TAO


Passara a escrever tudo que lhe acontecia. Detalhes, acontecimentos pertinentes, emoções, raivas, tudo que conseguia expressar por meio das várias línguas que conhecia. À noite quando não acontecia nada, depois de haver escrito que nada acontecia, ele, então, ficava a ler tudo que havia escrito.

Corrigia seu texto, deformava alguns fatos para fazê-los mais verdadeiros, encurtava silêncios para não deixá-lo enfadonho, misturava protagonistas para que parecessem mais interessantes. O que mais apreciava era ver seu dia passado a limpo, um dia lindo, rico, cheio de pessoas e fatos fascinantes. Tao transcreveu anos e anos da sua vida, a preencher centenas de folhas com pequenos capítulos, trezentos e sessenta e cinco ou seis deles por ano. Com o passar do tempo, ele passou a arriscar já deixar escrito o que aconteceria no dia seguinte, afinal sua vida era tão igual…

Não tentem fazer que explique como ou mesmo quando aconteceu, mas num desses dias, Tao tentou escrever o dia seguinte. Inteirinho. Só por brincadeira. Ao acordar, escovou os dentes, tomou café, até aí nada, mas depois perdeu o metrô como havia escrito, foi admoestado por seu chefe, e ao voltar, perdeu seu guarda-chuva. A parte boa? Só teve que corrigir uma ou outra coisa, o resto estava pronto. Gostou da experiência e fez de novo. E assim foi, escrevendo um dia antes, tudo que aconteceria no dia seguinte.

Confuso, sem saber se as coincidências eram forjadas inconscientemente por ele ou não, Tao passou doze meses, com tudo previsto e pré-visto, e concluiu que aquilo era muito chato. Sua vida não tinha mais graça. Resolveu então ousar. Passou a inventar arrojadas aventuras para si mesmo – testemunha de crimes, extra em passeatas, manifestações, e coisas que valham. E uma noite resolveu que era hora de se apaixonar. Sentou-se a escrever e inventou uma mulher, lindíssima e misteriosa, claro, que o abordaria na estação e se apaixonariam perdidamente.

Esperou o dia seguinte insone. Chegou à estação e quando a viu – ela era exatamente como a havia descrito, teve que correr para despertar e entrar em seu vagão. Ela deveria olhar para ele. Nada. A olhou insistente. Nada. Concebido o inconcebível, Tao a seguiu. Depois de alguns metros ela voltou-se e questiona: – O que está acontecendo? Responder o quê? Afinal, como explicar a uma personagem que ela é uma? –Nada, respondeu. –Achei você linda, só isso.

– Só isso? Então está bem. Achei que fosse um daqueles… Tão a olha, já enamorado. – Quem? Ela olha para ele, embevecida. – Deixa pra lá.

Foram tomar um café juntos. Ela pediu um expresso, ele só um copo de água mineral. – O que você faz? Ela demorou em responder. – Nada. Ele retrucou: – Como assim, nada? Ninguém faz nada. É uma contradição até gramatical, o verbo fazer implica numa ação. Ela parecia divertir-se. – Pois é. Eu consegui. Não faço nada. Aliás nem sei porque estou aqui. É como se estivesse sendo manipulada por um diretor invisível. Tao sorriu antes de perguntar: – Ah Você é atriz. É tão bonita. Ela é reticente. – É, acho que sou. Sei lá. – Teu nome? Respondem juntos: – Isis. Ela ficou surpresa. – Como é que você sabe? Tão disfarçou: – Sei lá. Vai ver que eu escrevi essa história. Ela achou graça e o beijou na boca.

Passaram a se ver com freqüência. Tanta freqüência, que Tao nem tinha tempo para escrever e quando o fazia, a sua versão era tão distorcida, resumida, maquiada, descuidada, que parecia qualquer coisa menos a realidade. Muitas vezes até produzia um texto mal escrito – tão boa era sua vida de apaixonado. Tao passou então, no lugar de descrever seu dia a dia, a se dedicar a escrever o amanhã. Consultava discretamente sua parceira e depois inventava as mais deliciosas horas cotidianas, segundo o ânimo de cada um.

Numa sexta-feira, amanheceu sem roteiro. É que eles iriam viajar e os preparativos os consumiram, sugaram todos os minutos disponíveis na organização de tudo e Tao não pôde escrever nada. Deveria. Arrependeu-se amargamente.

