DETETIVE – CAPÍTULO 25

Jonas estava começando a ficar com um mal pressentimento. Ele olhava para o caminho que voltava para chácara da dona Graça, algo lhe dizia que não estava tudo certo. De repente a voz de Bruna soou pela janela.

”Eu tô saindo!”, falou ela dando um salto até o chão

Jefferson pulou logo atrás de Bruna.

”Encontraram alguma coisa?”, perguntou Jonas

”Não”, disse Bruna meia surpresa. ”Não há nada que possa incriminar Pedro. Se ele for o assassino deve esconder suas coisas em outro parque de diversões”

Jefferson estava meio emburrado, na verdade, decepcionado. Ele esperava encontrar na casa de Pedro a pista definitiva para o fim do mistério. Ele nem imagina que ainda falta muito para isso ter fim… isto é, se tiver…

”Bem”, falou Jonas. ”Já que não encontramos nada de interessante ou que possa incriminar Pedro. Nós vamos voltar para a chácara”

”Mas já?”, resmungou Jefferson

”Não temos mais o que fazer aqui”, explicou Jonas

”É, e a qualquer momento Pedro pode aparecer por aqui e fazer um escândalo daqueles”, concluiu Josafá

De repente Bruna olhou para horizonte. Tinha visto uma figura ou seria sua imaginação? Bruna olhou novamente, e logo soube que não era sua imaginação. Quem vinha naquela direção era Pedro.

”Tarde demais Josafá”, disse ela ainda olhando para a direção que Pedro vinha

”Droga”, resmungou Jonas. ”Agora vamos ter uma baita de uma encrenca”

A feição de Pedro logo mudou quando ele enxergou os detetives parados. Maldição, pensou ele.

Jonas pensava no que iria dizer para Pedro e no que iria perguntar. Pois Pedro devia uma explicação por ter atirado em Lucas.

”O que fazem aqui?”, perguntou Pedro com ignorância

”Viemos tomar um chá”, brincou Josafá

”Estão em minha propriedade!”, gritou Pedro. ”Eu ordeno que saiam!!”

Jefferson sentiu seus nervos abalarem. Só de pensar em escutar desaforos daquele homem que havia atirado em Lucas, ele sentia muita raiva. E já não estava conseguindo se controlar.

”Pedro”, falou Jonas. ”Temos que conversar a respeito do que aconteceu com Lucas”

Pedro parou por um instante.

”Ele morreu?”, perguntou ele

Jefferson não pôde se conter.

”Não seu desgraçado!! Seu desejo ainda não foi concretizado assassino maldito!!”

”Calma Jefferson!”, ordenou Bruna

”Vá pro inferno Bruna! Esse desgraçado de uma figa ainda vai ter o que merece!”

”Jefferson, cale-se!”, vociferou Jonas. ”Foi por isso que eu não queria te trazer!”

Jefferson olhou por um momento para todos ali presentes. E por fim, tentou voltar a razão que pensou ter perdido.

”Não fui eu que atirei em Lucas”, confessou Pedro. ”Se é isso que vocês querem saber”

”O quê?!”, exclamou Jonas espantado

”Não seja cínico!”, repreendeu Jefferson

Pedro parou de falar por um instante. Jonas observava atentamente sua feição. Poderia ser verdade? Pedro não havia atirado em Lucas? Mas se não fora ele, então quem?

”Conte-me como isso é possível”, pediu Bruna

”Quando Lucas me derrubou no chão”, começou Pedro. ”E virou de costas… eu puxei minha arma do coldre” , de repente Pedro começou a relembrar da cena. ”Eu não pensei em atirar, mesmo que a raiva em mim me oprimisse a isso. De repente… veio o barulho… um barulho de tiro… e vi Lucas ferido pelas costas… ele caiu ali mesmo, e, eu… eu… fugi”

Jefferson se irou.

”Mentira! Mentira! Até parece que vamos acreditar numa mentira dessas!!”

”Silêncio Jefferson!”, ordenou Jonas olhando de volta para Pedro. Havia sinceridade nas palavras dele. Seus olhos pareciam descrever realmente esse episódio trágico de sua vida. ”Onde está sua arma?”

Pedro pegou do coldre a mesma que ele sempre usara.

”Se vocês quiserem me levar, podem fazê-lo”, comentou Pedro. ”Quem não deve, não teme”

Jonas pegou a arma e começou a olha-la. Naquele momento não daria para analisar a arma.

