DETETIVE – CAPÍTULO 41

Um homem estava sobre o chão ensangüentado.

O comandante parado com o revolver em mãos.

Thais paralisou neste momento e olhou lentamente para trás. O tiro que era para ela havia acertado aquele inocente.

Num rápido movimento, a detetive agarrou seu revolver na cintura e girou atirando na direção do comandante, que também deu um disparo na direção dela.

***

Lucas e Josafá corriam incessantemente. Já haviam conseguido sair da Avenida. E estavam partindo em direção da estrada de terra que daria em Fostion.

‘’Acha que os outros estão bem?’’, perguntou Josafá.

‘’Eles nos encontrarão lá’’, falou Lucas. ‘’Tenho certeza disso’’

Ambos continuaram. A estrada estava a mais ou menos meia hora dali.

***

O pânico tomou conta das pessoas da loja de roupas quando ouviram o disparo e viram o corpo daquele homem sangrando no chão.

Os gritos de desespero ecoaram por todo lugar e todos procuravam a saída. Nesse tumulto, uma mulher acabou caindo da escada e outros foram literalmente atropelados pela multidão.

         O revolver do comandante estava no chão. E o sangue estava escorrendo pelo seu braço. Ele havia levado um tiro no ombro. E foi levado pela multidão enquanto tentava enxergar ela naquele tumulto.

         ‘’Saiam da frente miseráveis!’’, gritou ele.

         Mas era inútil, pois a multidão empurrava violentamente e o comandante foi obrigado a se afastar.

         ***

         Um vento soprou sobre a entrada da estrada de terra vazia. Algumas árvores cercavam o local e debaixo de uma sombra, sentados e cansados, Josafá e Lucas esperavam pelos outros.

         ‘’Já se passou tempo demais Lucas’’, observou Josafá.

         ‘’Fique calmo, que logo eles aparecerão’’

         Neste momento, os dois avistaram três figuras já conhecidas se aproximando.

         Lucas levantou.

         ‘’São eles!’’, disse entusiasmado.

         Mas logo ele percebeu o corpo de Miguel nas costas de Jonas.

         ‘’Conseguimos’’, falou Thais chegando ao encontro deles.

         ‘’Quem é esse?’’, perguntou Josafá vendo o corpo.

         Jonas colocou o corpo de Miguel no chão.

         ‘’Miguel? Por que fez isto?’’, questionou Lucas.

         ‘’Quero obter algumas respostas’’, respondeu Jonas.

         ‘’Bem, acho que a explicação fica pra depois’’, Bruna estava apressada. ‘’Acho melhor irmos embora, pois não vai demorar muito tempo pra eles começarem a nos procurar de novo’’

         ‘’Tem toda razão’’, concordou Josafá. ‘’Sebo nas canelas pessoal!’’

         ***

         O comandante acabara de receber ajuda para seu braço. E foi até o encontro de um policial.

         ‘’Onde está o capitão Hilton?’’, perguntou.

         ‘’Eu não sei’’, admitiu o policial. ‘’Não o vimos desde a confusão aqui’’

         ‘’Maldição’’, resmungou ele. ‘’E quanto ao carro deles? Encontraram algo que nos ajude?’’

         ‘’Nada ainda. Apenas armamentos no porta-malas’’, explicou o policial.

         ‘’Droga! Pra onde pretendiam ir?’’, o comandante andava de um lado ao outro. ‘’Me traga um mapa’’

         Não demorou muito para que um mapa estivesse nas mãos do comandante.

         Ele começou a olhá-lo com rapidez.

         ‘’Desculpe a impertinência comandante’’, comentou o policial. ‘’Mas essa Avenida por onde persistiam em seguir vai dar na Rota trinta e oito, no caso eles iam para Alfenas’’

         O policial olhou esperando uma resposta do comandante, mas houve silêncio por um minuto.

         De repente, o comandante sorriu malignamente.