O dia prometia acabar bem, quando um pesadelo tomou conta da situação. O táxi que os levava ao aeroporto se envolve num monstruoso acidente de trânsito. Isis vê um ônibus vir em sua direção, suspira e num derradeiro olhar ao seu amado Tão, o perdoa por não ter escrito um final melhor. Ela ouve seus ossos trincarem e por último, seu cérebro chacoalhar dentro de sua caixa craniana. Depois, o contínuo tracejar, o coma três, o sinônimo da temida morte cerebral.

Tao, volta, com seus poucos arranhões para seu refúgio, onde cada molécula, cada composto, objeto, canto; o martirizam por sua existência: haviam sobrevivido à sua amada. Tao outra vez só. Relê, em prantos, cada página/dia, ultimamente compartilhado com sua musa, a mesma que era agora, só um potencial conjunto de órgãos a serem doados.

Isis, Isis, porque não escrevemos tudo antes? Enlouquecido, começou a escrever o dia anterior, passo a passo, cena a cena. Desta vez, eles nem iriam ao aeroporto, mas ao seu sítio e ninguém dirigia um carro, tampouco estavam naquela esquina quando o ônibus chegava naquele instante. Ele escreveu fervorosamente durante toda a noite e adormeceu num transe, num sono profundo e nem sentiu as violentas forças do universo se retorcerem, intrincarem e, imbricadas, darem a volta para desfazer o já feito.

Tao acordou atordoado. Olhou ao seu redor e não detectou mudança alguma. Mas depois começou a olhar seu quarto e não o reconheceu. Mas sim, aquele era o seu quarto! Tao viu que alguém havia dormido ao seu lado. Levantou-se correndo e foi para cozinha. Seu coração parou: Isis estava lá, com cara de sono, perguntando o que comeriam naquela manhã. Tão faminta como sempre. Linda e faceira, como sucessivamente a descrevera. Seu relato havia sido um sucesso. Sua ficção enganando a morte.

Tao decidiu nunca mais escrever nada. Afastou-se dos seus diários de uma maneira inexplicável, mais ainda, resolveu queimá-los – todos, com uma única exceção. Ísis nunca entendeu, afinal aquela última e fatídica noite, não haviam escrito nada. E por essa razão todas as noites ele escrevia num caderno de capa dura branca: Nós estamos vivos e nós vamos acordar e viver amanhã. Mais nenhuma palavra. Assumia sua vida na própria existência da mesma. Mais nada era importante a ser escrito. Nada.

Por Silvia Cobelo

SOBREVIVENTES – CAP. 06


Minutos antes da tragédia…

Lafert seguiu o corredor e quase no final, viu uma escada que dava para o andar de cima do imenso navio.

Rapidamente subiu e no topo encontrou uma porta trancada. De fora era impossível ver o que havia dentro dela, pois não havia vigias.

Foi então que ouviu um barulho que vinha de dentro da sala que a porta lacrava. Era um grito. Lafert tentou puxar a maçaneta, mas nesse momento a mesma começou a se movimentar como se alguém tentasse sair de dentro.

De repente, alguém empurrou a porta com uma grande força que bateu em Lafert e o jogou no chão. O indivíduo saiu de dentro e começou a esmurrar Lafert até o mesmo desmaiar.

O indivíduo retirou um revólver do bolso e apontou para Lafert para desferir o tiro que o abateria em definitivo, mas neste momento uma onda gigantesca atingiu o transatlântico e o homem que tinha o revólver foi arremessado para o mar junto com Lafert.

Salão principal do transatlântico, antes da tragédia….

Não houve possibilidade de haver o assalto. O imenso navio foi jogado em um turbilhão por uma onda gigante e permaneceu de lado.

Várias pessoas foram jogadas em mar aberto por causa da violência das águas. Outras pessoas se acidentaram e desmaiaram.

As horas se passavam e o navio cada vez mais afundava. O terror era grande.

De repente uma luz foi avistada próxima ao acidente. Várias pessoas que estavam na água, tentaram nadar até a luz.

Com o tempo a luz passou a ser luzes e logo notaram um pequeno iate que se aproximou.

– Veja Richard, é o nosso iate. Eles vieram nos salvar – falou Elroy feliz da vida.

