LONGE


Senti tua falta quando a lua veio
E a relva enfeitiçada lhe saudou!
O orvalho sobre o verde se deitou
E eu vi que a lua tem o teu enleio…
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Os raios que prateiam meu vagueio
Trazem-me tua lembrança que ficou,
Quando a mim vinhas solta e sem rodeio…
Aumentam minhas ânsias aonde vou!
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Igual à lua, luzes em minh’alma,
A me trazer o bem da tua calma,
Mesmo que longe estejas tu, assim…
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Não vejo, a olhar em volta, uma vivalma…
Só a lua ali tão branca, qual um talma,
A vigiar a dor dentro de mim!
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Por Ineifran Varão
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O NOVELO – 3 DE 4


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E foi essa memória perdida na mente de Joel que dissipou seu verdugo. Porque os sonhos são assim. Nos domínios de Oneiros não é o rei-pensamento seu lorde, juiz e captor, mas sim o Novelo. Ele é o nada e o tudo, mesmo quando o tudo vira nada, o Novelo sempre está. Nos domínios do Rei-Sonho, somente o sonho É.

Todavia, isso não era o bastante para que Joel estivesse livre de seus algozes. Mesmo o inteligente Joel sabia que um truque não pode ser usado duas vezes. Ainda mais o velho truque do nada, o ‘não acredito’, o qual Joel sempre usara durante toda a sua vida.

Por isso ele continuou a correr, subindo as infindáveis rampas. Sabia que uma hora teria de chegar a algum lugar. Sabia que tudo estava tão estranho demais e que as coisas ditas reais deveriam aparecer a qualquer momento. E ele se agarraria a elas de qualquer forma. Poderia haver alguém nos andares superiores, alguma coisa que o pudesse livrar daquela hediondez.

Joel desistiu de correr. Havia se cansado. Não era mais um jovem e sim um senhor de idade avançada. Arfando, ele tem a mirabolante idéia de tomar o elevador. Sua mente soberba o auxiliara a descer enganando àquele tétrico ignoto ser.

O elevador demora e o terror na mente de Joel faz gelar seu coração. Suas mãos trêmulas mal conseguem acertar o botão tantas vezes já acionado. Ele ouve barulhos. O mesmo barulho de ventosas se desgrudando do chão. Ele leva uma das mãos à boca. Os passos ficam fortes. O homem da máscara de oxigênio aparece, rodando sua bengala branca a uma velocidade altíssima; mesmo os melhores produtores de efeitos especiais não poderiam fazer coisa semelhante; uma orquestra de insetos gigantescos o segue. Joel esmurra a porta do elevador. Súbito, ele aparece. Joel abre a porta. ‘E agora? Vá tomar no c*, seu filho da p*** de máscara.’ Porém quando Joel olha, vê que não há elevador. Não há nada senão um grande fosso. E ele quase se precipitou. Até mesmo o homem pensou o mesmo.

O silêncio sepulcral deste momento fora irrompido por ventosas. Mais ventosas. Joel empurra o homem e corre a descer as rampas novamente. O homem pouco se importa. Joel se sente um rato fugindo todo o tempo preso num labirinto a espera do Minotauro. Ele chega ao andar abaixo e se dirige ao lado esquerdo do corredor, na tentativa de esconder-se numa das salas de aula.

Quando avista a primeira delas, Joel vê o homem saindo de lá. Um mudo grito de terror ele dá. O homem aponta sua bengala para Joel. Ele estranhamente parece olhar o íntimo de sua alma. Porque os olhos são as janelas da alma. ‘Ô, seu arrombado, você sabe quem sou eu, sabe?’ Joel vê a bengala tomar a forma de um revólver. Branco. O homem nada diz. Dá um tiro em sua mão esquerda. Joel chora. Antes ele vê o homem, com um gestual como num passe de mágicas, transmutar o cenário onde estavam: o chão é todo feito em xadrez, com grandes pedras brancas e negras; há pilares relembrando a arquitetura grega; há um altar com um trono atrás do homem; há espadas e armaduras encostadas nas paredes. O homem traça com sua bengala a testa de Joel e a marca com um heptagrama.

