UM BELO PRESENTE DE ANO NOVO


Ontem recebi um belo presente de Ano Novo antecipado. Em rápidas pinceladas, vou explicar o porque de considerar o ocorrido como um autêntico presente de Ano Novo, uma vez que mais ou menos nesta mesma época no ano passado, encontrei casualmente um velho conhecido, que houvera perdido a esposa poucos meses atrás, vítima de câncer.
Ele estava “pra baixo”, na verdadeira acepção da palavra. Desolado, arrastava-se pela rua, ao invés de caminhar. Sentindo seu desânimo, procurei iniciar um bate papo. Ele queixava-se da vida, de Deus, de tudo. Dizia que não conseguia tirar da cabeça o sofrimento que a doença causara em sua amada esposa. Estava realmente arrasado. Permiti-me dar uma sugestão. Como ele aceitou, principiei dizendo que achava que, ao invés de ficar relembrando os meses de sofrimento, que procurasse mudar o pensamento. Sempre que essa nuvens negras viessem toldar-lhe as idéias, que ele procurasse desviar o pensamento, procurando sempre se lembrar, isto sim, dos momentos felizes que tiveram juntos, e foram tantos, que poderiam perfeitamente mudar o rumo de suas idéias. Que procurasse fazer, embora sozinho, as coisas que gostavam de fazer juntos. Sem dúvida as boas lembranças iriam fazê-lo sentir a presença querida ao lado. Enfim, que procurasse sempre se lembrar das coisas boas passadas juntos, procurando as alegrias e nunca as tristezas.
Ele me olhou fixamente, e disse que, com certeza iria tentar, pois eu fora a primeira pessoa que não dissera a ele para que se esquecesse da esposa, como se isso fosse possível, como se fosse possível varrer das lembranças quem muito amamos. É realmente impossível.
Como disse no começo, só ontem é que voltei a encontrá-lo, e tive o grande prazer de ver em seus olhos o brilho de antigamente. E foi aí que ganhei meu presente de Ano Novo.
Disse-me que havia “encaixado” minha sugestão e começara a mudar o rumo dos pensamentos.
Já no almoço de Natal, quando os filhos e netos chegaram à sua casa, esperando encontrá-lo arrasado, ele os surpreendeu, com a casa toda decorada, como ele e a esposa sempre houveram feito. Recebeu os filhos com muita serenidade, e disse que iriam ter um Natal “como os de antigamente”, cheio de recordações alegres de momentos felizes. Disse, inclusive, que no consenso geral, foi “o melhor Natal de todos”, e ele enfim, recomeçou a viver.
Então amigos, foi ou não um ENORME presente de Ano Novo antecipado que recebi?
Saber que colaborei para o reviver de um amigo, deixou meu coração enorme.
Só posso agradecer ao Amigão o fato de ter colocado as palavras certas no momento certo e, principalmente, o fato desse meu amigo ter entendido o sentido dessas palavras.
Realmente, ganhei um baita presente de Ano Novo.
Para isso servem as boas recordações dos momentos bem vividos, para nos mostrar que a vida tem muitas alegrias, e é nelas que nos devemos apoiar quando
alguma tristeza começar a toldar nossa mente, e assim, sempre termos UM LINDO DIA…

Por Marcial Salaverry

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PRESENTE DE NATAL


Era dezembro de mil novecentos e setenta, última semana antes do natal, toda a cidade de Fortaleza estava tomada pelo espírito natalino. Árvores de natal, vitrines decoradas com presépios, reis magos, estrelas e todo tipo de alusão ao natal. A cidade estava alegre e saltitante, o povo feliz e sorridente, todos esperando a grande data. Um rosto triste se destacava nessa euforia natalina. Era Leinad Azuif, um jovem ainda na flor da sua juventude; Ele trabalhava numa livraria e já ocupava o cargo de gerente, ganhava um bom salário e não tinha nenhum motivo para estar triste. Mas estava, muito triste, uma tristeza de se notar de longe. Dona Francisca Macedo, uma senhora viúva, distinta e chic, além de muito rica. Era uma das melhores freguesa da livraria, não ficava uma semana sem passar por lá e comprar vários livros. Fazia questão de ser atendida por Leinad, não só pela gentileza do seu atendimento, mas também por seus conhecimentos literários. Ela ficava horas conversando com o moço e só depois de muitos assuntos é que escolhia os livros que ia comprar. Leinad tinha muitos amigos, muitas garotas e toda uma vida pela frente, mas se encontrava naquele estado lastimável de melancolia. O motivo não era outro senão saudade, ele estava morrendo de saudade da família, foi o único membro da família que ficou em Fortaleza, todos os outros haviam emigrado para São Paulo. Leinad sempre foi muito ligado à família, e aquele seria o primeiro natal que ele passaria sozinho sem a mãe e os irmãos. Seu pai já havia falecido há muitos anos atrás. Dona Francisca havia enviuvado há mais de dez anos, devia ter cinqüenta anos, mas aparentava ter somente quarenta, era muito bem cuidada, se vestia elegantemente e tinha um porte físico exuberante. Era dama da alta sociedade, vira e mexe aparecia nas colunas sociais dos melhores jornais.

