DETETIVE – CAPÍTULO 16

”O que foi?”, perguntou Lucas ainda de frente para Pedro.” Eu já guardei minha arma, porque você não vem aqui e me dá um soco! Ou será que você só ataca idosas indefesas?!”

Pedro se injuriou ao ouvir isto.

”Não me acuse!! Eu já disse que não matei aquela velha!”, rosnou Pedro

”E quando foi que eu disse que você a matou?”

Pedro estava ficando vermelho como um pimentão. Tanto ele como Lucas estavam com vontade de chutar o outro, mas nenhum deles tinha coragem de dar o primeiro passo, um passo que poderia custar a vida de um dos dois.

”Alias”, falou Lucas matando o silêncio. ”o que você faz por aqui?”

”Eu sempre passo por aqui para ir embora para minha casa”

Neste momento Lucas olhou para o relógio.

”É muito estranho você passar aqui exatamente na hora em que a dona Graça morreu”

As pernas de Pedro bambearam. Por um instante ele tremeu e Lucas percebendo isso continuou a atacar.

”É melhor dizer logo a verdade!”

”Eu não vou aceitar nenhuma afronta sua!!”, gritou Pedro demonstrando estar nervoso

”Não estou aqui para afrontar”, disse Lucas. ”Estou aqui para achar o culpado. Não importa quem ele seja”

Pedro começou a andar em direção à sua casa. E procurou não olhar para Lucas.

”A conversa não acabou ainda. Nós voltaremos a nos encontrar e da próxima vez será definitivo”, ameaçou Lucas quase espumando de raiva

Pedro não deu atenção e seguiu como se nada tivesse acontecido. Nem imaginando que no próximo encontro dele com Lucas realmente acontecerá algo definitivo…

Enquanto isso…

”Vamos para a casa de Tom. Pode ser que isso acabe agora”, falou Kelvin caminhando em direção da casa

”Espere!”, falou Beatriz. ”Tenho algo a contar pra vocês”

”O que foi?”, perguntou Jonas

”Eu encontrei uma armadilha no celeiro”

A notícia deixa os detetives um pouco assustados.

”Na verdade”, mencionou Beatriz. ” Eu só encontrei uma linha, mas depois de ver essa linha aqui, acho que lá também era uma armadilha”

”Droga! O que vamos fazer?”, disse Geisiane desesperando-se. ”Vai lá saber se a casa não está cheia de armadilhas!!”

”Calma”, falou Jonas. ”Se nos desesperarmos não vamos chegar a lugar nenhum. Essas armadilhas não estavam aqui quando chegamos, ou seja, alguém as armou enquanto estávamos na entrevista”

”Ele tem razão”, defendeu Kelvin. ”Temos que usar o raciocínio”

”A primeira pergunta pra chegarmos à algo concreto é”, comentou Bruna andando de um lado para o outro. ”Quem estava na chácara enquanto fomos para a entrevista?”

”Somente os guardas”, respondeu Thais

”Não”, falou Josafá. ”Somente os guardas não. João também estava aqui”

Todos ficaram assustados com as palavras de Josafá.

”João?!”, questionou Beatriz. ”E o que o João tem a ver com tudo isso?”

”Eu não diria isso”, falou uma voz se aproximando. ”João está muito esquisito desde que chegamos aqui”

Era Jefferson, que chegava comendo uma maçã.

”Pode parar por aí”, interrompeu Kelvin. ”João não tem nada a ver com isso”

”Me desculpe discordar Kelvin”, disse Jefferson. ”Mas eu acho que João é muito mais do que parece”

”Vá para merda Jefferson!”, gritou Geisiane. ”João trabalha conosco faz tempo! Não podemos coloca-lo como um suspeito desse crime”

”Não vamos culpar o João!”, falou Bruna tentando acalmar Geisiane.

”Onde ele está?”

”Está no quarto dele”, respondeu Josafá. ”Ele falou que está com dor de estomago”

”Eu não sei se está mesmo”, discordou Jefferson. ”Josafá disse que quando ele voltou pra cá, ele falou que estava com tontura e dor de cabeça. Mas quando eu e o Josafá chegamos da entrevista, fomos até o quarto dele para ver como ele estava, e, ele disse que estava com dor de estomago. Isso é estranho!!”