         ‘’Não estavam indo para Alfenas’’, concluiu ele. ‘’Onde vai dar a estrada de terra que corta a Avenida?’’

‘’Se não me engano vai dar em Fostion’’, respondeu ele

‘’Policial, reúna todos os carros agora’’

         ‘’Mas comandante Fostion não faz parte de nossos limites’’, advertiu o policial.

         ‘’Apenas faça o que eu lhe disse, do resto eu me encarregarei’’

         ‘’Está bem’’

‘’Vou pegar vocês’’

         ***

         ‘’Ainda falta muito?’’, perguntou Josafá se mostrando um pouco exausto.

         O grupo já havia andado mais de trinta minutos sob a estrada de terra. Jonas e Lucas estavam revezando para levar Miguel.

         ‘’Já devemos estar entre a fronteira’’, comentou Lucas.

         ‘’Como conhece alguém em Fostion?’’, questionou Bruna.

         ‘’Eu me formei em Fostion, era pra eu ser advogado. Lá conheci um homem muito bacana chamado Tales Montoro. Acabamos virando amigos durante os anos da formação e depois que terminei só o vi umas duas vezes, até saber que ele havia se tornado um traficante’’

         ‘’Quer dizer então que estamos indo pra casa de um traficante de armas?’’, questionou Thais.

         ‘’É melhor do que ficar com os policiais lá trás’’, disse Lucas ironicamente.

         ‘’Seja como for’’, falou Jonas. ‘’Não ficaremos muito tempo lá. Só o necessário pra arrancar a verdade desse idiota aqui’’

         ‘’Acha que ele vai falar?’’, Josafá não estava tão certo disso.

         ‘’Ele não vai querer, mas nós faremos com que fale’’

         Neste momento, Jonas parou repentinamente.

         ‘’Escutaram alguma coisa?’’, perguntou ele.

         Todos pararam por um segundo.

         Bruna olhou para trás tentando enxergar além de toda aquela escuridão.

         Havia uma curta nuvem de poeira de aproximando.

         ‘’Mas que merda’’, disse ela. ‘’São eles!’’

         ‘’O quê?’’, questionou Lucas olhando também.

         A poeira estava se intensificando.

         ‘’Droga!’’, resmungou Thais. ‘’Deve ser aquele cara alto, eu sabia que nada o pararia’’

         ‘’Vamos nos separar’’, falou Jonas.

         ‘’De novo?’’, questionou Josafá. ‘’Eu odeio esse negócio de separação’’

         ‘’Bruna, Thais e Lucas’’, disse Jonas. ‘’Eu e o Josafá. Encontramos-nos no primeiro restaurante de Fostion daqui à uma hora. Vamos!’’

         Os detetives sumiram na mata fechada que rodeava a estrada.

         Do carro, o comandante percebeu a ação dos detetives.

         ‘’Pisa no acelerador merda!’’, gritou ele.

         ‘’Essa estrada de terra não está ajudando muito’’, retrucou o policial.

         ‘’Eles vão fugir’’, resmungou o comandante. ‘’Não irão escapar dessa vez’’

         ***

         Jonas corria com pouco equilíbrio por causa de Miguel em suas costas.

         ‘’Deixa esse cara aí!’’, reclamou Josafá. ‘’Isso só vai nos atrasar!’’

         ‘’Precisamos dele’’, admitiu Jonas. ‘’Ele dirá o que esses malditos do Comando querem’’

         ‘’Podemos encontrá-los sem ele!’’

         ‘’Mas isso pode demorar meses, se fizermos Miguel falar teremos nossa inocência provada bem mais rápido’’, explicou Jonas.

         ‘’Já vi que não vou te convencer, por isso vamos ir mais rápido’’, sugeriu Josafá.

         ***

         Bruna, Thais e Lucas pareciam sombras a correr no meio da floresta.

         ‘’Aquele cara não vai desistir’’, advertiu Thais. ‘’Eu vi nos seus olhos, ele fará de tudo para nos pegar’’

         ‘’E nós vamos fazer de tudo para ele não nos pegar’’, retrucou Lucas acelerando a corrida.