Naquele dia que antecedeu a véspera do natal, dona Francisca passou na livraria para comprar alguns livros e levar uma lembrancinha para Leinad, logo que chegou já notou a tristeza do rapaz.

– Você está com algum problema? Ela perguntou preocupada.

– Coisa minha, coisa à-toa. Respondeu Leinad.

– Posso ajudar em alguma coisa? Perguntou dona Francisca com ar maternal.

– Não sei… Acho difícil! Respondeu cabisbaixo.

– Vamos tomar um lanchinho aqui perto? Assim você pode se abrir comigo e se aliviar dessa angustia. Falou num tom imperativo.

– Ta bom, vamos sim! Mas acho muito difícil a senhora resolver meu problema.

Já na lanchonete, Leinad, relatou para dona Francisca todo seu tormento, a sua imensa saudade da família. E salientou que não tinha lugar para passar o natal. Desabafando ainda: leinad contou que todos os natais eram iguais para ele, disse que na casa dele nunca teve uma mesa farta no natal, era um dia comum como qualquer outro. E que tinha recordações tristes da sua infância na época do natal. Nunca tinha ganhado nenhum presente que desejava ganhar. Sua família era pobre, só ganhava brinquedos usados dos primos mais abastados, refugos de outros natais. Mas agora era diferente, além dessas recordações tristes, não teria também a presença da mãe e dos seus irmãos. Ás lágrimas rolaram na face de dona Francisca.

– Não queria fazer a senhora chorar, dona Francisca. Falou Leinad.

– Por favor, não me chame de dona Francisca, detesto esse nome. Retrucou enxugando as lágrimas num lencinho imaculadamente branco.

– Me chama de Ciça, por favor, só ciça.

Passada a emoção da revelação, já quase no fim do lanchinho, dona Francisca perguntou para Leinad:

– Quer passar o natal na minha casa?

– Na sua casa? Falou assustado.

– Sim, quer ir?

– Mas não conheço ninguém! Vou ficar sem jeito por lá.

– Pode ficar tranqüilo, eu, estarei sempre do seu lado, te farei companhia o tempo todo! Falou enfática.

Depois de muita insistência Leinad acabou aceitando o gentil convite.

– O.k. Ciça, eu irei.

Ciça escreveu no guardanapo de papel o seguinte: Av. Monsenhor Tabosa, 2034 – Aldeóta. – natal de 1970 – chegar após ás 23 horas – Ciça.

Ao chegar naquele endereço ele ficou impressionado com o tamanho da casa, aquilo nem era casa, era uma imensa mansão. Tocou a campainha. A própria Ciça veio recebê-lo Leinad estranhou que uma mansão daquelas não tivesse um porteiro ou mordomo para atende a porta. Ciça parecia que adivinhava seus pensamentos.

– Entre, disse ela. – Dei folga á todos os empregados para que pudessem passar o natal com suas famílias.

Na beira da piscina havia uma grande mesa, forrada com uma toalha branca de linho, repleta de comidas e bebidas de todos os tipos, e ao redor da piscina e nas árvores uma discreta decoração natalina.

– Onde estão os outros convidados? Perguntou Leinad.

– Não há outros convidados! Respondeu Ciça. – Somente eu e você.

