FELIZ ANO NOVO


Finda mais um ano
Ficam boas recordações
Renove as esperanças
Esqueça os traumas e decepções

Quebrante o coração
A partir de hoje é dia de recomeçar
Faça o bem, libere o perdão
Se entregue totalmente a Deus
Deixe o Altíssimo te usar
Como instrumento em suas mãos

Nesta nova etapa, pense nos sonhos
Na família, e nas outras pessoas
que fazem parte da tua vida;
Nos excluídos da sociedade
Que sentem frio e passam fome

Conquiste novas amizades
Conte sempre comigo
Se precisar do meu abraço
De um ombro amigo

Reflita sobre a história de Jesus Cristo
Obedeça ao criador do universo
Torne-se jovem em espírito
Renuncie este mundo perverso

Acredite mais em ti, lhe desejo tudo de bom
Paz, felicidades e sucessos
lute pelos seus ideais, conclua projetos
Feliz ano novo, todos nós temos méritos

Por Sidney Alves das Virgens

Um feliz 2016 para todos. São os votos de Alci Santos, editor e coordenador deste blog.

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UM CONTO DE FIM DE ANO


Era a noite logo antes da noite de Natal. Em Brookline, Massachusetts, reinava uma paz quase perfeita. Fazia frio, 10 abaixo de zero, mas o céu estava limpo e luminoso a ponto de apagar o brilho das estrelas. Até os jovens pareciam preferir os prazeres do lar e passar em casa a primeira noite das férias. Pelas ruas desertas, difundia-se uma sensação de harmonia.
Paz na terra aos homens de boa vontade. As casas ronronavam satisfeitas empurrando ao máximo suas caldeiras. As lareiras acesas soltavam fios delicados de fumaça. Esses arabescos, o murmúrio das calefações e o código morse das luzes natalinas piscando compunham uma linguagem que subia ao céu como uma prece de gratidão.
As decorações luminosas das casas vistas de cima deviam configurar um sinal à intenção do Salvador, para que caso decidisse voltar entre nós, Ele reconhecesse seu aeroporto. Sem dúvida, alguma divindade deveria ser sensível ao cântico dessa e de outras prósperas cidades. Pois as notícias, no fim daquele dia, eram a prova de uma bênção divina respondendo à boa vontade dos homens: ambos os índices -o Dow Jones e o Nasdaq- fecharam com novos recordes.
Nas casas, o calor fomentava o amor e os bons sentimentos. Nos fundos de investimento, o dinheiro poupado se multiplicava como bacilos numa estufa. Envelheceremos tranquilos ao abrigo da necessidade, pois o deus de Wall Street reconheceu os seus. As festas de fim de ano são uma época prona às visitações. As pessoas se visitam. No mínimo, trocam presentes, cartões ou e-mails. Os pequenos contam com a mágica manifestação de Papai Noel. Os adultos esperam ser visitados por algum tipo de graça: por isso é época de reavaliação do passado e de propósitos para o futuro.
Mesmo assim, quando por volta das 21h tocou a campainha, foi uma surpresa. Era uma jovem de uns 20 anos, magra, cabelos curtos, os lábios e o rosto brancos pelo frio; assim como as mãos que seguravam uma prancheta. Ela estava absurdamente pouco agasalhada: calças de brim e uma daquelas malhas espessas de lã crua. Parado no limiar, eu sentia nas costas o calor da casa e na frente o vento gélido no meio do qual ela se erguia e de onde ela me olhava. Solicitava uma assinatura para alguma petição. Não consegui escutar direito: talvez fosse contra as emissões de gás carbônico e o aquecimento do planeta (que aliás naquela noite teria sido bem-vindo). Ou então contra a fome na Somália.
Ou a favor dos gorilas. Não conseguia escutar porque, fascinado, eu contemplava no olhar dela, lá naquele frio danado, meu próprio olhar aos 20 anos. Na verdade, enquanto ela falava, eu não a via, mas me olhava pelos olhos dela. Sei que o ano 2000 não é o começo do novo século nem do novo milênio, ambos acontecerão em 2001. Também é uma medida de tempo que vale apenas em nossa cultura. Mas acontece que, 20 ou 30 anos atrás, o 2000 já funcionava como uma marca. O ano se tornou significativo por força de antecipação. Como seremos no 2000? Chegaremos lá? Minha antecipação quanto a mim mesmo era negativa. Na verdade, eu não queria viver até hoje, desconfiava que a esta altura estaria decrépito.
Pouco a ver com o envelhecimento do corpo: previa que o Contardo do ano 2000 seria uma decepção. Pior, ele me trairia. Agora estava descobrindo e julgando este eu do ano 2000 por meio dos olhos de minha visita inesperada. O ano quase acabou, os números estão virando, você está ainda vivo e gosta do que está vendo? Não sei. A moça falava e eu pensava nas esperanças mortas, nas repetidas vitórias do que é razoável sobre o que é certo. Pensava que viver é uma permanente invenção de terceiras vias. Também que a adolescência é o momento moral da vida, quando os ideais são assumidos na ruptura, contra pais e mestres, e portanto durante um tempo valem sem reservas. Por isso desconfiamos dos jovens: neles, receamos nosso próprio olhar adolescente (e impiedoso) sobre nós mesmos. Deles também podemos temer um absolutismo moral absurdo, sem compromissos. Em outras épocas e longitudes, por exemplo, minha visita poderia ser um grupo de adolescentes cambojanos me anunciando que era tempo de deixar luxo e conforto para me reeducar no campo.
Perguntei-me dos dois extremos qual seria o pior: adolescentes fanáticos no poder ou então jovens que perdem a ocasião de ser a consciência moral de seus tempos e, tornando-se coroinhas dos piores deuses dos adultos, envelhecem antes da hora e apodrecem? Minha visita terminara de falar. Assinei não sei o quê. Mastiguei um “feliz Ano Novo”, fechei a porta e voltei para a lareira, às conversas e aos risos. A cena cabia no cartão-postal privilegiado e um pouco hipócrita do espírito natalino da cidade. Por que não participaria? O mundo não ia ser muito pior por causa disso. Mas certamente o mundo era um pouco melhor pela generosidade da jovem que, sem sorrir, fora embora no frio e no escuro, para bater a outra porta.