Joel olha para os lados. Todos eles. Vê diversos selos de Salomão espalhados fora do piso de xadrez. Mas selos de Salomão não têm serventia para ele neste momento. Ele encontra uma espada, que a muito custo consegue tirar do apoio. O homem vem em sua direção, andando como um esgrimista. Logo Joel percebe o que ele quer. E parte com sua fúria para cima do homem, que se esquiva. Lugrebemente o homem sempre evita os movimentos de Joel. Ele sabe que não pode vencer.

Joel pensa em correr. O homem parece ler seus pensamentos. Ou lia seus sonhos? Impossível dizer. O homem o ataca. Joel não se defende e solta sua espada. O homem dá severos tapas em sua face. Joel choraminga. Como uma pequena criança quando apanha injustamente. O homem o atira ao chão e o chuta em suas nádegas.

CONCLUI A SEGUIR…

Por Rodrigo Garcez Martins

ASAS E ROSAS


Então ele acorda.
Tudo à sua volta é deserto, a sua volta pedras nuas de cores escuras, no ar um leve cheiro de cinzas impregnando tudo o que por ali passe, como se tudo houvesse queimado de forma lenta e contínua por infindáveis anos. Com movimentos vacilantes se põe de pé, as pedras pequenas e afiadas não ajudam. Nenhum sinal de vida ao redor, salvo sob parcas carcaças de árvores esquecidas no tempo.
O menino olha tudo com inocente curiosidade, ainda não aprendera o medo, é pequeno demais, mas já carrega algumas marcas, que só mais tarde poderá compreender seus significados. Caminha poucos passos, o sopro frio que arrasta as folhas e galhos secos passa por ele, e trazendo de lugares insondáveis o cheiro e a marca das cinzas. Caminha poucos passos pela velha trilha, guiado pela única luz que vê, apesar do céu negro, o caminho é iluminado, como se tudo emanasse luz própria.
Vultos correm por entre as pedras, sombras avançam ao redor do menino, que pouco ou nada percebe, olhando atentamente para o que está ao longe, como se em transe. As sombras avançam cada vez mais até quase o tocarem. O baque logo atrás de si o faz voltar a consciência de onde estava.
-O que pensas que fazes aqui? – A sombra alta entre as outras tantas que desapareciam por entre as pedras se aproxima da pequena figura, – Viestes aqui por que caminhos, criança? –
O menino não faz mais do que admirar o homem alto à sua frente, de vestes negras e de alvos e  longos cabelos como não mais se viam por ali. Observando tudo sempre com curiosa sinceridade, olha ao seu redor, e de volta à alta figura que o observava, que esperava uma resposta que ele não sabia dar.
-Provavelmente caiu aqui por algum acidente ou descuido… – Pensava o homem em voz alta – Tudo bem, acompanhe-me garoto. É muito cedo, mas já que veio vamos para outro lugar, por aqui andam sombras que não gostarias de ver de perto. – Disse estendendo a mão ao garoto, desvelando brancas luvas por debaixo da túnica tão negra como a Lótus que surge branca e imaculada do breu, e os olhos do garoto ali se perdiam, como se à entrar em outros sonhos, tão estranhos quanto aquele lugar.
O homem alto caminha para o outro lado, seguido pelo menino, que não cansa de olhar para os vultos de luz em suas costas, uma luz tão pura e cristalina que é quase palpável, ao perceber o olhar do menino a alta figura para de andar, e ele percebe que seus pés não tocam o chão. Perdendo-se entre as palavras pergunta:
-Com licença… Porque tens asas? – diz apontando o pequeno indicador para os vultos de luz.
-E porque você não as tem? – Respondeu o homem olhando de cima a baixo, como em uma sutil provocação.
O garoto olha por sobre os ombros e não vê nada, volta o olhar desapontado ao homem, que sorri com certa doçura, enquanto toca a aba de sua cartola com a ponta de um cetro que até então estava oculto sobre o manto negro.
