DETETIVE – CAPÍTULO 42

Não ouve som de disparo. E muitos dos homens que estavam ali olharam espantados com o que tinha acontecido.

         O comandante sorriu malignamente com um olhar de triunfo.

         Lucas estava pasmado, suas balas haviam acabado.

         ***

         Jonas e Josafá já haviam conseguido despistar os policiais que os perseguiam.

         Logo, ambos enxergaram pequenas casas ao longe.

         ‘’Olhe’’, falou Josafá se reanimando. ‘’É Fostion!’’

         ‘’Finalmente’’, Jonas sorriu. ‘’Vamos diminuir o passo agora’’

         No entanto, antes que ambos percebessem foram rendidos por dois homens com metralhadoras que estavam à sua retaguarda.

         ‘’É melhor nos explicarem agora quem são vocês e o que fazem aqui em Fostion’’, disse um dos homens usando uma máscara preta.

         Jonas e Josafá ergueram as mãos lentamente.

         ‘’Procuramos Tales Montoro’’

         ***

         Bruna e Thais prosseguiam sem vontade. E olhavam para trás frequentemente, na esperança de que seu amigo aparecesse.

         ‘’Não devíamos tê-lo deixado’’, falou Thais.

         Bruna abaixou a cabeça tristonha. Ela estava tentando impedir tudo aquilo desde o começo, mas parecia que nada estava funcionando direito.

         ‘’Olhe’’, apontou Thais. ‘’Parece que estamos chegando’’

         Ambas avistaram as casas se formando no horizonte daquele dia.

         ‘’O que iremos dizer aos outros?’’, questionou Bruna.

         Thais pensou muito triste.

         ‘’Ele foi um ótimo detetive’’, sugeriu ela.

         Mas neste momento, as duas foram apunhaladas pelas costas e caíram no chão. Thais foi desarmada rapidamente.

         As duas olharam para cima e viram três homens vestidos com máscaras pretas.

         ‘’O que fazem na fronteira de Fostion, espiãs?’’, perguntou um homem que segurava uma metralhadora.

         ‘’Calma’’, falou Bruna erguendo os braços. ‘’Estamos procurando Tales Montoro’’

         ***

         Lucas ainda estava espantado, ele havia contado as balas, mas parecia ter errado no cálculo.

         O comandante, sem hesitar, desferiu um chute violento no rosto de Lucas.

         ‘’Verme! Eu disse que não pode me vencer!’’, gritou ele chutando o detetive.

         Alguns policiais se aproximaram esperando ordens do comandante.

         ‘’Coloquem as algemas nele’’, ordenou o comandante. ‘’Vamos levá-lo para a delegacia. E quanto aos outros?’’

         ‘’Sumiram na floresta senhor, tudo que sabemos é que foram rumo a Fostion’’, explicou um policial. ‘’Mas, agora sabemos que Miguel está com eles, pois um dos fugitivos carregou-o nas costas’’

         ‘’Hilton é um inútil’’, resmungou o comandante. ‘’Isso não importa, com certeza voltarão para tentar resgatar seu colega e então eu os pegarei’’

         Um sorriso surgiu nos lábios do comandante.

         Lucas foi jogado dentro de um dos carros de policia que estava ali. Para assegurar que ele não fugiria, o comandante resolveu dirigir este carro, assim não haveria falha na sua missão.

         Os carros partiram em direção da delegacia, na deserta estrada de terra. No entanto, antes que pudessem deixar a estrada de terra, uma dúzia de carros fecharam o caminho em volta.

         O comandante saiu do seu carro espantado, enquanto vários homens com máscaras pretas saíam dos carros apontando metralhadoras na direção deles.

         Os policiais saíram de seus carros sem reação ou qualquer perspectiva do que estava acontecendo.

         De repente, se aproximou deles um homem com rosto amarelado, usando um cavanhaque bem aparado. Um mexicano.

         Ele levava em mãos um revolver de curto calibre.

         O comandante olhou furiosamente para ele. Mas, sua atenção foi mudada para outro foco, quando avistou Bruna, Jonas, Thais e Josafá saindo de um dos carros.

         ‘’Malditos’’, resmungou.

         Neste momento, o mexicano lhe acertou um soco na barriga.

         O comandante fechou a mão pronto para retribuir, mas foi atingido por uma coronhada. Ele caiu no chão ajoelhado.

         Os detetives se aproximaram dele.

         ‘’Onde está Lucas?’’, perguntou Jonas.

         ‘’Eu vou matar vocês’’, reclamou o comandante olhando-os com fúria.

         O mexicano lhe acertou um chute no rosto, fazendo com que o sangue descesse sobre os lábios do comandante.

         ‘’Essa não é a resposta’’, disse ele. ‘’Homens! Achem Lucas’’

         Neste momento, alguns homens começaram a revistar os carros.

         ‘’Vai pagar por isto’’, disse o comandante olhando para o mexicano.

         ‘’Montoro! Achamos!’’, exclamou um dos homens pegando Lucas.

         Tales Montoro olhou para os detetives.

         ‘’E então, o que fazemos com este lixo?’’, perguntou apontando para o comandante.

         Jonas olhou para o comandante lembrando-se de tudo que fizera com os seus amigos, afinal ele também era uma parte do Comando.

         ‘’Deixe-o ir’’, falou ele.

         ‘’O quê?’’, questionou Thais.

         ‘’Podemos interrogá-lo’’, sugeriu Bruna.