         Mas neste instante, um disparo foi ouvido no meio da mata.

         Thais retirou seu revolver da cintura rapidamente enquanto corria.

         Porém, Lucas acabou tropeçando em um pedaço de pau e voou contra o chão.

         ‘’Droga!’’, resmungou ele sentindo seu pé torcer.

         ‘’Lucas!’’, gritou Thais se aproximando.

         Bruna correu e abaixou vendo o pé dele.

         ‘’Acho que torci meu pé’’, disse Lucas com bastante dificuldade.

         ‘’Vem, eu te ajudo’’, falou Bruna pegando-o pelo braço.

         Mas Lucas deu um grito de dor.

         ‘’Me deixem aqui’’, ordenou ele. ‘’Eu vou cuidar desses desgraçados’’

         ‘’O quê?’’, questionou Thais. ‘’Não vamos deixá-lo’’

         ‘’Vocês devem ir! Tem que acabar com esse tal de Comando! Agora vão embora!’’, ordenou ele.

         ‘’Não podemos fazer isso’’, retrucou Bruna retirando seu revolver da cintura. ‘’Vamos lutar ao seu lado!’’

         ‘’Morreremos todos se vocês não forem!’’, gritou Lucas. ‘’Tem que ser assim e vocês sabem disso’’

         Uma lágrima rolou pelo rosto de Bruna.

         As duas olharam para Lucas e prosseguiram mata adentro.

         Lucas recarregou seu revolver com o último cartucho que tinha.

         ‘’Venham pra mim seus desgraçados’’, disse ele mirando.

         Neste momento, um homem cruzou algumas árvores a frente de Lucas.

         ‘’Peguei’’

         Dizendo isto, Lucas disparou na perna do homem que caiu no chão. Mas, rapidamente outros cinco apareceram e começaram a atirar contra o detetive.

         O comandante se escondeu atrás de uma árvore para evitar o fogueteiro.

         ‘’O que está acontecendo?’’, perguntou ele.

         ‘’Um dos foragidos está atirando’’, explicou um dos policiais que levou um tiro após dizer isto.

         ‘’Um?’’, o comandante olhou para o lado furioso e correu de volta para a estrada.

         Lucas estava tentando poupar balas para não ficar sem munição. Ele precisava atrasar aqueles policiais um bom tempo para que os outros tivessem chance de escapar.

         Mas, de repente, um tipo de fio, enrolou seu pescoço com violência.

         A arma do detetive caiu no chão e ele foi levantado com rapidez pelo pescoço.

         ‘’Morra!’’, gritou o comandante erguendo Lucas.

         A respiração de Lucas estava desaparecendo e aos poucos suas forças foram sumindo. Mas ele não podia morrer ainda, pois não havia dado tempo suficiente aos seus amigos para fugir. Lucas precisava agir.

         E num movimento rápido, o detetive puxou uma agulha de dentro de sua jaqueta e atingiu o dedo do comandante que soltou respectivamente.

         Lucas rolou pelo chão e sentiu uma dor inexplicável vinda de seu pé. Mas, com um pouco de esforço agarrou seu revolver e apontou para aquele policial corrupto.

         O comandante percebeu tarde demais que estava rendido.

         ‘’Idiota’’, ele ousou dizer. ‘’Estou com mais vantagem do que você. Tenho mais de vinte policiais aqui. O que acha que pode fazer?’’

         ‘’Se eu morrer, você também morre’’, Lucas segurou firme o revolver.

         O comandante sorriu.

         ‘’Você não vai me matar. É bonzinho demais para isso’’

         ‘’Você acha?’’

         Neste momento, a imagem de Jefferson e todos os outros apareceram na mente do detetive.

         ‘’Isso é o que você merece!’’, gritou Lucas.

         O dedo do detetive se mexeu apertando o gatilho.

CONTINUA…

Por Naor Willians

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s