Ciça explicou que os dois filho dela nunca passavam o natal com ela, eles sempre viajavam para a Europa nessa época do ano e levavam os netos também. Meia noite, Leinad entregou timidamente Seu presente. Ciça abriu, era um livro. (Eros e a civilização de Herbert Marcuse). Ciça adorou o presente, pois procurava por esse livro fazia tempo, mas como era muito vendido andava em falta.

– O seu presente é surpresa, Falou Ciça. Pegou Leinad pela mão e foi caminhando para dentro da casa, na direção do seu quarto. Dentro do quarto ela disse:

– Aguarde um momentinho aqui que vou buscar seu presente, será uma surpresa. Leinad Ficou realmente surpreso ao ver Ciça totalmente embrulhada em papel de presente, com uma grande fita de seda azul, formando um grande laço na cintura.

– Eu sou o seu presente. Disse Ciça sorrindo.

– Que belo presente!

Depois daquele feliz natal, e do maravilhoso presente que Ganhou, Leinad ainda viveria o amor com Ciça por um ano e meio. Depois viajou para São Paulo e nunca mais teve notícia daquela extraordinária mulher.

Um pequeno trecho foi suprimido para adaptar-se mais como conto de Natal, mas se você quiser ver o texto original do autor Daniel Fiuza, clique aqui

Por Daniel Fiuza

AMIZADE


Chovia, mas não tão intensamente quanto o dia anterior.

     Quando a ambulância adentrou o pátio, ele ainda estava desacordado. Ao ser retirado do veículo, foi possível observar sua cabeça ainda enfaixada. Na lateral da ambulância havia o logotipo do hospital de pronto socorro da cidade. Bem, mas o qual seria o motivo de um paciente proveniente de um pronto socorro estaria fazendo em um sanatório? Existem múltiplas respostas, porém esse caso requer um relato mais específico justamente por sua específica, se não absurda, situação.

     Ao acordar, o que nos pareceu foi que o rapaz não aparentava um estado para estar no local onde se encontrava, ou seja, aparentava sanidade, mas por pouco tempo. O que se viu nos poucos dias seguintes de sua estadia, foram ataques de desespero em cadeia em que o indivíduo gritava que queria sair dali a todo custo pois existia alguém que o estava perseguindo pra matá-lo. Quem seria?

     O rapaz foi diagnosticado com um caso crônico de dupla personalidade, e justamente a sua segunda personalidade o procurava para assassiná-lo. Antes de dizer que isso é loucura, lembre-se de qual local estamos falando! O problema era que ele imaginava que sua segunda personalidade era uma pessoa fora do seu corpo, com existência material independente, era o seu melhor amigo. O motivo da perseguição, segundo o rapaz, era que o mesmo teria tomado a namorada da sua outra faceta o que acarretou a ira assassina. Os vizinhos do apartamento onde residia o rapaz começaram a perceber barulhos estranhos e conversas entre duas pessoas do sexo masculino.

     A namorada não mais era vista, por motivos óbvios, já que as constantes mudanças do rapaz a fizeram recuar no relacionamento, razão pela qual a mesma também foi jurada de morte, não pelo rapaz e sim pelo seu “amigo”. Discussões e mais discussões eram ouvidas. Até que em certo dia, gritos e ruídos de objetos sendo quebrados foram ouvidos seguidos de um silêncio. Os moradores acharam por bem, depois de várias tentativas infrutíferas de chamar pelo nome do morador, arrombar a porta. Ao fazê-lo encontraram o corpo do homem jogado ao chão envolto a uma poça de sangue que saía de sua cabeça. Junto ao seu corpo, foi encontrado um bastão de madeira quebrado que certamente foi utilizado para causar o ferimento.

     A polícia foi chamada, mas não obteve sucesso imediato na elucidação do caso, pois a única coisa estranha foi a janela aberta com marcas de digitais que, assim como as que foram encontradas no bastão, continham as da própria vítima, o que deu o caso como encerrado.

     Encerrado, mas reaberto. Reaberto por uma razão inimaginável ao nosso bom-senso. O que vamos relatar brevemente é algo que ultrapassa as barreiras do real como o conhecemos.