-Eu… Eu poderia ter asas como as suas? – Disse por fim o garoto com uma ponta de esperança na voz.
-Não, você não pode. – Responde secamente de trás dos fios brancos que suavemente cobrem seu rosto.
Continua o caminhar, o menino seguindo seus passos, olhando para o chão, para a sombra do homem e seus pés, difusos pela luz que sai do manto em suas costas, como se projetadas por algo que não conseguia definir. Por um longo caminho o homem segue seus próprios passos, e o menino quase fica para trás, tropeçando em pedras soltas e levantando as pressas para alcançar seu estranho guia.
-Onde estás a me levar? – pergunta o garoto, um tanto cansado da longa caminhada.
-Para onde deves ir, nem além, nem aquém.
Continuam a caminhada por mais um tempo em silêncio, o menino a observar tudo à sua volta, as sombras, as formas que dançam por entre as pedras no caminho sinuoso que percorre, o céu igualmente negro, de um ar tão melancólico que o deixa desconcertado, partes da paisagem que passam por ele a passos trôpegos por entre as pequenas pedras afiadas. Caminham até um grande lago, tão vasto e negro como o céu do lugar refletindo a paisagem morta como um espelho frio e cruel.
O homem alto caminha até onde a superfície do grande lago beija o solo de pedra e com um leve aceno chama o garoto para perto de si. O pequeno caminha lentamente, está cansado do caminho, com arranhões nas mãozinhas que latejam. Com olhos cansados aproxima-se da água e vê seu reflexo nas águas.
-Woah! – diz ao recuar da beira, recolhendo os braços como se quisesse abraçar a si mesmo, e com um olhar tenta ver por sob o ombro, e novamente nada encontra. Vacilante volta ao reflexo que o lago desdobra por sobre sua superfície. – Co… Como pode? Porque não disseste que eu tinha tantas?
-Porque você não perguntou. – Disse-lhe simplesmente o espírito ao seu lado.
-Mas disseste que eu não poderia ter…
-Justamente. Você não tem uma, nem duas, nem poderias ter estas, apenas.
-Mas… Porque tens duas, e eu tenho tantas? – Confuso, o menino busca um sentido para tudo o que vê.
-Porque assim que deve ser, mas ainda é cedo para isso… Agora devo ir. – Diz olhando em volta, como se à medir o tempo com os olhos.
O menino observa a forma alongada e negra do manto do seu estranho guia.
-Eu… Eu posso te ver de novo? – disse por fim, com certo receio.
-Sim, mas não agora. Estarei aqui quando precisar, é só chamar pelo meu nome.
-És um anjo?
(risos)
-Não da forma como o defines. Sou apenas um Guardião.
-Qual seu nome?
-Meu nome não é importante no momento. Saberás me chamar quando for necessário, quando for a hora certa. Meu nome está onde deve estar. – Diz tocando o peito do menino com terna suavidade com a ponta de seu bastão.
-Até breve – Diz misturando-se à penumbra, até a luz de suas asas desaparecer por completo.
O menino levanta, perguntando-se como poderá encontrar aquela estranha e familiar figura novamente, e vê, onde ele estava momentos antes, uma rosa vermelha num caule com duas folhas, abaixa-se para pegar. Caminha mais adiante com a rosa entre as mãos, até o tronco de uma grande árvore aos pés do lago tão frio e tão calmo. Senta-se encostando-se à velha árvore, sendo dominado pelo cansaço e pelo sono, adormecendo por entre as sombras.
O sol bate à janela, o calor de um novo dia, sua mãe abre as cortinas do quarto para deixar a luz entrar. O menino levanta para ir à escola, não se lembra do que viveu momentos antes, nem se foi sonho ou realidade, apenas sente um doce perfume em seu quarto, que o acompanha até desaparecer e se guardar na lembrança até que o momento certo enfim se aproxime.