– Vamos aguardar ele se aproximar mais, se nos soltarmos desses barris estamos ferrados. Eles vão jogar uma corda.

– Tomara que eles sejam amigáveis – preocupou-se Josh.

A verdade era que os três homens tiveram muita sorte e não se separaram no acidente, mas os gêmeos haviam sumido.

– Vocês não viram os gêmeos? – perguntou Elroy.

– Eles sumiram no navio, acho que estão presos lá dentro – respondeu Richard.

Minutos depois os três foram reconhecidos e jogaram cordas para eles serem içados a bordo do iate. Várias outras pessoas que tentaram se aproximar, foram atingidas por tiros dos tripulantes ou cansaram de nadar atrás do barco que retirou-se do local rapidamente.

Três horas depois da grande onda que virou o navio, o mesmo foi tragado pelas águas do grande oceano. Poucas pessoas eram vistas nadando ou boiando.

Dois dias após a tragédia…

Um homem bóia na água da praia de uma ilhota. O mesmo está totalmente sem forças, pois lutou bravamente durante dias para que pudesse chegar a algum lugar. Talvez Deus tivesse dado essa oportunidade.

Uma grande onda terminou de atirá-lo na areia. Agora ele estava a salvo. Seus cabelos amarelados brilhavam ao sol como que contrastando com seus olhos verdes. Seu nome era Rovert.

– Onde diabos vim parar? – perguntou a si mesmo.

Olhou toda a extensão visível da ilha. Seus olhos ardiam pelo contato com a água salgada do mar. Levantou então e andou para mais distante da água. Localizou uma sombra e sentou-se na areia para refrescar-se e descansar.

Ficou vários minutos pensativo até que…

– Fique parado e não se mexa! – disse um homem que saiu de dentro da folhagem,

– Quem é você? – perguntou uma mulher apontando uma arma para  a cabeça de Rovert.

CONTINUA…

Por Alci Santos

SOBREVIVENTES – CAP. 3


Passado…

-…Então é isso. Vocês já têm todas as informações, mas vamos repassar:

-Primeiro aguardar o navio.

– Não se esqueçam que vocês têm que dizer que são turistas e para isso vocês receberam as identificações falsificadas.

– Quando estiverem dentro do navio vocês vão procurar os traficantes.

– Não esqueçam que eles são apenas três, mas se vocês derem mole, eles lhe matarão de maneira sumária.

– Ei seu moço o Sr. vai querer ficar falando sozinho e não deixar ninguém falar? – Perguntou Nicolas para o falastrão.

– Estou apenas revisando o que já foi dito – falou o homem seriamente.

– Posso perguntar algo, ou não? – perguntou Nicolas fazendo todos rirem.

– Pergunte, mas seja sério – permitiu o homem acenando.

– Quando é que vai sair o rango?

De repente todos riram.

– Engraçadinho, se aprontar de novo mando meterem o pé na sua bunda.

– Você está louco Nicolas? – Perguntou Rodolfo – Esses caras podem matar a gente. Se eles vierem aqui eu nem te conheço.

Presente…

Entardecer. Rodolfo e Nicolas estavam sentados um ao lado do outro olhando as ondas do mar e lembrando da enrolada em que estavam metidos.

– Eu não acredito no pesadelo em que estamos Nicolas. Em uma hora estamos atrás de alguns bandidos, outra hora estamos aqui nessa ilhota sem saber se vamos poder voltar para casa.

– Será que essa não é a ilha de Lost Rodolfo?

– O que há com você Nicolas, parece que está na cidade grande. Às vezes só pensa em fazer essas piadinhas bestas – irritou-se Rodolfo.

– Como está a mulher ferida? Você que ficou perto dela lá junto com os outros – perguntou Nicolas cessando as piadinhas e entrando em conversa séria.

– Ela está desacordada ainda. Tem um médico lá cuidando dela. Por sorte ele reconheceu sua caixa imensa de remédios que boiou no acidente e veio boiando com ela até a praia.

-Estou com uma sede descarada Rodolfo.

– Então vá tomar água. Alguém deve ter recuperado uma geladeira do navio.

– Eu vi mais cedo, uma trilha que tem uns coqueiros. Com sorte podemos pegar uns cocos antes do anoitecer – disse Nicolas levantando e pegando pelos braços de Rodolfo e puxando.

– Tá bom, espera ai que vou me levantar.

