wéverton.

Rapidamente, cada um agarrou uma parte da lona. Só então, Wellington enxergou o motivo de tudo. Era uma mulher de cabelos negros, branquela, que estava pendurada de cabeça para baixo num galho prestes a quebrar.

– A queda vai ser feia – ressaltou um jovem de topete, olhos pretos, usando o que deveria ser um paletó. Seu nome era Henrique.

Embaixo da lona, vários pedaços de travesseiros e colchões.

Naquele momento, a jovem caiu com violência. Os quatro rapazes puxaram a lona com força para evitar o impacto, mas devido a umidade da lona, esta acabou rasgando quando a garota a atingiu.

Wéverton correu ao encontro da jovem que estava com os olhos arregalados, suspirando bem rápido e quase não conseguia ficar sentada.

– Essa foi por pouco – mencionou Henrique.

Eloísa acordou cuspindo água no próprio rosto. Se levantou com pressa procurando por ar.

Notou a areia sobre seus pés e então viu que não deveria estar onde estava.

– Explodiu – disse uma voz ao lado dela.

Seu olhar rapidamente, observou o que sobrara de Thais. A jovem estava suja, de roupa rasgada e com vários ferimentos no corpo.

– O que? O que você está me dizendo? – questionou Eloísa assustada.

– O transatlântico explodiu na hora em que seria roubado – confessou Thais.

Em desespero, Eloísa sentiu seu mundo desabar, seus sonhos voaram entre suas mãos. Mas, a pergunta agora era, sendo sobrevivente de um desastre numa terra desconhecida, o que seria deles?

CONTINUA…

Por Naor Willians

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