Por Taffarel Micaloski (A Valsa das Flores Mortas)

DELÍRIOS NA MADRUGADA


D eixei-me levar em devaneios
E xtasiada pela luz das estrelas
L iberta de todos os preconceitos
I nebriei -me do poetar supremo
R aras belezas contemplando
I ntensificando cada vez mais
O s momentos que tão magnificamente
S enti em minha alma vibrar

N oite incandescente, cheia de mistérios
a povoar minha mente livre de critérios

M e enlevo a confabular com a lua
A musa dos amantes sonhadores
D eixo á ela um pedido singelo…
R ealize meu desejo de poder estar
U m pouco a cada dia mais a sonhar
G uarnecida dos melhores sentimentos
A mor, amizade, harmonia e felicidade
D oando sempre o melhor de mim
A todos os seres desse maravilhoso Universo.

Por Isa Mar

A BRINCADEIRA DO COMPASSO


Três jovens com idade de quinze anos cada um, descobrem em um livro uma brincadeira onde se usa um compasso e um círculo com letras para atrair espíritos e poder prever o futuro. Era década 70 onde muitas coisas novas estavam sendo descobertas. Assim fizeram, Alice, Rogério e Ludmila. Se reuniram na casa de Alice que estaria sozinha em uma noite de luar naquele verão. Sentaram-se na mesa da cozinha, desenharam um círculo em um papel, escreveram as letras do alfabeto acompanhando o desenho e as palavras “Sim” e “Não” nas laterais. Antes de começarem eles conversam e com um pouco de medo se certificam do ato.
Rogério começa, segura o compasso no centro e pergunta se eles podem iniciar as brincadeiras: O compasso gira, gira e cai no Sim. As meninas começam a rir e dizem que ele fez de propósito, mas Rogério jura que não.
Ludmila é a segunda a mexer e pergunta se o espírito que está com eles é homem ou mulher, e mais uma vez o compasso gira mas não aponta para nenhum lugar, ela desiste e passa a vez para Alice que insiste na mesma pergunta mas desta vez eles constatam que quem está com eles é um homem.
Os amigos muitas vezes param e começam a rir um das caras dos outros mas com o passar das horas o assunto vai ficando sério.
Em uma de suas perguntas Rogério questiona o espírito sobre como haveria sido sua morte. A resposta é breve: “Dolorosa” o compasso soletra em suas voltas. Eles cada vez mais vão ficando curiosos, e vão se esquecendo que quanto mais tempo eles segurarem um espírito mais almas poderão ser atraídas para perto deles. Alice faz uma pergunta curiosa e assustadora: “Como era a pessoa que havia matado Paul, como era chamado o homem americano que estava em forma de espírito respondendo as perguntas.”
Letra por letra o compasso roda, e ele descreve como uma pessoa de máscara branca e roupa preta que com uma faca o esquartejou. Alice fica assustada e larga o compasso que misteriosamente faz um pequeno movimento na mesa, mas que ninguém percebe. Já completava duas horas que eles estavam atraíndo espíritos para dentro da casa de Alice. Ludmila começa a duvidar da veracidade do espírito e pede uma prova. O compasso roda, roda, roda e nada acontece quando Ludmila que estava apoiada na mesa acaba escorregando e enfiando a ponta do compasso em sua mão. O corte havia sido bem grande e muito sangue estava na mão esquerda da menina. Os amigos desistem na hora da brincadeira e ajudam a fazer curativos.
O que eles não esperavam era que a maldição estava apenas começando. Um mês depois do susto eles decidem terminar a brincadeira, porque assim como tinham pedido para entrar na brincadeira, com o acidente de Ludmila haviam esquecido de perdir para sair.
Recomeçam o jogo, Rogério pede para que Paul retorne mas não tem resultados o mesmo aconteceu com Alice e com Ludmila foi diferente, Paul retorna e gira o compasso até se formar a palavra “Sorry” onde dizia-se responsável pelo acidente da menina.
Todos ficam aterrorizados e conseguem sair da brincadeira e juram guardar segredo sobre aquilo. Dez anos se passam. Alice, Rogério e Ludmila não se falavam mais devido ao rumo que a vida de cada um havia tomado. Ludmila havia se tornado uma pessoa que se interessava por assuntos místicos e acabou descobrindo que quando uma pessoa é ferida em alguma brincadeira com espírito ela carregaria o mal por toda sua vida. Com isso, começou a buscar ajuda em vários lugares espíritas. Pensando estar livre, segue sua vida com muita felicidade.
Agora nos dias atuais, Ludmila já estava casada e tinha uma filha de 7 anos. Nos últimos meses ela não estava muito bem, na maior parte do tempo sentia-se inquieta e tinha muitas dores na mão onde o compasso havia machucado. Ela já havia deixado o espíritismo de lado, mas volta a pegar seus livros para fazer algum ritual de cura.
Assim em uma noite em que ela estava sozinha, fez várias rezas, sentiu-se mais leve e foi dormir. Seu marido chega por volta das onze horas da noite com sua filha pois haviam ido à uma festinha de aniversário. Ludmila nem percebe e dorme em sono profundo.
Passava das duas da manhã, Ludmila se levanta sem fazer qualquer barulho, parecendo estar com hipnose vai até o escritório da casa pega um estilete e caminha em direção ao quarto de sua filha, entra quieta chega perto da menina. A pega pelo pescoço e com uma força animal a joga contra a porta do quarto, a pequena criança perde a fala e não consegue gritar. O pai dormia profundamente e nada ouviu pois o quarto do casal ficava no andar de cima da casa.
Ludmila ergue o estilete e violentamente ataca sua filha que tenta se defender com a mão mas de que nada adianta.
A criança quase morrendo olha para Ludmila e diz “Mamãe te amo” e caí toda ensangüentada perto da porta de seu quarto que estava com a marca de sua mão.  Ludmila em transe segue para seu quarto com a intensão de matar seu marido, mas desta vez utiliza de uma faca que pegou na cozinha.
Com muito ódio dá um golpe certeiro em seu marido que morre na hora, após isso passa a faca no corpo arrancando toda a pele.
Muito sangue estava na cama, Ludmila muito calma se deita como se nada tivesse acontecido.
Dorme por umas duas horas, o relógio marca quatro da manhã, Ludmila acorda com um barulho, quando olha para seu lado vê muito sangue e seu marido morto, grita desesperadamente e sai correndo pela casa. Quando chega na sala se depara com um vulto de um pessoa alta. Ela se assusta e fica sem reação, aquela coisa se aproxima dela e diz que ela o libertou do mundo dos mortos quando matou seus dois familiares e diz que ele esteve dentro dela desde o dia da brincadeira do compasso onde ela havia se machucado.
Ludmila olha no rosto e nota que possui uma máscara branca, capa preta e uma faca em sua mão, do mesmo modo que o espírito havia contado para eles no dia da brincadeira. Na verdade Paul apenas iludiu os garotos e ele não era uma simples pessoa e sim um dos Demônios das trevas agora livre.
O espírito ficou dentro dela por todos esses anos até achar um modo de sair e ficar livre.
O dêmonio olha para Ludmila e sem piedade enfia a faca em seu olho, a lâmina atravessa e sai do outro lado da cabeça.
E assim como ela fez com seu marido, o espírito fez com ela, arrancou sua pele e com seu sangue, perto de seu corpo escreveu “Sorry”, a mesma palavra que ela viu quando havia se machucado durante a Brincadeira do Compasso.

