CHAPÉUZINHO DE PALHA E O BOLO BOM 3 DE 6

“Chapeuzinho de Palha era um garoto solitário, que perdera os pais havia muito tempo. Morava com sua avó no meio da Floresta Sombria. A mulher era um verdadeiro demônio. Tinha olhos grandes, nariz grande e boca grande, para enxergar, cheirar e comer melhor, respectivamente, como você já bem deve saber. Dela fugiam os lobos da floresta, que tinham medo de ser comidos. Alguns se escondiam em barracas de palha ou madeira, mas a velha assoprava suas casas.”

— E as casas caíam com o sopro dela?

— Claro que não! Onde já se viu alguém derrubar uma casa no sopro?

— Então qual o problema?

— Nunca viu velho soprando, não?

— O que é que tem?

— Velho sopra cuspindo! Aqueles lobos indefesos eram pegos por aquela saliva nojenta sem poder fazer nada.

“Um dia, o Assador, que era o melhor confeiteiro da região, resolveu fazer um Bolo de aniversário especial para o Chapeuzinho de palha, para que ele se animasse. Então ele fez o Bolo Bom, o melhor bolo já produzido em toda a história!

Tendo ficado sabendo da confecção de tal bolo, a velha senhora do mal conhecida como Vovó proibiu Chapeuzinho de Palha de comer tal produto. Ao invés disso, ela ordenou que ele o trouxesse para ela. Indignado, Assador resolveu ir até a casa da Vovó para dar um fim a seu reinado de terror.

Não tendo força para encarar os perigos da floresta sozinho, o Assador me contratou como guarda-costas. Após acertarmos o preço, começamos os preparativos.

— O que você sabe fazer? — indaguei.

— Bolos, pães e massas em geral.

Percebi que não poderia contar com a ajuda daquele homem.

— E você? — ele questionou — O que sabe fazer?

— Bem, eu conserto pias e canos tenho artefatos mágicos poderosos para lutar.

E dizendo isso, mostrei o primeiro:

— Esse é o desentupidor mágico! Ele gruda em qualquer coisa! Eu tenho um par deles.

E grudei um deles no chão.

— Legal. Como você faz pra tirá-lo daí?

Agora eu só tinha um. Mostrei o segundo artefato.

— Essa é a chave de boca mágica! Ela é um poderoso bumerangue capaz de retornar a mão de quem a lançou.

E ao dizer isso, lancei-a na direção de uma árvore. A árvore se arrebentou com sua força. Virei-me para o contratante.

— Viu como é forte?

— Senhor… ele tá voltando…

Quando acordei, mostrei o terceiro artefato:

— Esse é o Cano Miraculoso. Olhando dentro dele posso ver a grandes distâncias! Dê uma olhada.

E emprestei ao outro.

— Nossa! Enxerga longe mesmo!

— Sim! Esse é o mais raro, mágico e poderoso artefato que já encontrei! Você jamais verá equipamento semelhante! Por isso o chamo de Cano Miraculoso!

— É uma luneta. Lá na loja da vila tem um monte pra vender. As crianças da vila sabem fazer com um cano e umas lentes de óculos.

Encarei-o por um segundo. Continuei:

— E essa é a mangueira mágica. Ela parece ter apenas um metro, mas estica até dez! É perfeita para regar o jardim armar emboscadas.

— Realmente, é muito boa pra regar o jardim.

Comecei a ficar nervoso.

— Você não tem nada com o que possa se defender? — perguntei.

— Só minha pá de forno.

— Já é alguma coisa. De qualquer forma, a proteção vai ter que ficar por minha conta.

Então fizemos os últimos preparativos e partimos para a floresta sombria, em busca do tal Chapeuzinho de Palha. ”

Por Ramon Nogueira de Silva

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