Minutos depois…

– Ali estão os coqueiros, veja Rodolfo

– É, mas quem vai subir é você. Eu estou todo dolorido.

Então Nicolas subiu no coqueiro e Rodolfo ficou esperando. Quando já estava bem perto dos côcos, Nicolas começou a fazer gestos. Como o coqueiro era bem alto, e Rodolfo estava baqueado, não entendeu o que Nicolas gritou.

– Mas o que será que essa criatura quer dizer com esses gestos? – pensou Rodolfo.

Cada vez mais Nicolas aumentava o balançado de braços.

– Nicolas fale mas alto que não estou escutando.

Então nesse momento Rodolfo notou as arvores ao lado do coqueiro se mexerem…

– Mas que diabos? – perguntou a si mesmo Rodolfo.

O mato mexeu mais ainda.

Uma sombra ameaçadora surgiu às costas de Rodolfo…

CONTINUA…

Por Alci Santos

SOBREVIVENTES – CAP. 2


– Então está tudo certo?

– Sim, senhor Claude, mas como chegaremos até o transatlântico? – perguntou Josh fazendo cara de dúvida.

– Josh, já entramos em contato com uma pessoa próxima ao comandante do transatlântico. Teremos sempre que quisermos a localização correta do navio. E vocês ai perto da porta, tudo certo?

-Pode ficar tranqüilo Sr. Claude. Eu e meu parceiro Elroy voltaremos com esse butim, ou não seremos mais a Dupla Infernal – falou Richard, se gabando de suas proezas.

A dupla era altamente conceituada no submundo do crime quando alguém quisesse roubar alguma coisa que tivesse uma grande dificuldade, ou quisesse uma grande quantia em valores, Sempre que alguém quisesse assaltar um banco eles eram requisitados.

Eles também não tinham limites com armas, ou seja, caso não os obedecessem, matavam mesmo, inclusive à queima-roupa.

– E vocês gêmeos? – perguntou finalizando Claude.

– Entendido Chefe, se depender de nós, tudo irá para frente! – exclamou Laffert, um dos gêmeos.

Lafert e Rovert eram gêmeos idênticos. Fanáticos por quadros de artistas famosos, não perdiam uma oportunidade que lhe apareciam para aumentar seu poder econômico roubando esses quadros de exposições, museus e milionários colecionadores desses quadros.

Diferentes dos outros, não eram pessoas que tiravam a vida dos outros. Na verdade eram até boas pessoas, apenas tinham esse vicio.

Mas o que estavam fazendo junto com essas pessoas grotescas? Ambos souberam que havia verdadeiras obras de artes sendo transportadas naquele navio e resolveram que elas fariam o dinheiro em suas contas bancárias aumentarem severamente.

Eles, louros verdadeiros, tinham uma particularidade interessante. Lafert tinha olhos azuis puxado de sua mãe  e Rovert olhos verdes puxados de seu pai.

Na verdade é possível que isso aconteça entre gêmeos de mesma placenta que provavelmente foi o caso deles.

Em uma pequena parada para subir amigos do capitão, todos vestidos com roupas de ricaços providenciadas por Claude, foram acomodados em dois camarotes. Lafert e Rovert ficaram em um quatro separados, pois os outros sabiam que dificilmente eles os trairiam já que vendiam o material que conseguiam como sua parte. Os outros porém resolveram pilhar os camarotes dos ricaços e pegar tudo de valor que encontrassem. Assim, Claude seria mais generoso com eles.

Um dia depois, já no terceiro dia de viagem, os gêmeos foram para o quarto onde estavam os três outros, e foram disponibilizadas espingardas e revolveres, além de roupas e máscaras. Rovert olhou para Laffert e abanou a cabeça negativamente. Laffert respirou fundo, querendo dizer que nada podia fazer.

Resolveram entrar em ação às dezoito horas e cada um foi para uma parte do barco vestido com jaquetas jeans e máscaras de palhaço.

Lafert e Rovert entraram em um corredor bem ao meio e enquanto o primeiro foi para a direita, o outro foi para a esquerda.

Rovert depois de alguns passos pegou o elevador para o andar de baixo. Após entrar no mesmo e fechar a porta pegou a arma ainda travada, um revólver calibre 45 e estendeu o braço para frente para intimidar alguém que fosse entrar.