Por um instante os detetives ficaram calados pensando. Porém revoltada Geisiane foi até Jefferson e tentou lha dar um soco, que foi facilmente defendido.

”Não fale mais nada do João!!”, berrou ela atacando Jefferson

Rapidamente Bruna e Thais seguraram-na enquanto ela esperneava e berrava.

”Geisiane! Mantenha o controle!!”, ordenou Jonas. ”Vamos falar com o João”

”O quê?”, perguntou Geisiane. ”Perdeu a cabeça Jonas!!”

”Nós só vamos conversar com ele”, falou Thais tentando acalma-la

”Jefferson e Josafá quero que vocês façam uma coisa pra mim”, pediu Jonas. ”Vão até os guardas e perguntem o que eles viram enquanto estávamos na entrevista. Não importa o que seja, até um ruído serve!”

”Está bem!”

Os dois correram em direção do portão onde os guardas estavam.

”E nós vamos até o quarto de João conversar com ele”, falou Jonas andando em direção da casa

”João não é culpado!!”, berrou Geisiane caindo no pranto

”Não adianta argumentar com ela”, disse Bruna. ”Vamos logo!”

Os detetives começaram á seguir Jonas. Eles nem imaginam que algo terrível está prestes a acontecer…

Enquanto isso…

”Guardas!!”, gritava Jefferson desesperado como se alguém tivesse morrido. ” Guardas!!”

Um dos guardas alto e magro se preocupou com a atitude de Jefferson e começou a andar em direção dele.

”O que foi?”, perguntou o guarda

”Precisamos falar com vocês”, disse Jefferson parando em frente ao guarda

”Em que posso ser útil?”, perguntou o outro guarda forte e robusto

”Hoje de manhã”, começou Josafá. ”Quando estávamos na entrevista, vocês viram alguém passar por aqui?”

”Não”, respondeu o guarda magro. ”A única pessoa que passou por aqui antes de vocês chegarem foi o João”

”E ele permaneceu dentro da casa durante todo o tempo?”, questionou Jefferson

”De vez em quando ele saia naquela direção”, disse o guarda robusto apontando na direção onde estava a armadilha

Jefferson e Josafá pararam por um instante. Afinal seria João o rearmador da armadilha? Ou ele era somente um cúmplice? Infinitas dúvidas rondavam a cabeça deles enquanto pensavam em outra possibilidade, na qual João seria inocente e não teria nada a ver com aquilo. Porém por mais que tentassem, seu raciocínio lógico lhes dizia que João estava por trás de alguma coisa.

Por outro lado, os detetives finalmente haviam chegado na porta do quarto de João.

Geisiane seguia-os e estava inconformada com a decisão de todos, principalmente com a de Jonas e Kelvin que, eram para eles os líderes daquele grupo.

Jonas parou em frente a porta ainda pensando se estava certo mesmo duvidar de alguém que trabalhara com eles tantos anos. Mas por mais que ele não quisesse fazer aquilo, sua mente forçava-o à lembrar de duas experiências passadas no qual Jonas foi traído por amigos de infância.

Era tarde naquele dia quando Jonas encontrou seus dois amigos Francisco Sálvio e Marcos Otavio. Os dois convidaram-no a ir à um restaurante comer algo como nos tempos de escola. Porém antes que Jonas percebesse um homem deu-lhe uma coronhada e ele desmaiou.

Quando voltou a si, soube que seus ”amigos“ estavam envolvidos em contrabando com alguns bandidos que ele tentara por várias pegar, mas nunca conseguia.

Francisco ofereceu a ele a chance de entrar para o contrabando, mas Jonas rejeitou e disse que nunca os perdoaria. Revoltados com a resposta dele, surraram-lhe e depois o marcaram-no nas costas.

Jonas passou um pouco mais de três dias ali, sendo torturado e obrigado a entrar para o contrabando.