         ‘’Ele não vai dizer nada’’, concluiu Jonas. ‘’Ele só vai atrapalhar e pode ser que o Comando venha atrás dele depois, o que complicará tudo’’

         ‘’Então, por que não o matamos?’’, sugeriu Tales já apontando seu revolver para o comandante.

         ‘’Matá-lo não vai trazer nossos amigos de volta’’, observou Jonas. ‘’É melhor que ele viva com a vergonha de se ajoelhar perante nos, isso é humilhante para um comandante fracassado’’

         Num rápido movimento, o comandante levantou com fúria na direção de Jonas, mas antes mesmo desse rápido movimento, Thais retirou seu revolver da cintura e atirou na perna dele, fazendo com que caísse com o rosto sobre a terra.

         ‘’Esse gosta de apanhar’’, caçoou Josafá.

         Os policiais foram colocados em dois carros, enquanto mais de seis carros de policia foram abandonados na estrada.

         ***

         A cidade de Fostion era um lugar normal, e não parecia aquele cenário todo que os detetives ouviram por tantas vezes em relatórios ou histórias contadas por seus antigos parceiros.

         Os detetives foram levados para a casa de Montoro, que era um dos principais líderes da facção criminosa de Fostion. Não demorou muito, para que eles ficassem sabendo que todo governo daquela cidade era dominado por criminosos e que não havia policiais na cidade, os bandidos eram a lei.

         No entanto, era proibido roubar do comércio público e dos pobres. A cidade era bem protegida pelos bandidos que usavam sua força e influência para roubar das cidades vizinhas através de negociações.

         Montoro havia nascido no México, mas quando pequeno se mudara para lá, a fim de terminar seus estudos, no entanto foi enganado por seu colega de sala e preso por roubar arquivos importantes da universidade onde estudava. Depois de livre, ele tentou voltar a sociedade como um homem honesto, no entanto, não foi bem aceito, principalmente pelo fato de ele já ter sido preso. Desde então, ele passou para o outro lado e em Fostion encontrou o que procurava. Anos depois, ele acabou encontrando-se com seu colega, que havia se casado e já estava formado ganhando com um projeto de Montoro. Furioso, ele invadiu a casa do homem numa noite e lá descobriu que a mulher com quem seu colega havia casado era uma garota por quem Montoro sempre fora apaixonado, Glaucia. Montoro torturou seu colega com castigos terríveis. E por último queimou a casa com ele dentro. Mesmo que estivesse satisfeito, Montoro jamais esquecera aquela noite trágica em sua vida.

         Os detetives relataram toda a trama do Comando para acabar com eles para o corrupto Tales.

         ‘’Mas o que vocês pretendem fazer agora?’’, perguntou Montoro sentando em uma cadeira.

         ‘’Vamos obter algumas informações’’, respondeu Jonas. ‘’Pegamos um deles. Alias, fizeram o que eu pedi?’’

         ‘’Sim’’, lembrou Montoro. ‘’Então querem torturá-lo para abrir o bico’’

         ‘’Se o conheço bem’’, falou Thais. ‘’Ele vai cantar, antes mesmo da tortura começar’’

         ***

         Miguel Hilton acordou amordaçado e preso por cordas grossas em uma cadeira. Havia um homem em pé em frente a uma porta com uma máscara preta.

         De repente, uma luz se acendeu no quarto escuro onde ele estava. O policial percebeu que os detetives estavam ali, inclusive Lucas que havia sido tratado do seu pé.

         Jonas estava com cerca de um metro de arame farpado em mãos.

         Miguel arregalou o olho.

         ‘’Não vou enrolar’’, explicou Jonas. ‘’Você sabe o que queremos e nós sabemos o que você não quer. Então, a escolha é sua, vou tirar sua mordaça e você vai falar o que queremos saber’’

         ***

         O comandante abriu com violência a porta de seu escritório.

         ‘’Desgraçados!’’, gritou ele jogando as coisas em sua mesa pra longe. ‘’Eu acabo com vocês detetives malditos!’’

         ‘’Nervoso Ley?’’, questionou uma voz vinda da porta.

         O comandante olhou para porta e viu aquela figura sossegada que conhecia muito bem ou pelo menos achava isso.

         ‘’Saia daqui Claudio’’, resmungou com ignorância.

         ‘’Pelo visto, acho que você falhou outra vez’’, disse Claudio entrando lentamente no escritório olhando a bagunça.

         ‘’Eu já falei pra sair daqui’’, repetiu Ley olhando-o com raiva.

         ‘’Ora, o que é isso em seu rosto? E esses curativos em seu braço e na sua perna?’’, observou Claudio em um tom de humilhação.

         Neste momento, Ley agarrou Claudio pela gola da camisa.

         ‘’Ainda tenho força suficiente pra jogar você por aquela janela, seu desgraçado’’, ameaçou o comandante olhando fundo nos olhos de Claudio.

         Claudio deu uma risada maligna.

         ‘’Então por que não faz isso?’’

         Ley olhou com fúria para Claudio, mas isso não o intimidava.

         Claudio tirou as mãos de Ley lentamente de sua gola e se afastou em direção da porta.

         ‘’O Comando lhe concedeu uma nova chance. Um desperdício em minha opinião’’, expôs Claudio. ‘’É bom não falhar, se falhar, é melhor se unir aos detetives para seu próprio consolo’’

         Claudio sumiu no corredor do andar.

         Ley grunhiu fumaçando de raiva.

CONTINUA…

Por Naor Willians

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