O NOVELO – 3 DE 4

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E foi essa memória perdida na mente de Joel que dissipou seu verdugo. Porque os sonhos são assim. Nos domínios de Oneiros não é o rei-pensamento seu lorde, juiz e captor, mas sim o Novelo. Ele é o nada e o tudo, mesmo quando o tudo vira nada, o Novelo sempre está. Nos domínios do Rei-Sonho, somente o sonho É.

Todavia, isso não era o bastante para que Joel estivesse livre de seus algozes. Mesmo o inteligente Joel sabia que um truque não pode ser usado duas vezes. Ainda mais o velho truque do nada, o ‘não acredito’, o qual Joel sempre usara durante toda a sua vida.

Por isso ele continuou a correr, subindo as infindáveis rampas. Sabia que uma hora teria de chegar a algum lugar. Sabia que tudo estava tão estranho demais e que as coisas ditas reais deveriam aparecer a qualquer momento. E ele se agarraria a elas de qualquer forma. Poderia haver alguém nos andares superiores, alguma coisa que o pudesse livrar daquela hediondez.

Joel desistiu de correr. Havia se cansado. Não era mais um jovem e sim um senhor de idade avançada. Arfando, ele tem a mirabolante idéia de tomar o elevador. Sua mente soberba o auxiliara a descer enganando àquele tétrico ignoto ser.

O elevador demora e o terror na mente de Joel faz gelar seu coração. Suas mãos trêmulas mal conseguem acertar o botão tantas vezes já acionado. Ele ouve barulhos. O mesmo barulho de ventosas se desgrudando do chão. Ele leva uma das mãos à boca. Os passos ficam fortes. O homem da máscara de oxigênio aparece, rodando sua bengala branca a uma velocidade altíssima; mesmo os melhores produtores de efeitos especiais não poderiam fazer coisa semelhante; uma orquestra de insetos gigantescos o segue. Joel esmurra a porta do elevador. Súbito, ele aparece. Joel abre a porta. ‘E agora? Vá tomar no c*, seu filho da p*** de máscara.’ Porém quando Joel olha, vê que não há elevador. Não há nada senão um grande fosso. E ele quase se precipitou. Até mesmo o homem pensou o mesmo.

O silêncio sepulcral deste momento fora irrompido por ventosas. Mais ventosas. Joel empurra o homem e corre a descer as rampas novamente. O homem pouco se importa. Joel se sente um rato fugindo todo o tempo preso num labirinto a espera do Minotauro. Ele chega ao andar abaixo e se dirige ao lado esquerdo do corredor, na tentativa de esconder-se numa das salas de aula.

Quando avista a primeira delas, Joel vê o homem saindo de lá. Um mudo grito de terror ele dá. O homem aponta sua bengala para Joel. Ele estranhamente parece olhar o íntimo de sua alma. Porque os olhos são as janelas da alma. ‘Ô, seu arrombado, você sabe quem sou eu, sabe?’ Joel vê a bengala tomar a forma de um revólver. Branco. O homem nada diz. Dá um tiro em sua mão esquerda. Joel chora. Antes ele vê o homem, com um gestual como num passe de mágicas, transmutar o cenário onde estavam: o chão é todo feito em xadrez, com grandes pedras brancas e negras; há pilares relembrando a arquitetura grega; há um altar com um trono atrás do homem; há espadas e armaduras encostadas nas paredes. O homem traça com sua bengala a testa de Joel e a marca com um heptagrama.

Joel olha para os lados. Todos eles. Vê diversos selos de Salomão espalhados fora do piso de xadrez. Mas selos de Salomão não têm serventia para ele neste momento. Ele encontra uma espada, que a muito custo consegue tirar do apoio. O homem vem em sua direção, andando como um esgrimista. Logo Joel percebe o que ele quer. E parte com sua fúria para cima do homem, que se esquiva. Lugrebemente o homem sempre evita os movimentos de Joel. Ele sabe que não pode vencer.

Joel pensa em correr. O homem parece ler seus pensamentos. Ou lia seus sonhos? Impossível dizer. O homem o ataca. Joel não se defende e solta sua espada. O homem dá severos tapas em sua face. Joel choraminga. Como uma pequena criança quando apanha injustamente. O homem o atira ao chão e o chuta em suas nádegas.

CONCLUI A SEGUIR…

Por Rodrigo Garcez Martins

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