Quando ele sentiu que não aguentava mais, aceitou entrar par o contrabando e foi até uma reunião de negócios, no qual muita grana estava em jogo.

No meio da reunião um esquadrão da policia invadiu o local e começou um tremendo de um tiroteio.

Furiosos, Francisco e Marcos perguntavam-se como a policia teria descobrido a reunião. Jonas revelou seu plano de pega-los, onde ele fingiu ser um deles para ter acesso as reuniões mais importantes.

Francisco ficou espumando de raiva e atacou Jonas com uma faca, tudo em vão, pois Jonas sem dó ou piedade deu um tiro no peito dele.

No final das contas, todos foram condenados à cadeira elétrica por mortes, roubos e contrabando de dinheiro.

Depois desse episódio Jonas passou a confiar somente em si mesmo e em mais ninguém.

Jonas respirou fundo para abrir a porta, a marca em suas costas pareceu arder por um instante.

”Estamos perdendo tempo”

Dizendo isto, Thais empurrou Jonas e puxou a tranca. Porém quando ela tocou na tranca, Thais tomou um pequeno choque.

”Ai!!”, disse ela puxando sua mão rapidamente

”O que foi?”, perguntou Kelvin

”Tomei um choque”, resmungou Thais mostrando para Bruna sua mão

”Choque?”, questionou Jonas

Desacreditando ou simplesmente ignorando o choque de Thais, Jonas puxou a tranca e também levou um pequeno choque.

”Droga!”, murmurou ele. ”Esta tranca está dando choque!”

Kelvin se aproximou e bateu na porta.

”João!!”, gritou ele. ”João, está tudo bem aí?”

Porém nenhum som se ouvia.

Geisiane começou a ficar mais preocupada ainda.

”Será que ele saiu?”, perguntou Bruna

”Está trancada!”, disse Thais. ”Kelvin olha pelo buraco da fechadura e veja se a chave está dentro”

Kelvin abaixou-se e viu que a chave estava lá.

”Está aqui!”

”João está lá dentro, então por que não responde?”, resmungou Jonas se aproximando da porta. ”João!! João!! Abra a porta!!”

”Está acontecendo algo estranho, porque ele não responde?”, questionou Geisiane se aproximando de Kelvin

De repente uma voz falhada e baixa saiu de dentro do quarto.

”Po-po-po-po-po-por… fav-fa-fa-favor… por… por… favor”, dizia a voz

”Essa é a voz do João! Ai meu Deus!!”, disse Geisiane desesperando-se

”Calma!”, falou Kelvin segurando-na. ”Calma! Não aconteceu nada!!”

”João!”, gritou Jonas. ”Por favor abra a porta queremos falar com você!”

Bruna e Thais estavam paralisadas escutando com atenção o que João dizia.

”N-n-não…”, falou ele tão baixo e rouco que eles mal puderam ouvir. ”N-n-não… entrem…por favor…”

Bruna ficou pasmada ao escutar isto.

”Ele está dizendo pra…”

”Ele não quer que entremos”, disse Jonas colocando a mão no rosto

”Isso está errado!”, falou Thais. ”Por que ele não quer que entremos?”

”Vamos descobrir agora”, disse Jonas se afastando da porta. ”João abra essa porta ou eu vou arrombar!!”

Outra vez pode se escutar a voz falha e rouca de João.

”N-n-não! Pe-pe-peri-perigo… perigoso… não entre…”

”Calma aí ele disse perigoso”, disse Bruna entrando na frente de Jonas

”Perigoso ou não”, falou Jonas. ”Eu vou arrombar essa porta”

”Por favor não faça isso!!!”, berrou Geisiane segurada por Kelvin

”Não outra maneira”, murmurou Jonas sentindo um pequeno calafrio subir dos pés à cabeça dele.

”Pronto ou não aí vou eu”

Por Naor Willians

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2 comentários sobre “DETETIVE – CAPÍTULO 16

  1. Esse capítulo me deu uma sensação nostalgica…kkkkk! E qnt ao VN? Saiu de férias tbm? Grande abraço! Fui!

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