     A constância com que o paciente ficava agitado deixando transparecer pavor de seus olhos era imensa. Esperneava para que não o deixassem sozinho, que deviam procurar sua namorada etc. Tudo aos berros! Os dias transcorriam, até que em um fatídico dia, ainda cedo (não eram nem 21:00), gritos foram ouvidos oriundos do quarto do rapaz. Gritos indescritíveis que nos fazem tremer só de lembrar…

     Correram todos para o quarto, arrombaram a porta e o que encontraram não é digno de ser descrito em pormenores. O que podemos dizer é que o que conhecíamos como o rapaz, não passava de peças de um quebra-cabeça impossível de ser montado ou remontado. Na nossa concepção, nem um PhD. em Anatomia Humana teria vida fácil em identificar as partes corporais de nosso paciente. Certo, estranho não? Bizarro não? Mas ficou mais estranho quando deram por falta de uma simples parte, simples parte que conhecemos como coração. Todos ficaram abismados, pois ninguém entrou ou saiu do quarto, ou seja, seria impossível alguém ter entrado, ter assassinado o rapaz (assassinado?) e ainda levar o coração.

     Pois bem amigos, o certo foi que a polícia não quis meter-se muito nos meandros do caso (superstição talvez) e praticamente deixaram por isso mesmo. É, mas dois dias após tudo veio à tona novamente, todos não acreditaram na manchete do principal jornal da cidade que fazia alusão ao assassinato de uma moça. Assassinatos ocorrem a todo o momento, todos sabemos, porém este, meu caros, nos deixou pasmos e temerosos, pois a vítima foi encontrada em retalhos igual ao nosso “amigo” e igualmente sem coração. Estava sem o coração, porém o mesmo foi facilmente encontrado, estava pendurado no ventilador de teto do quarto da moça. Sim, estava pendurado. Pendurado e amarrado a outro coração…Temos a leve impressão de que não precisamos dizer a quem pertencia o outros coração, só sabemos que todos aqui começaram a dar mais apreço por suas amizades…

