CHAPÉUZINHO DE PALHA E O BOLO BOM 4 de 6

“Adentramos na terrível Floresta Sombria munidos de toda nossa coragem em direção à casa da Vovó. A primeira hora de viagem foi tranquila, mas a segunda também. Comecei a achar que todo mundo naquela vila era um bando de cagão que não tinha coragem de entrar na floresta por pura superstição.

Após duas horas andando comecei a ficar um pouco cansado. A partir deste momento comecei a ouvir uns ruídos estranhos no meio da floresta.

— São os lobos. — sussurrou-me o Assador. — Mantenha-se atento. Devemos ver algum indício se nos aproximarmos do território deles.

— Tipo aquilo ali? — Apontei para uma casa de palha rústica com uma placa na entrada que dizia: ‘Auuu au au auuuuu aauuuh aul u!’ (Casa da matilha Steeves!). ”

— Você sabe ler na língua dos lobos? — pergunta o Plebeu

— Não.

— Então como você sabia o que estava escrito?

— Eu não sei.

— Mas você não acabou de falar?

— É, mas é assim que se reportam fatos hoje em dia. A gente reporta o que sabe, o que não sabe a gente inventa. Você não lê jornal, não?

“Mas continuando… não vendo ninguém por perto resolvi entrar na casa pra descansar. Ao ver o que eu estava pra fazer o Assador gritou:

— Você é doido? Você não pode fazer isso!

— Por quê?

— Você se esqueceu de bater o pé no tapete antes de entrar!

— É mesmo! Que cabeça a minha…

Então ambos limpamos nossos pés e entramos.

A casa tinha uma sala, um quarto e uma cozinha. Sentei no sofá da sala e liguei a TV… ”

— TV??? — interrompe o Plebeu. — O que é isso?

— Ah! Foi mal. Esqueci que ainda não inventaram.

“Então na verdade eu fui para o quarto, que tinha duas camas, e me deitei. O Assador queria que prosseguíssemos, mas como estava cansado resolveu deitar também.

Fechei os olhos por um momento e senti uma respiração incomum por perto. Quando os reabri percebi um dos lobos me encarando. Não sou bom em reconhecer fisionomias, mas ele me pareceu um pouco aborrecido.

Quando ele tentou me morder e arrancou um pedaço da cama com os dentes, — e por reflexo consegui saltar para longe — concluí que ele realmente estava aborrecido.

Mas não é qualquer um que consegue me matar. Se fosse assim, eu não me tornaria o lendário Príncipe Encanador. Nesse momento em que ele achava que poderia me comer, mostrei meu verdadeiro talento: corri o mais rápido que podia.

O tal lobo me perseguiu pela floresta, mas em segundos percebeu a inutilidade de seguir alguém tão veloz. Distanciei-me da casa e respirei aliviado em segurança, mas sentindo de que havia esquecido alguma coisa. Daí, ouvi um grito:

— SOCORRO!

Sobressaltei-me! O Assador chamava por socorro! E eu ainda não tinha lembrado o que havia esquecido! Corri velozmente em direção à casa. Ao avistá-la, arremessei minha Chave de Boca Mágica, que arremessou a casa longe. E também o lobo! E também o Assador!

Olhei para minha mangueira. Poderia usá-la para puxar o Assador. Enquanto a tirava da cintura fui atingido na cabeça!

Caí. Olhei para o lado e vi minha Chave de Boca Mágica, que tinha caído próximo a mim. Percebi que fora ela que me atingira. Normalmente já teria desmaiado, mas não podia desistir ali. Apoiei-me no meu Desentupidor Mágico para me levantar. Agora eu não tinha nenhum.

Corri desesperadamente em direção ao Assador. De repente avistei-o correndo em minha direção. Corri desesperadamente em direção contrária ao Assador. Havia um lobo atrás dele.

Mas então eu parei. Não era certo o que eu estava fazendo. Ele havia me contratado para protegê-lo. Eu fui até ali por causa disso. E eu estava fugindo, abandonando-o. Se eu fugisse ali e deixasse ele morrer sem ter me pagado ainda, eu iria certamente me arrepender depois.

Tive uma ideia genial.

Peguei um graveto no chão, arremessei-o longe e gritei:

— PEGA!

O graveto voou. Enquanto estava no ar, o lobo olhava fixamente para ele, como que hipnotizado. O objeto caiu longe, numa distância segura para nós, se o lobo corresse atrás dele.

Não funcionou. O animal foi mais esperto do que eu previa. Eu realmente achei que ele ia cair nessa.

Nesse momento, quando tudo parecia perdido. O rosto do Assador encheu-se de determinação(e fúria). Ele agarrou sua pá, virou-se irado, e acertou o lobo com uma pazada que arremessou longe o animal.

Olhei satisfeito. O lobo caiu com a boca no meu graveto. Sem dúvida, a natureza operou como imã natural para o bicho. MEU plano foi um sucesso.

Visto que nos livramos do perigo continuamos nossa viagem, que decorreu sem mais surpresas desagradáveis. Mas o pior ainda estava por vir: a casa da Vovó.”

Por  Ramon Nogueira da Silva

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