SOBREVIVENTES – CAP. 04

DIA 25 DE JANEIRO. ALGUNS MINUTOS ANTES DO INCIDENTE…

Amanda Murielli agarrou firme a sua pistola silenciosa enquanto esperava que o pequeno avião em que estava chegasse ao seu destino.
O homem negro à sua frente estava falando sobre a missão. Era o capitão.
– Lembre-se, o alvo é perigoso. Soubemos que já massacrou mais de trinta pessoas. Precisamos detê-lo antes que o transatlântico chegue ao porto.
– Pode deixar comigo senhor – afirmou ela – Vou entrar, achar o alvo, cumprir a missão e voltar antes que percebam que eu entrei.
– E não se esqueça de que, se for capturada você nunca trabalhou para o serviço secreto.
A garota de cabelos negros balançou a cabeça afirmativamente.
– Estamos sobre o alvo – disse o piloto.
O avião era pequeno. E somente um homem era o necessário para pilotá-lo.
O capitão checou o pará-quedas nas costas da garota. E depois deu dois tapinhas nas costas dela.
– Estaremos sobrevoando o transatlântico novamente daqui à dez minutos. Se você não estiver aqui neste momento, iremos embora sem você.
Embora achasse as leis um pouco rígidas, Amanda sabia que tudo aquilo a manteria salva e também manteria o sigilo da agência.
Ela se aproximou da porta para pular. No entanto, estranhou quando viu dois homens armados no telhado da cabine de comando.
Um som de um tiro alertou o capitão que correu até a porta.
– Mas o que está acontecendo? – questionou espantado.
– Parece um assalto – comentou Amanda paralisada.
– Abortar missão piloto! Devemos ir embora! – ordenou o capitão.
Porém, neste momento, a parte de trás do transatlântico explodiu violentamente. Um pedaço de uma das hélices dele voou e decepou a cabeça do capitão deixando Amanda em estado de choque por um instante.
– Capitão!!! – gritou vendo o corpo caindo.
Um alarme começou a soar dentro do avião. O piloto começou a gritar em desespero:
– Essa não! Fomos atingidos! Nós vamos cair! Droga!
Amanda foi arremessada com violência contra o teto do avião. Com dificuldade se aproximou do piloto. Mas ficou surpresa quando ele agarrou-a tentando retirar seu pará-quedas.
– O que está fazendo? – disse ela resistindo à ele.
– Aqui só tem um pará-quedas e será meu! – exclamou ele desferindo um soco violento na garota.
Amanda caiu no chão. O piloto se aproximou, entretanto, a pressão de ar vinda de fora acabou por sugá-lo. Ela apenas ouviu seu grito sumindo no ar.
A garota procurou algo para se segurar. Sua mão passou pelo vazio.
Amanda voou céu abaixo sendo sugada para uma floresta. Rapidamente, a garota abriu o pará-quedas que pôde então evitar uma queda mortal.
Após alguns minutos, ela já estava pendurada pelo pé num galho de árvore.
***
DIA 25 DE JANEIRO. DUAS HORAS APÓS O INCIDENTE…

Amanda acordou suspirando rápido. Olhou para o lado e viu três homens conversando. Ela estava em cima de um colchão dentro de uma cabana improvisada com paus, panos e palha. Sentiu sua barriga roncar, faziam mais de cinco horas que ela não comia nada.
– Olá, meu nome é Henrique – cumprimentou um deles – Como está se sentindo?
– Um pouco zonza – admitiu – E com muita fome. O que foi que aconteceu?
– O transatlântico explodiu – disse Fábio – Parece que ocorreu algum tipo de turbulência nos motores.
Amanda recordou da explosão que matara seu capitão.
– Ah! Claro que sim! Foi um surto, eu estava no meu quarto quando ouviu uns estrondos – explicou ela – Sai para o corredor e tinham muitas pessoas correndo dizendo que estava tudo explodindo. Mas, quando fui tentar correr o chão desabou e eu desmaiei. Só me lembro de quando acordei pendurada na árvore.
– O que eu acho mais intrigante – explanou Wilson, que era o terceiro e último residente na cabana – É como você foi parar em cima daquela árvore numa explosão marítima.
Amanda tentou disfarçar sua agitação ao ouvir a declaração de Wilson.
– Como eu disse, nem eu mesma sei como fui parar naquela árvore, porque eu desmaiei – afirmou sorrindo.
– Tem certeza de que foi isso mesmo que aconteceu? – questionou Fábio olhando-a desconfiado.
– Por que estão fazendo essas perguntas?! O que vocês querem de mim?! – gritou desesperada – Eu disse a verdade! Eu disse a verdade!
– Estamos perguntando porque isso caiu da cintura quando você despencou da árvore.
Dizendo isso, Wilson jogou a pistola no colo de Amanda. A garota sentiu seu coração disparar e começou a tremer.
– Não é hora de meter o louco – advertiu Henrique – Conte a verdade! Você é uma das traficantes que assaltaram o transatlântico, não é?!
***
Eloísa e Thais estavam sentadas à beira da praia comendo o que haviam encontrado numa velha geladeira.
– Espero que o resgate venha logo – admitiu Eloísa suspirando fundo.
– Eu não vejo a hora de tomar um banho – ressaltou Thais afundando os pés na areia.
Wellington e Weverton se aproximaram delas neste momento.
– Podemos nos sentar ao lado de vocês? – perguntou.
As duas sorriram balançando a cabeça positivamente.
– E como está a garota que caiu da árvore?
–  Ela está bem. Sofreu uma leve lesão na cabeça, mas ela vai ficar bem – explicou Wéverton.
– Você é médico?- perguntou Thais.
– Digamos que sim – respondeu ele – Estava no último ano de medicina.
– Sempre achei essa área muito complicada – ressaltou a garota.
– Nada na vida é fácil. O que realmente motiva as pessoas é um objetivo. Se você tem um objetivo então estará motivado a seguir seu caminho.
– Vai com calma sr. Darwin – brincou Wellington.
Todos eles riram. Depois ficaram algum tempo fitando o horizonte. Na esperança de que algo pudesse aparecer para salvá-los.
***
Nicolas continuava fazendo gestos.
Só então, Rodolfo notou uma sombra enorme às suas costas. O rapaz caiu no chão assustado enxergando a sombra se aproximar.
– Corre Rodolfo! – gritava Nicolas em desespero.
Porém, para a surpresa de ambos, quem saiu da mata foi Ricardo com uma cesta de frutas nas costas.
– Ah! São vocês?! – questinou Ricardo rindo.
Rodolfo se levantou limpando a roupa enquanto Nicolas chegava ao chão.
– Cara, quase você matou a gente de susto – comentou Nicolas.
-É que eu vi sons no mato e resolvi investigar – explicou Ricardo.
– Por um instante, eu pensei que você fosse o Jason – disse Rodolfo – E pensei que estivessémos perdidos em Crystal Lake!
Nicolas e Ricardo riram.
– Acho bom a gente voltar para a praia – sugeriu Ricardo – Está anoitecendo e não é bom ficar rondando esse lugar de noite.
Os três concordaram e partiram de volta para a praia.

 

Por Naor Willians

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