Por Marcone Mendes

SOBREVIVENTES – CAP. 05


– Eu já disse que não sei! – gritou Amanda irritada – E também não sou traficante!
– Então como explica esta pistola? – questionou Fábio apontando para a pistola no colo da garota.
– Eu já disse que essa pistola é do meu marido! – admitiu.
– Mas onde está sua aliança? – perguntou Wilson cerrando os olhos – E pode esquecer essa conversa da pistola. Eu já analisei-a e pertence ao serviço secreto.
– Serviço secreto? Você deve estar louco! – ressaltou Amanda jogando a pistola no chão.
– Você não me engana – Wilson retirou sua credencial do bolso – Eu sou policial.
Amanda engoliu a saliva.
– Agora eu não entendi mais nada – confessou Henrique – Por que o serviço secreto estaria interessado no transatlântico?
– Talvez não fosse o transatlântico – comentou Fábio analisando a pistola – Creio que estavam atrás de the books on the table.
Henrique e Wilson olharam-o estranhando a atitude.
– Livros sobre a mesa? – questionou Wilson.
– Você é policial e nunca ouviu falar de código de emergência? – explicou Fábio entregando a pistola para Wilson – Um livro contêm, muitas vezes, documentos importantes. Mesa significa estabilidade, ou seja, esses caras do serviço secreto estão atrás de algo que não parece importante, mas é.
– Caraca, do que você trabalha? – perguntou Henrique curioso.
Fábio permaneceu calado sorrindo.
– Está bem – afirmou por fim Amanda – Sou uma agente do serviço secreto e a minha missão era capturar um psicopata assassino que conhecemos como retalhador.
– Retalhador? – perguntou Henrique apreensivo – Se me lembro bem, não era aquele cientista que queria descobrir o que acontece após a morte?
– Esse mesmo – concordou a agente – Ninguém desconfiava de nada, pois ele era até casado e vivia uma vida normal. Mas, sua esposa desconfiou de alguns documentos que encontrou em seu computador e o levou para um psicólogo onde descobriram que ele tem bipolaridade.
– Bipolaridade? Por que não falam logo dupla personalidade? Vocês gostam de enfeitar – resmungou Fábio inconformado.
– Pelo que sei, foi ai que descobriram que ele colecionava órgãos em seu porão e estes órgãos pertenciam a prostitutas, gays, pedófilos não declarados, ladrões de meia tigela e encrenqueiros – comentou Henrique passando a mão no topete.
– Mais de vinte corpos num porão – confessou Amanda – Mas, quando foi descoberto, ele fugiu deixando rastros e mais rastros de massacres. Mudou de aparência umas cinco vezes e a última informação foi que, ele embarcaria no transatlântico Jersey.
– Mas que droga! – resmungou Fábio – Estávamos o tempo todo do lado de um psicopata!
– Isso explica o corpo que encontrei antes do transatlântico explodir – declarou Wilson intrigado.
– A minha missão era entrar, neutralizar e levá-lo – admitiu Amanda cruzando os braços.
– Será que ele morreu na explosão? – questionou Henrique.
Todos permaneceram calados por um instante. A ideia de estar num lugar desconhecido na companhia de um assassino não lhes parecia bem.
***
A escuridão invadia a praia, enquanto Ricardo, Wellington, Weverton, Nicolas e Rodolfo montavam cabanas improvisadas e acendiam fogueiras.
Thais e Eloísa estavam comendo algumas coisas que Ricardo havia trazido.
– Eu preciso de um banho urgente – confessou Eloísa mexendo no cabelo.
– Amanhã o resgate chegará e nós voltaremos às nossas férias.
Mas, para espanto delas, um grito ecoou floresta adentro.
Os rapazes se espantaram deixando para trás seus afazeres.
– O que foi isso? – questionou Thais assustada.
– Parecia um grito de mulher – comentou Wéverton.
– Algo me diz que isso não é um bom sinal – admitiu Wellington coçando os braços.
Nicolas e Rodolfo se entreolharam.
Outro grito soou mais alto confirmando o que Wéverton comentara. Era um grito de mulher.
– O que vamos fazer? – questionou Eloísa com os olhos cheios de perturbação.
– Eu não vou entrar nesta floresta! – confessou Thais se afastando.
– O que está acontecendo? – perguntou Fábio saindo da cabana seguido pelos outros.
Sem nada dizer, Ricardo correu até uma fogueira e pegou uma madeira usando com tocha.
– Espera ai, você vai entrar nesta floresta? – Thais correu até ele.
– Não se preocupe, eu fui do exército e conheço terrenos como este – explicou Ricardo.
– Eu vou com você – disse Fábio com uma tocha nas mãos.
– Vocês são loucos? – dizia Thais sem ser notada.
– Alguém mais sabe alguma coisa sobre andar na floresta de noite? – perguntou Ricardo.
– Eu sei – falou Wellington se aproximando – Eu era pesquisador e simbolista.
– Seu sobrenome não é Langdon, ou é? – caçoou Fábio.
– Vamos fazer o seguinte – sugeriu Ricardo – Ficaremos com dois grupos, assim a chance de achar vai ser maior.
Assim, dois grupos foram divididos. Ricardo, Fábio e Rodolfo seguiram por um lado. Wellington, Wéverton, Henrique e Nicolas seguiram por outro. Wilson ficou com as garotas, caso algo viesse a acontecer.
Logo, o grupo liderado por Ricardo achou vestígios de pegadas. Embora os gritos tivessem parado e a escuridão da floresta estivesse densa, um forte cheiro de perfume francês pairava no ar.
– Ela está aqui – afirmou Ricardo andando com cautela.
– Como assim está aqui? – questionou Rodolfo iluminando o seu redor.
Neste momento, ele enxergou um lacinho de cabelo no chão.
– Parece que você está certo.
Rodolfo se preparou para se virar, mas Fábio o deteve.
– O que está acontecendo? – perguntou o rapaz assustado.
– É bom tomar cuidado brother.
Dizendo isto, Fábio apontou para uma linha presa entre duas árvores.
– Rápido! Me ajudem aqui! – gritou Ricardo olhando para cima.
Foi então que os dois enxergaram, presa numa rede de pesca, uma jovem de cabelos negros com mechas loiras vestindo uma blusa rasgada e apenas um tênis desbotado.
– Venham, vamos tirá-la daqui – chamou Ricardo cravando sua tocha no chão.
***
– Deveríamos voltar, os gritos pararam – sugeriu Nicolas com os olhos cheios de medo.
Neste instante, Wellington apontou para um estranho símbolo na árvore.
– Mas… é uma caveira – disse Wéverton assustado.
Henrique se aproximou. Passou o dedo no desenho.
– É recente – afirmou – Talvez tenha sido feita três horas atrás.
– E aquilo, há quanto tempo foi feito? – questinou Nicolas apontando para frente.
Havia um corpo encravado numa estaca perfurado por agulhas.
Eles olhavam atônitos para a cena enquanto uma coruja rugia perto do corpo.
– Essa não… – resmungou Henrique – Só espero que ele não tenha descoberto que estamos aqui.
– Quem? – perguntou Wéverton.
Henrique suspirou fundo antes de continuar:
– O retalhador.

