A VIRGEM DA BEIRA-MAR

Sobre panos amontoados, qual lençóis em um leito, o corpo desnudo da moça parecia, ao mesmo tempo contrastar e integrar-se à paisagem, próxima do quebrar das ondas, qual afrodite cuspida das espumas salinas.

Adormecida e revelada pelos primeiros e tímidos raios do dia, sua nudez alva revelava que não se tratava de uma habitante local.

Donde viera a jovem Vênus sobre a qual repousava o meu olhar incrédulo e inquieto?

Uma náufraga?  Se assim fosse o mais provável era estar com as roupas com que chegou à praia, ainda que despida estivesse para enxugá-las , se chegasse aqui consciente, de onde teria vindo o seu ninho de tecidos?

Mais fácil crer que tivesse ali adormecido sob a luz das estrelas, tomando um banho de luar quando a maré vazava em direção ao leito oceânico.

Seria o desfecho solitário de uma noite ardente de amor com algum parceiro que tivesse “dado no pé ” após satisfazer-se?

O fato é que a sua aparência virginal e impoluta, aliada ao fato de não haver vestígio algum como latas ou garrafas de bebidas comuns nessas ocasiões, parecia desmentir esta última probabilidade.

Quem era a jovem dormindo serena e suavemente ao som das ondas do mar ?

Só quem poderia dizer era o artista que pintou tal tela.

Por Jorge Linhaça
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