O elevador desceu e parou no andar de baixo. Apareceu então uma linda mulher de tez bem alva e grandes olhos azuis como de Laffert e cabelos mais negros que petróleo.

Neste momento Rovert colocou o dedo na frente da boca pedindo silêncio. Chamou-a com a outra mão. A mulher fez um semblante desesperado, mas obedeceu. A porta fechou-se e foram para outro andar.

Nisso…

– Richard, cuidado que pode ter alguém à espreita. Sempre tem alguém metido a valente nesses cruzeiros. Temos que neutralizar a sala do capitão para não ser emitido nenhum pedido de socorro – falou Elroy.

– Não se preocupe parceiro, Josh já foi para lá. Vamos entrar naquele quarto que a porta já está aberta.

-É perigoso Richard, pode ter alguém lá dentro.

– Não creio, já a estou observando há alguns minutos e não vi ninguém entrar por aqui.

Minutos depois, dentro do camarote…

– É um camarote duplo Elroy! Veja no chão! Sangue.

– Veja lá na frente. A porta que dá para o segundo camarote está somente encostada.

Caminharam até a porta e quando a empurraram, tiveram uma visão dantesca. Um homem bem despedaçado com a cabeça descolada do corpo apenas preso por resquícios do que fora sua coluna vertebral.

Saíram apressadamente dali, indo para a cabine do capitão. Lá encontraram Josh.

– Você nem sabe o que vimos agora – falou Elroy visivelmente perturbado com a visão que havia tido recentemente.

Richards contou tudo a Josh que disse que isso não interessava, e sim o roubo que vieram fazer. Assim resolveram ir logo ao salão central para pilhar a todos os que se encontravam lá.

– Onde estão os dois gêmeos? – perguntou Josh

– Eles foram para o outro lado – respondeu Elroy.

– Espero que eles se encontrem logo conosco – falou Josh – já enviei um sinal para os piratas que virão nos apanhar. Se eles não estiverem aqui na hora, pior para eles.

– O que vai fazer com o capitão? – perguntou Richard

– Vai ficar ai mesmo. Não vai acordar tão cedo e eu destruí qualquer aparelho que ele pudesse pedir socorro. – falou Josh correndo para fora da cabine

Dez minutos depois, entraram correndo no salão central…

– Todos parados! Viemos tomar um drink – disse Josh

Mas o sangue estava demorando muito para jorrar. Um dos garçons tentou escapar por um elevador de serviço e foi crivado de balas por Josh e logo depois por Elroy que ainda estava tenso pela visão do corpo dilacerado..

 – Acho que vocês não entenderam quando eu disse não se movam, né?

Neste momento, todos que estavam no salão ficaram como petrificados pelo horror da ação.

Neste momento ecoou uma voz nos auto-falantes:

– Senhores passageiros, estamos passando por uma turbulência marítima. Segurem-se.

O capitão havia despertado e o navio havia entrado em um turbilhão de água e agora era sorte.

CONTINUA…

Por Alci Santos

SOBREVIVENTES – CAP. 1


Wellington Silva se levantou assustado. Respirou arregalando os olhos fundos – e avermelhados. Começou a cuspir água pela boca. Observou sua roupa, estava um trapo.

Só então, aquele rapaz magrelo, moreno, de olhos negros e cabelos encaracolados percebeu que estava em cima de uma rocha. Olhou ao seu redor. À esquerda e a direita uma enorme floresta. À frente o oceano cobria até onde sua visão alcançava. Na praia, destroços do transatlântico dentre outras coisas.

– Mas que caramba é esse? – questionou tentando se lembrar do que havia acontecido.

Neste momento, ele ouviu um grito. Vinha da mata. Todos os pêlos de seu braço se arrepiaram. Deveria ir atrás do grito? Ou deveria ficar onde estava?

– Ei! – chamou uma voz.

Wellington enxergou um homem de cabelos desengrenados, branquelo, com um cavanhaque bem aparado.

– Não fique parado ai! Nos ajude aqui!

Sem ter escolha, Wellington correu ao encontro daquele estranho.

– O que foi que aconteceu? – questionou ele quando o alcançou.

– Isso não é hora pra essa discussão! – retrucou aquele homem que segurava uma lona nas mãos – Temos algo urgente pra fazer! Pegue na outra ponta da lona.