CONTINUA…

Por Naor Willians

SOBREVIVENTES – CAP. 04


DIA 25 DE JANEIRO. ALGUNS MINUTOS ANTES DO INCIDENTE…

Amanda Murielli agarrou firme a sua pistola silenciosa enquanto esperava que o pequeno avião em que estava chegasse ao seu destino.
O homem negro à sua frente estava falando sobre a missão. Era o capitão.
– Lembre-se, o alvo é perigoso. Soubemos que já massacrou mais de trinta pessoas. Precisamos detê-lo antes que o transatlântico chegue ao porto.
– Pode deixar comigo senhor – afirmou ela – Vou entrar, achar o alvo, cumprir a missão e voltar antes que percebam que eu entrei.
– E não se esqueça de que, se for capturada você nunca trabalhou para o serviço secreto.
A garota de cabelos negros balançou a cabeça afirmativamente.
– Estamos sobre o alvo – disse o piloto.
O avião era pequeno. E somente um homem era o necessário para pilotá-lo.
O capitão checou o pará-quedas nas costas da garota. E depois deu dois tapinhas nas costas dela.
– Estaremos sobrevoando o transatlântico novamente daqui à dez minutos. Se você não estiver aqui neste momento, iremos embora sem você.
Embora achasse as leis um pouco rígidas, Amanda sabia que tudo aquilo a manteria salva e também manteria o sigilo da agência.
Ela se aproximou da porta para pular. No entanto, estranhou quando viu dois homens armados no telhado da cabine de comando.
Um som de um tiro alertou o capitão que correu até a porta.
– Mas o que está acontecendo? – questionou espantado.
– Parece um assalto – comentou Amanda paralisada.
– Abortar missão piloto! Devemos ir embora! – ordenou o capitão.
Porém, neste momento, a parte de trás do transatlântico explodiu violentamente. Um pedaço de uma das hélices dele voou e decepou a cabeça do capitão deixando Amanda em estado de choque por um instante.
– Capitão!!! – gritou vendo o corpo caindo.
Um alarme começou a soar dentro do avião. O piloto começou a gritar em desespero:
– Essa não! Fomos atingidos! Nós vamos cair! Droga!
Amanda foi arremessada com violência contra o teto do avião. Com dificuldade se aproximou do piloto. Mas ficou surpresa quando ele agarrou-a tentando retirar seu pará-quedas.
– O que está fazendo? – disse ela resistindo à ele.
– Aqui só tem um pará-quedas e será meu! – exclamou ele desferindo um soco violento na garota.
Amanda caiu no chão. O piloto se aproximou, entretanto, a pressão de ar vinda de fora acabou por sugá-lo. Ela apenas ouviu seu grito sumindo no ar.
A garota procurou algo para se segurar. Sua mão passou pelo vazio.
Amanda voou céu abaixo sendo sugada para uma floresta. Rapidamente, a garota abriu o pará-quedas que pôde então evitar uma queda mortal.
Após alguns minutos, ela já estava pendurada pelo pé num galho de árvore.
***
DIA 25 DE JANEIRO. DUAS HORAS APÓS O INCIDENTE…

