SOBREVIVENTES – CAP. 14

Amanheceu rapidamente. Os sobreviventes acabaram caindo num sono profundo devido o cansaço e a quantidade de informações que haviam filtrado no dia anterior. Mantiveram turnos de vigilância durante a madrugada para se assegurar que ninguém adentraria no perímetro. O grande problema é que eles nem imaginavam que o perigo já instalara-se dentro…

– Como foi a noite? – questionou Ricardo se aproximando de Wilson.

O policial estava na beira da praia, deixando os pés serem molhados pelas pequenas ondas que atingiam a areia.

– Tudo muito tranquilo – respondeu Wilson suspirando.

– Precisamos acordar os outros e decidir quem ficará aqui e quem irá conosco para as buscas.

Wilson concordou balançando a cabeça. Limpou os pés e calçou os sapatos.

***

Marcelle Gonçalves não conseguia esquecer dos gritos de seu amigo no corredor. Socorro! Socorro! Tivera pesadelos horríveis sobre sangue, morte e gritos vindos direto do inferno. Por que aceitamos fazer aquilo? Lembrou-se da recompensa. Cinco bilhões. Os olhos de ambos brilharam naquele momento, o coração batendo mais do que deveria. Marcelle calculou com a quantia que tinha na poupança. Dez bilhões. Lambeu os beiços desejando cada nota passando por seus dedos. O dinheiro na poupança era o bastante para viver o resto dos seus dias e ainda deixar para os filhos. Mas, a sede é insaciável. A lembrança vaga do transatlântico Jersey surgiu coberta por uma névoa. Era tudo fácil, entrar, pegar e sair. Por acaso, Deus estaria cobrando o preço? Depois de todos aqueles anos, chegara a hora de pagar?

Lágrimas rolaram quentes pelo rosto da moça. Fazia anos desde a última vez que chorara. E muito mais, desde que chorara se arrependendo. Perdoe-me…

***

Todos estavam reunidos. Era um círculo de pessoas cansadas, abatidas e acima de tudo, preocupadas.

– Como o Henrique está? – perguntou Eloísa.

– Ainda dorme. Pessoal, eu quero apenas dois comigo para começar as buscas – declarou Ricardo.

– Eu irei – disse Fábio, logo de cara.

– Eu também – Rodolfo deu um passo a frente.

– Ótimo. Já vou dizendo que isso não é uma jornada de escoteiros, andaremos rápido para que antes do entardecer estejamos de volta – Ricardo voltou-se para os outros – Vocês, fiquem de olho no Henrique e naquela garota presa. Não se preocupem e procurem andar sempre armados com alguma coisa.

– Peraí – resmungou Thais – Isso aqui é o quê? The Walking Dead? Lost?

– Senhorita, digo isso para seu próprio bem, porque segundo aquela malandrinha ali – Ricardo apontou para Amanda – Tem um maníaco psicopata matando gente.

Thais suspirou inconformada.

– Não temos armas para todo mundo – salientou Eloísa.

– Eu encontrei alguns facões nos destroços. Use-os. Bem, estamos partindo. Ah! Se não voltarmos até o pôr-do-sol mude o local onde estamos acampando.

Cada um cumprimentou o outro e depois Ricardo, Fábio e Rodolfo partiram floresta adentro.

CONTINUA…

Por Naôr Willians

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