Embora hesitante, Wellington pegou na outra ponta e seguiu aquele homem floresta adentro.

– Ei! Me diga pelo menos seu nome – pediu.

– Meu  nome é Fábio Santos – respondeu.

Wilson estava sentindo a morte bem perto. Entretanto, a pergunta era como tinha ido parar ali?

Abaixo dele, um enorme precipício do qual não conseguia nem enxergar o fim. Acima, a alça de sua bolsa presa à um pequeno galho, que no momento, estava começando a quebrar.

Ele engoliu a saliva, tentando se mover o mínimo possível. Qualquer movimento e tudo iria pelo ar.

– Aguenta ai, já voltamos! – exclamou um jovem amarelo e magro.

Um sorriso surgiu no rosto de Wilson. Por sorte, dois jovens o havia visto ali. Eram Nicolas e Rodolfo.

– Isso foi tudo que conseguimos – confessou Rodolfo descendo uma corda de alpinismo.

– Acho que é o suficiente – agradeceu Wilson.

– Eu e o Rodolfo vamos te puxar – explicou Nicolas.

Sem mais hesitar, Wilson agarrou a corda deixando sua bolsa cair junto com o galho salvador.

– Puxa Rodolfo! – gritou Nicolas.

Com dificuldade, os dois começaram a levitar o policial que se sentia mais aliviado.

Porém, despercebido, Nicolas acabou pisando numa pedra. O rapaz escorregou deixando a corda escapar-lhe das mãos.

Imediatamente, Rodolfo foi sugado com força na direção do precipício.

– Larga isso Rodolfo! – gritou Nicolas.

– É o que eu vou fazer! – disse Rodolfo sentiu suas mãos arderem.

Mas, para a surpresa de ambos, outra mão agarrou a corda e num segundo Wilson estava sobre terra.

Rodolfo caiu no chão abanando as mãos. Nicolas olhou espantando para aquele homem robusto com uma parte dos cabelos grisalhos e outra negra.

– Precisando de ajuda? – sorriu ele.

– Quem é você? – perguntou Nicolas ainda espantado.

– Eu sou Ricardo Mandelli e quem são vocês?

Fábio enxergou dois jovens no meio da mata olhando para cima. Finalmente haviam encontrado o local. Realmente, era difícil localizar qualquer coisa naquela mata fechada.

– Ali estão! – apontou mostrando para Wellington.

Os dois apertaram os passos até alcançarem os outros dois.

– Rápido! Estiquem! – gritou um jovem moreno com uma camisa social rasgada. Seu nome era Wéverton.

Rapidamente, cada um agarrou uma parte da lona. Só então, Wellington enxergou o motivo de tudo. Era uma mulher de cabelos negros, branquela, que estava pendurada de cabeça para baixo num galho prestes a quebrar.

– A queda vai ser feia – ressaltou um jovem de topete, olhos pretos, usando o que deveria ser um paletó. Seu nome era Henrique.

Embaixo da lona, vários pedaços de travesseiros e colchões.

Naquele momento, a jovem caiu com violência. Os quatro rapazes puxaram a lona com força para evitar o impacto, mas devido a umidade da lona, esta acabou rasgando quando a garota a atingiu.

Wéverton correu ao encontro da jovem que estava com os olhos arregalados, suspirando bem rápido e quase não conseguia ficar sentada.

– Essa foi por pouco – mencionou Henrique.

Eloísa acordou cuspindo água no próprio rosto. Se levantou com pressa procurando por ar.

Notou a areia sobre seus pés e então viu que não deveria estar onde estava.

– Explodiu – disse uma voz ao lado dela.

Seu olhar rapidamente, observou o que sobrara de Thais. A jovem estava suja, de roupa rasgada e com vários ferimentos no corpo.

– O que? O que você está me dizendo? – questionou Eloísa assustada.

– O transatlântico explodiu na hora em que seria roubado – confessou Thais.

Em desespero, Eloísa sentiu seu mundo desabar, seus sonhos voaram entre suas mãos. Mas, a pergunta agora era, sendo sobrevivente de um desastre numa terra desconhecida, o que seria deles?