Por Fernando Loggar

DECLÍNIO DE UM SONHO


Céu negro e infinito
consome o fraco brilho das estrelas.
Lança-as sobre o mar,
destrói suas vidas.O vento forte vem
e parece levar minha alma,
meus sentimentos,
minha existência.Tudo o que sobra é a razão
fria e única,
frágil e imortal,
vagando sozinha pelo nada.

Por Guilherme Gurgel

O CÁLICE DAS ALMAS 3 DE 3 – FINAL


… _ Foi exatamente há cinco anos, o ônibus em que eu viajava, rolou na pista e caiu em um rio. Ainda tentei sair da mata, mas me perdi e vim parar neste lugar. Conheci uma simpática velhinha que me acolheu com carinho, mas ela morreu vítima dessas malditas criaturas. Depois disso, um velho chamado Manuel Braak me chamou para morar aqui… Relatou a nervosa Natália.
_ Maldito! Ele só queria alimentar suas terríveis criaturas. Diz Ruy furioso.
_ Nós temos que sair dessa cidade maluca. Diz Carlos.
Então Natália avisa:
_ Esta cidade é dominada por magia negra, assim como os demônios que nela habitam. Manuel Braak é um poderoso feiticeiro que de alguma forma mantém esta cidade em outra dimensão, através de um cálice que usa para coletar as almas de suas vítimas e transformá-las em demônios. A velha me contou tudo…
_ Talvez se destruirmos o cálice a cidade desapareça e então poderemos voltar para casa. Pondera Ruy.
Os três observam os rituais de Braak então quando ele se afasta, Ruy pega uma poderosa marreta, mas Manuel Braak o vê e invoca suas demoníacas criaturas… Ruy consegue ser mais rápido e acerta o cálice que se quebra em milhões de pedaços. Ouve-se uma terrível explosão, então tudo some: Manuel Braak, as criaturas, assim como toda a cidade, como se tudo não passasse de um sonho ruim.
Sorrindo dirigem-se até a rodovia onde pegam carona com dois simpáticos velhinhos e finalmente voltam para casa.
Por André The Horse