SOBREVIVENTES – CAP. 12

DIA 25 DE JANEIRO. DEZ MINUTOS ANTES DO ACIDENTE…
Marcelle Gonçalves entrou com cautela no quarto. Ao seu lado estava seu companheiro Johnson.
– Conseguiu? Tem alguém – sussurrou o rapaz no ouvido dela.
– Fique calado – repreendeu a garota em um tom quase inaudível.
Marcelle espiou o quarto. Era mobiliado em ouro. O brilho das lâmpadas dava mais beleza ao local. Uma beleza sem descrições.
– Está vazio. Devem estar no salão – comentou a garota entrando, por fim, dentro do quarto.
Uma enorme cômoda estava disposta a esquerda. Em cima dela, cinco caixas de jóias.
– Imagine o quanto isso deve valer – regozijou Johnson sorrindo.
Marcelle queria concordar com a idéia, mas não fora para isso que estavam ali.
– Não pegue nada. Lembre-se o porquê de estarmos aqui – disse deixando as jóias de lado.
Os dois começaram a buscar a “coisa” pela qual tinham chegado ao transatlântico Jersey. Entretanto, neste momento, um grito horrendo invadiu o corredor.
– O que foi isso? – questionou Johnson assustado.
Marcelle não respondeu. Parou por um instante e depois voltou a procurar.
Outro grito. Johnson ficou algum tempo paralisado olhando para a porta. Houve um silêncio esmagador durante uns segundos.
– Johnson, continue procurando – resmungou Marcelle preocupada.
O rapaz não ouviu. Andou lentamente até a porta. Com cautela, observou o corredor. Vazio.
– Johnson! Vamos antes que eles voltem! – exclamou a garota insistindo em sua busca.
Johnson ouviu um ruído. A maçaneta da porta a sua frente moveu-se. O rapaz fechou a porta do quarto onde estava Marcelle deixando-a.
– Johnson! – gritou a garota.
Passos soaram no corredor. Eram duas pessoas correndo.
– Socorro! – era a voz de Johnson.
Marcelle correu até a porta e tentou abri-la, porém, estava trancada. Colocou a orelha na porta. Silêncio… Silêncio… Silêncio… Passos.
Amedrontada, a garota procurou um lugar para esconder-se. Guarda-roupa… Debaixo da cama… Banheiro… Não… Não… Não…
Neste momento, a maçaneta da porta moveu-se. Marcelle paralisou, somente ouvindo as batidas aceleradas de seu coração.
A maçaneta continuou se movendo.
Entretanto, um som ensurdecedor fez a garota voar contra a parede. A água invadiu o quarto, enquanto Marcelle se recuperava do tombo. Mas, agora não havia mais para onde correr. O transatlântico Jersey estava naufragando no oceano.
****
DIA 25 DE JANEIRO. CINCO HORAS APÓS O ACIDENTE…

– Eu não sei! Eu não sei! Eu não sei! – gritava Marcelle presa a uma árvore.
– Escuta garota, nós não estamos pra brincadeira! – exclamava Wilson com fúria – Quatro pessoas do nosso grupo sumiram na mata! E, você foi encontrada numa estranha armadilha…
– Eu disse a verdade! Estava no transatlântico igual a vocês. Quando ele afundou, eu desmaiei e não me lembro de nada após isso.
Amanda, Thais, Eloísa, Ricardo, Rodolfo e Fábio estavam observando o interrogatório. Já haviam se passado duas horas desde que Wellington, Wéverton, Henrique e Nicolas tinham saído para mata.
Wilson aproximou-se deles.
– Ela está dizendo a verdade, ao menos sobre estar no transatlântico Jersey – comentou o policial.
– Então quem colocou-a naquela armadilha? – questionou Eloísa.
– Alguém do outro lado – concluiu Amanda.
– O importante agora é saber onde foram parar Henrique, Wellignton, Wéverton e Nicolas – lembrou Rodolfo.
– Teremos de esperar até o amanhecer – opinou Ricardo – A noite é nossa inimiga. Não conhecemos essa floresta e podemos cair em armadilhas mais fatais.
– Mas amanhã?! – resmungou Rodolfo – Amanhã pode ser tarde demais!
– Será tarde demais para eles de qualquer maneira se nós morrermos em armadilhas pela floresta – retrucou Ricardo.
– Está bem – concordou Wilson – Esperaremos até amanhã.
– Pessoal, e o que faremos com ela? – questionou Thais apontando para Marcelle.
– Acho que ela pode ficar na minha cabana – ofereceu Amanda – Afinal, o retalhador ainda está por ai.
– Está certo então.
Corujas uivavam ao longe. Olhos invisíveis no meio da floresta coberta por sombras observavam os sobreviventes bem organizados e preparados para uma intensa noite de sono… ou não.

CONTINUA…

Por Naôr Willians

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