FIM

Por Contardo Calligaris

UM FELIZ ANO NOVO A TODOS OS LEITORES DE CONTOS.BR

2015


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UM CONTO DE ANO NOVO


Na noite de 31 de Dezembro Tristão acorda em sobressalto. Sonhava com um carrossel de cores quando um estrondo lhe atravessou a cabeça fazendo-o erguer da cama grande.
Tudo naquele quarto lhe parece grande e estrangeiro, paredes, portas, armários, mas o que sente não é exatamente medo. Mais uma saudade das cores do sonho. Ali, agora, tudo escuro e enevoado, como nos sonhos falsos dos filmes. Ele vira-se, desce da cama. Um miúdo de três anos e meio com uma cara clara e grandes, espantosos, olhos pretos.
No corredor, quadros com imagens de caça. Tristão pensa como são feios os rostos sem sobrancelhas dos cavaleiros. Para não ver mais nenhum, olha para baixo enquanto anda. Os pés descalços na madeira fria. Quando encontra uma porta, empurra-a.

A meio da sala, dá conta de ir a chorar baixinho. Esperava encontrar alguém depois da porta, mas não há ninguém. Nem a mãe, nem o pai. E, à medida que vai avançando para a outra porta, adensa-se o medo estremunhado no coração do miúdo. Por um lado, o choro ecoando naquele espaço. Por outro, o terror das coisas, tão quietas e imprecisas. A cadeira fora do lugar, o cinzeiro sujo. Tristão sente que, agora acordado, está dentro de um lugar muito mais vago e nevoento do que antes, quando sonhava. Um lugar vago e escuro e nevoento que é tal e qual um pesadelo.

Outra porta: luz, música. Homens com laços debaixo do queixo, mulheres com pescoços nus. Mostram-se espantados e alegres ao verem-no, mas são maus atores. E a luz é violenta, e alguém dá uma gargalhada grossa, e há o estrondo de bombas lá fora. Tristão não chora mais. Está em pânico, olhos perdidos. Vai atirar-se para o chão e enrolar-se sobre si próprio, fechado a qualquer palavra ou gesto, repetindo para dentro “não, não”.

Mas o mordomo da empresa de organização de eventos vale o seu peso em ouro. Pousa a garrafa de champanhe, pega no miúdo. Sorri aos convidados e sai com ele para a janela, para ver o fogo-de-artifício. “Estás a ver? É isto o barulho”, diz-lhe.

E Tristão serena porque pensa que aquelas cores explodindo na noite são tão parecidas com as do sonho, tão parecidas, que afinal talvez seja aquilo a “realidade”.

Por Jacinto Lucas Pires

Como neste ano que entra, publicarei contos estrangeiros, apresento a transição que é este conto de autor português em português.

Alci Santos – editor

UM FELIZ 2014 PARA TODOS


Aos meus leitores:

Começamos mais um ano com uma boa perspectiva de um crescimento maior tanto intelectual como de um interesse maior nas histórias dos escritores brasileiros, profissionais ou não.

E é isso que nosso site pretende publicar em 2014. Não somente séries mas também dividir o espaço com contos seriados e poesias além da publicação de material de terceiros.

Teremos também uma grande novidade. Aguardem.

Um feliz 2014 para todos!