Amanda acordou suspirando rápido. Olhou para o lado e viu três homens conversando. Ela estava em cima de um colchão dentro de uma cabana improvisada com paus, panos e palha. Sentiu sua barriga roncar, faziam mais de cinco horas que ela não comia nada.
– Olá, meu nome é Henrique – cumprimentou um deles – Como está se sentindo?
– Um pouco zonza – admitiu – E com muita fome. O que foi que aconteceu?
– O transatlântico explodiu – disse Fábio – Parece que ocorreu algum tipo de turbulência nos motores.
Amanda recordou da explosão que matara seu capitão.
– Ah! Claro que sim! Foi um surto, eu estava no meu quarto quando ouviu uns estrondos – explicou ela – Sai para o corredor e tinham muitas pessoas correndo dizendo que estava tudo explodindo. Mas, quando fui tentar correr o chão desabou e eu desmaiei. Só me lembro de quando acordei pendurada na árvore.
– O que eu acho mais intrigante – explanou Wilson, que era o terceiro e último residente na cabana – É como você foi parar em cima daquela árvore numa explosão marítima.
Amanda tentou disfarçar sua agitação ao ouvir a declaração de Wilson.
– Como eu disse, nem eu mesma sei como fui parar naquela árvore, porque eu desmaiei – afirmou sorrindo.
– Tem certeza de que foi isso mesmo que aconteceu? – questionou Fábio olhando-a desconfiado.
– Por que estão fazendo essas perguntas?! O que vocês querem de mim?! – gritou desesperada – Eu disse a verdade! Eu disse a verdade!
– Estamos perguntando porque isso caiu da cintura quando você despencou da árvore.
Dizendo isso, Wilson jogou a pistola no colo de Amanda. A garota sentiu seu coração disparar e começou a tremer.
– Não é hora de meter o louco – advertiu Henrique – Conte a verdade! Você é uma das traficantes que assaltaram o transatlântico, não é?!
***
Eloísa e Thais estavam sentadas à beira da praia comendo o que haviam encontrado numa velha geladeira.
– Espero que o resgate venha logo – admitiu Eloísa suspirando fundo.
– Eu não vejo a hora de tomar um banho – ressaltou Thais afundando os pés na areia.
Wellington e Weverton se aproximaram delas neste momento.
– Podemos nos sentar ao lado de vocês? – perguntou.
As duas sorriram balançando a cabeça positivamente.
– E como está a garota que caiu da árvore?
–  Ela está bem. Sofreu uma leve lesão na cabeça, mas ela vai ficar bem – explicou Wéverton.
– Você é médico?- perguntou Thais.
– Digamos que sim – respondeu ele – Estava no último ano de medicina.
– Sempre achei essa área muito complicada – ressaltou a garota.
– Nada na vida é fácil. O que realmente motiva as pessoas é um objetivo. Se você tem um objetivo então estará motivado a seguir seu caminho.
– Vai com calma sr. Darwin – brincou Wellington.
Todos eles riram. Depois ficaram algum tempo fitando o horizonte. Na esperança de que algo pudesse aparecer para salvá-los.
***
Nicolas continuava fazendo gestos.
Só então, Rodolfo notou uma sombra enorme às suas costas. O rapaz caiu no chão assustado enxergando a sombra se aproximar.
– Corre Rodolfo! – gritava Nicolas em desespero.
Porém, para a surpresa de ambos, quem saiu da mata foi Ricardo com uma cesta de frutas nas costas.
– Ah! São vocês?! – questinou Ricardo rindo.
Rodolfo se levantou limpando a roupa enquanto Nicolas chegava ao chão.
– Cara, quase você matou a gente de susto – comentou Nicolas.
-É que eu vi sons no mato e resolvi investigar – explicou Ricardo.
– Por um instante, eu pensei que você fosse o Jason – disse Rodolfo – E pensei que estivessémos perdidos em Crystal Lake!
Nicolas e Ricardo riram.
– Acho bom a gente voltar para a praia – sugeriu Ricardo – Está anoitecendo e não é bom ficar rondando esse lugar de noite.
Os três concordaram e partiram de volta para a praia.

 

Por Naor Willians

VEM AÍ: SOBREVIVENTES


Olá leitores

Tenho uma grande novidade para vocês. Eu e o dono do blog LBN, Naor Willians estamos escrevendo juntos uma história completamente diferente das que geralmente escrevemos.

Na verdade essa história é mais um conto que pode virar série. Dependendo da aceitação pública, poderemos manter como série, assim como Castle Rock, OS DETETIVES etc.

A previsão de estréia é na próxima segunda- feira, portanto aguardem.

O tema da série é  um desastre em um transatlântico onde as pessoas que se salvaram terão aque conseguir sobreviver  e viver muitas intrigas, se salvar de perigos e tentar voltar para casa, mas eu posso dar a certeza para vocês que eles vão passar por maus bocados… e bons também.