CONTINUA…

Por Naor Willians

SOBREVIVENTES – PRÓLOGO


O sol estava se pondo, enquanto o transatlântico Jersey chegava ao fim do terceiro dia de viagem. O transatlântico possuía dimensões extraordinárias, um dos maiores do mundo. Dessa vez, estava de viagem para o Brasil. Apoiadas observando o mar estavam duas mulheres. Uma delas de cabelos caramelos usando um óculos, o rosto corado por causa do calor. Seu nome era Eloísa.
Do lado desta, uma jovem mais nova. Cabelos pretos, grandes olhos azuis, branquela. Seu nome era Thais.
– Como é ótimo ficar longe do serviço, não é Eloísa?
– Eu que o diga – Eloísa deu um sorriso mexendo no cabelo – Sombra e água fresca, quem diria que estaríamos aqui algum dia?
– Vou até pegar um drinque para brindarmos – Thais saiu andando por um enorme corredor.
O restaurante ficava dois andares a baixo. Ela se aproximou do elevador e se observava enquanto o esperava. Só então, Thais ouviu passos ecoarem no teto acima de si. Parou, tentando identificar se os passos vinham de lá mesmo. O elevador se abriu. A atenção foi tomada para ele. Entretanto, ela deu de cara com um revolver. O homem estava com uma máscara de palhaço usando uma jaqueta jeans.
Ele colocou os dedos nos lábios como se quisesse dizer para ela ficar de boca calada. Chamou-a com uma das mãos. Thais hesitou. Engoliu a saliva e pensou se deveria sair correndo gritando por socorro. O bandido balançou a cabeça negativamente como se tivesse lido seus pensamentos.
– Calma Thais – pensou ela consigo dando passos leves em direção do elevador – Respire e fique calma.
A jovem entrou e as portas se fecharam.
Wilson havia terminado seu banho. Como aquilo era refrescante. Lembrou por um momento de sua mulher e seu filho. Sorriu pensando que logo os veria.
Só que neste momento, o jovem percebeu uma movimentação estranha no corredor. Pensou que poderia ser serviço de quarto. Mas, sua intuição policial estava apitando como um alerta. Wilson pegou seu revolver no coldre e procurou não fazer ruídos quando pisava no chão. O que não era muito fácil, já que ele era, digamos assim, mais pesado que os outros. Abriu a porta lentamente. Corredor vazio. Olhou para esquerda, havia uma porta aberta. Com cautela foi até ela. Sangue no chão. Wilson engoliu a saliva, se preparou e, desferiu um chute na porta.
– Polícia! Levante as mãos!
Os olhos de Wilson se arregalaram. Havia um corpo praticamente dilacerado em cima da cama. Nicolas e Rodolfo tomavam um drinque, brindando a vitória.
– Enfim, estamos livres – sorriu Nicolas.
– Nova vida, nova aparência, novos nomes – comentou Rodolfo tomando mais um gole da Coca.
– Cara, eu pensei que iríamos ser capturados – admitiu o outro com os olhos caramelos cerrados.
– Escapamos pelo cano, pensando bem, parece até que foi o destino que nos trouxe para cá.
– O mais importante é que nada pode dar errado agora.
Entretanto, naquele instante, um grupo de homens com máscaras de palhaço usando metralhadoras invadiram o enorme salão.
Rodolfo e Nicolas arregalaram os olhos. Sentindo o coração disparar.
– Essa não… – resmungou Rodolfo.
– Fiquem todos parados! – disse um deles que parecia ser o líder – Só viemos tomar um drinque.
Neste momento, um homem se aproximou do elevador e tentou fugir. Mas, antes que pudesse dar dois passos, os sons dos disparos lançaram o corpo massacrado no chão.
– Vocês entenderam quando eu disse não se movam?
Nicolas e Rodolfo olhavam apreensivos.
– Não tinha outro transatlântico para esses caras roubarem? – lamentou Nicolas.
– Precisamos de um plano – ressaltou Rodolfo olhando o salão.
Só então se ouviu um ruído dentro do salão.
– Senhores passageiros – era a voz do capitão – Peço que se segurem, estamos passando por uma turbulência.
Neste instante, o salão se contorceu. Um homem foi jogado longe. A água começou a aparecer como cachoeira.
– Corre Nicolas! – gritou Rodolfo.
No entanto, ambos foram arremessados aos desejos do barco. Um lado do salão explodiu. Inundação por todos os lados. Gritos de desespero.
E de repente, já estavam todos no fundo do oceano…

CONTINUA…

Por Naor Willians