Os outros olhavam esperando a decisão de Jonas.

”Não vou leva-lo”, concluiu Jonas. ”Mas sua arma eu vou”

”Tudo bem”, concordou Pedro

Jefferson olhava inconformado. Para ele Pedro estava se fingindo para que não fosse descoberto por causa de sua burrice.

”Vamos voltar”, concluiu Jonas

Os detetives começaram a se afastar de Pedro que ficou parado olhando. Jefferson o olhou pela última vez. Era fácil perceber o fogo da fúria fluindo pelos olhos de Jefferson, mas por sua promessa a Jonas, ele simplesmente voltou sem fazer nada.

Enquanto os detetives se encaminhavam rumo a chácara, Thais estava chegando a um ponto de desespero.

”Droga!! Faça alguma coisa!!”, suplicou ela

A corda estava aclamando que iria despencar a qualquer momento, e Thais tentava não mexer para não fazer a morte se aproximar mais rápido. Porém, o tempo estava prestes a se esgotar.

James estava correndo desesperado de um lado para o outro. O coração acelerado, as pernas bambeavam, o suor descia por seu rosto. Haveria alguma salvação para Thais?

Mas de repente, como a luz da manhã, a idéia surgiu. Do nada James correu em direção da casa.

”Espere!!”, gritou Thais. ”Aonde você vai?!”

James nada respondeu, continuou correndo desesperadamente em direção da casa.

Thais começou a temer por sua morte. Mas parecia que James tinha tido alguma idéia, a grande pergunta era qual idéia tinha surgido na cabeça daquele guarda desconhecido?

”Rápido por favor!!”, gritou Thais querendo demonstrar a situação que estava. ”Merda”, murmurou ela consigo mesma. ”Não posso morrer agora, não agora…”

Novamente a corda despencou mais um pouco. Thais gelou. Agora faltava pouco para que a corda se rompesse. James teria que voltar rápido ou seria o fim para ela. Thais estava respirando rápido e o suor descia sobre seu rosto atemorizado. Cada segundo parecia uma eternidade, mesmo que o tempo fosse tão curto para ela.

”Rápido, por favor”, murmurou ela consigo mesma. ”Rápido, por favor… eu ainda não quero morrer”

Thais estava ofegante, mal conseguia falar as palavras, parecia que ela sentia que a morte se aproximava.

”Estou chegando!!”, gritou James que vinha correndo na direção dela com uma enxada nas mãos

A voz de James parecia ter trazido um alívio temporário para Thais, que logo soube a idéia que James havia tido.

James chegou perto dos pregos quase sem fôlego. Mas não descansou nem por segundo, rapidamente ergueu a enxada e cravou na terra por debaixo dos pregos. E com força jogou a terra para longe juntamente com alguns pregos.

Thais olhava atordoada. E por um segundo decidiu olhar para a situação da corda que realmente não era uma das melhores. Estava prestes a romper, o tempo estava mais curto do que nunca. E Thais torcia para que James tivesse forças para tirar o resto dos pregos do chão.

Porém quando James erguia pela terceira vez a enxada, seu pé pisou em cima de um prego, que ainda estava cravado no chão.

”Droga!”, disse ele caindo no chão com a dor. ”Merda! Não pode ser!”

O animo de Thais abalou-se. Será que seu destino seria morrer ali?

James tirou o sapato e logo viu sua meia molhada pelo sangue. Mas ainda não havia desistido e tentou se levantar, porém a dor foi insuportável e ele caiu novamente no chão.

”Richard!!”, gritou ele de repente. ”Richard!!”

Thais estava em dúvida. Quem seria Richard? Ela não sabia de ninguém com esse nome por ali.

”Espera aí”, falou ela. ”Quem é Richard?”

”É o meu colega. O guarda que está comigo”, respondeu ele

Thais suspirou fundo. Era uma verdadeira batalha da vida que jamais imaginara que iria passar.

”Rápido Richard!!! Que droga!!”

Os gritos de James acabaram se tornando insuportáveis na cabeça de Thais. E ela começou a ficar inquieta com aquilo. Já não estava aguentando tanta pressão.

”Fique calma, você não vai morrer!”, confirmou James

Mas naquele exato momento, o corpo de Thais foi arremessado contra o chão. A corda se rompeu finalmente, e o destino cruel de Thais havia chegado.

CONTINUA…

Por Naor Willians

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