Então fique de olho!

Alci Santos – Editor

DIANA – PARTE 6 DE 6 – FINAL


Tempos depois recebia Alberto na corte a terceira carta de Luís.

Luís a Alberto. — Esta carta há de chegar às tuas mãos poucos dias antes de mim. Estou em Porto Alegre em preparativos de viagem.

Podia guardar-me para contar-te de viva voz tudo o que me acontecesse depois da última que te escrevi (há um século?), mas prefiro dar-te já a grande notícia.

Naturalmente supões que vou chegar à corte casado com a bela Diana? Engano positivo; vou solteiro, como vim. E vou explicar-te a razão.

Tive ocasião de ver à luz do sol a mulher que eu só vira ao clarão da lua ou das velas da sala. Que abismo entre ambas! Passei do anjo ao dragão! A mulher era feia como um demônio; a noite e a tinta eram a solução daquela charada viva. Dei graças a Deus quando fiz a descoberta.

À vista te contarei mais detalhadamente o episódio desta descoberta, que só difere de Colombo em não ser de um novo mundo, mas de um velho mundo.

Desenganado dos meus amores, decidi partir para Pelotas.

Este episódio não é menos interessante. Ouve-me.

Cheguei a Pelotas e foi examinar a casa que há cinco anos não recebia um bocado de ar. Foram precisos alguns dias para que pudesse deixar entrar lá alguém.

Quando ficou em estado de receber-me, lá fui com o meu criado, e preparei tudo para proceder ao exame necessário.

Tive o cuidado de consultar as paredes para ver se eram ocas e podiam, portanto, encerrar alguma coisa que constituísse o segredo de que falava meu padrinho.

Nada.

Marquei um dia e começamos os nossos trabalhos.

Virei e revirei a casa. Comecei por escavar o chão, mas depois de pesados trabalhos consegui a certeza de que no chão não havia segredo de qualidade alguma.

Passei às paredes, porque, apesar do exame a que procedera de começo, podia haver algum ponto em que estivesse o tal segredo; mas qual!

Supus até que o segredo se achasse na parte da parede onde se achava pendurado um retrato a óleo de meu padrinho. Nada havia.

Fui ao teto; fiz arrancar tábua por tábua, e depois de longos dias de exame nada encontrei.

Em resumo, nem as paredes, nem o chão, nem o teto, nem o quintal, em parte alguma encontrei o segredo de meu padrinho.

Então uma idéia dolorosa assaltou-me o espírito. Meu padrinho era excêntrico; ora, quem sabe se a maior excentricidade dele não seria a de me fazer procurar em vão um segredo imaginário, até convencer-me de que não valia a pena procurá-lo para receber um bocado de dinheiro?

Isto era muito provável e eu senti-me abalado com esta idéia.

Mas, passado o primeiro abalo, voltei de novo às minhas pesquisas. Esmerilhei, foi tudo vão.

Confesso que tive um acesso de matar-me.

Entretanto, era verdade; nada tinha encontrado; o segredo do meu padrinho fora uma brincadeira. Como ele se havia de rir naquele momento na eternidade!

Determinei voltar logo e logo para Porto Alegre, disposto a não receber nada e a voltar para a corte, a fim de começar de novo a vida de advogado.

Na ocasião em que arranjávamos as malas, vi que entre os objetos que o meu criado enrolava existia o retrato de meu padrinho.

— Para que trouxeste isso? perguntei eu.

— Eu mesmo não sei, disse o criado.

Tive então uma idéia, súbita.

Tomei o quadro das mãos do criado, e, com o auxilio de uma faca, destas de que usam os guascas, abri o quadro.

Caiu de dentro um papel dobrado.

Apanhei o papel com a mão trêmula.

Seria aquele o segredo?

Abri o papel e pude ler a custo as letras apagadas pelo tempo.

Queres saber o que dizia o papel?

Lê:

Conselho a meu afilhado. — Nunca te fies em aparências.

Se eu tivesse o segredo antes de ver Diana!…

Enfim estou hoje de posse de uma fortuna e de uma lição que me custaram alguma coisa.

Até breve!

Por Machado de Assis