O BEBÊ – PARTE 5 DE 5


Na alegria de ver o rosto de Lídia na porta, Maurício tinha esquecido tudo sobre a sua missão em nome do Papa. A lembrança repentina umedecido seu bom humor.

– Eu vim aqui para te dar isso, ele estendeu a pasta. Ele contém informações úteis e cupons em coisas como fraldas, fórmula, e …. Maurício não podia continuar. Ele não queria continuar a farsa tola, não com a mulher que ele amava.

– Eu vim para ver o bebê.

Ele não ofereceu qualquer explicação adicional, e Lídia não fez nenhuma pergunta.

– Eu vou pegar ele , ela disse simplesmente.

Enquanto a mãe estava fora da sala, o Padre, pensou o seu dever. Por que ele estava viajando por todo o mundo, olhando dezenas de crianças normais, na esperança de encontrar o anticristo? Por que o Papa acreditara na palavra do padre Matolli, um homem já bem avançado em sua idade, que pode até não estar em seu juízo perfeito? O Anticristo, de fato! Viver na Rua Aprazível, em Marblehead?
– Aqui está ele,  Lídia anunciou com orgulho maternal e carinho. Meu pequeno homem.

Maurício voltou-se e sentiu como se o ar tivesse sido sugado para fora do peito com os olhos do bebê que parecia olhar para sua alma.

– Ele é um menino tão de bom, Lídia arrulhou, alegremente ignorante da verdadeira identidade de seu filho. Ele quase nunca chora.

– Sim”, o padre concordou. Ele é um menino extraordinário.

– Eu apenas gostaria que seu pai poderia ter vivido para vê-lo, disse a mãe, lutando contra as lágrimas.
Maurício sabia que ele deveria oferecer algumas palavras de conforto para a viúva, mas no momento ele estava lutando contra seus próprios demônios. Ele estava certo de que o bebê de Lídia era o que sua Igreja buscava: o Anticristo, a criança foi enviado para destruir.

– Gostaria de segurá-lo? a mãe pediu e colocou o bebê nos braços do padre, sem esperar por uma resposta.
Um choque físico reverberou através do corpo de Maurício. Ele estava segurando o filho de Satanás. Ele queria dar a criança de volta para Lídia, mas quando a viu olhando para seu filho com amor, seu coração quase estourou. E se ele tivesse tido a sorte de ganhar o seu amor, enquanto ele estava na faculdade? E se ela tivesse casado com ele em vez do namorado de Pernambuco? Teria ele olhado para a criança como seu próprio filho? Os olhos penetrantes minúsculo que nunca tinha olhado para longe do rosto do padre, de repente amaciado. O bebê boceja e parecia sorrir.

O Bispo Maurício Cooperfield olhou a criança com a mãe e sabia que ele nunca seria capaz de realizar sua tarefa atribuída.

– Eu não posso matar essa criança”, pensou desesperadamente. Se as coisas tivessem sido diferentes, ele poderia ter sido o MEU filho.

– Acho que ele está dormindo, disse Maurício e gentilmente deu a criança de volta à sua mãe.
– Vou colocá-lo em seu berço.

Quando voltou, Lídia Morrissey convidou seu velho amigo para ficar para jantar.

– Eu adoraria, respondeu ele, mas eu não posso. tenho que ir para Vermont e, em seguida, para o Maine.

– Talvez alguma outra hora então.

– Eu gostaria que isso. gostaria de manter contato com você… e fique de olho no seu menino.

Uma semana mais tarde o Bispo Cooperfield retornou a Roma. Quando ele foi mostrado no estudo do Papa, ele colocou um atestado de óbito na mesa em frente ao Padre Matolli. A criança em questão, Jacó Kinney de Seattle, Washington, tinha defeitos de nascimento múltiplo e não tinha sido previsto uma vida longa. Em antecipação da morte da criança, não só Maurício desviava a atenção da criança de Lídia, mas ele também tinha realizado um ato de misericórdia.

– Tem a certeza este é o único?  O padre Matolli perguntou.

– Estou otimista, Maurício mentiu de forma convincente. Tanto o papa e o padre idoso suspirou de alívio.

– Mais uma vez você tem servido a Igreja Matriz bem, disse o papa. Talvez haja algo que eu possa fazer para mostrar minha gratidão? O batimento cardíaco de Maurício acelerou. Queria pedir para ser transferido para a Arquidiocese de Boston, onde ele poderia estar perto de Lídia e seu filho, mas ele sabiamente vetou a idéia.

– Só peço a permanecer no seu serviço, Sua Santidade.

– Você deve, disse o Papa, e com um aceno de cabeça indicou que a audiência estava terminada.

Maurício Cooperfield continuou a servir o Papa com o melhor de sua capacidade, e dentro de um ano foi nomeado para o Colégio dos Cardeais. Quando ele viu a esquadria vermelho na cabeça, ele sentiu uma onda momentânea de orgulho por estar a um passo de se tornar o primeiro brasileiro Papa. Então  rapidamente lembrou a importância da sua nomeação, e seu orgulho deu lugar à humildade. Ele ainda se esforçou para se tornar o sumo pontífice, mas fê-lo não por ambição vã, mas como uma maneira de servir a seu novo dono: a criança nascida de Lídia Morrissey, o rapaz pensou em como seu próprio filho. Para que melhor maneira que ele poderia mostrar seu amor para a criança que entregar a Igreja Católica em suas mãos?

Por Alci Santos

Anúncios

O BEBÊ – PARTE 4 DE 5


– Ele obviamente não é o único, disse a si mesmo enquanto ele saía do hospital.

Depois de chegar à mesma conclusão sobre os outros dois bebês na Itália, o padre passou a fazer o seu caminho através da Europa Ocidental. Depois de ver a quadragésima sexta criança na Irlanda do Norte, ele embarcou em um avião e se dirigiu à América. Os dois meninos nascidos em Nova York e aquela que nasceu em Nova Jersey, trouxe um total de quarenta e nove crianças que ele havia visto. Nenhum deles atingiu-o como sendo algo diferente de uma criança humana normal.
Seria bom se eu soubesse o que estava procurando, ele pensou, verificado em um hotel Marriott tarde da noite.

Maurício estava ansioso para uma noite de sono antes de se dirigir para norte, até Nova Inglaterra, onde ele veria três crianças em sua lista: uma em Massachusetts, um em Vermont, e um em Maine. Antes de ele apagou a luz de cabeceira, ele olhou para os locais restantes na sua lista: havia mais onze estados e no Canadá, após o qual ele teria que atravessar o Pacífico. Na manhã seguinte ele pegou um vôo de Nova York para Boston, onde ele alugou um carro e dirigiu até Marblehead. O navegador de bordo levou a um modesto colonial de dois andares em Pleasant Street.

Maurício olhou para o nome dos pais da criança: Sra. Morrissey; falecido Pai. Ele desligou o carro e levaram uma pasta da pasta no banco de trás. Dentro havia dicas úteis para os novos Padres, informações relativas a cuidados médicos e alimentação e cupons para os itens do bebê.
Ele bateu na porta, preparado para apresentar-se como um Padre afiliado com a paróquia local, que estava fazendo uma chamada de rotina para uma nova mãe. Quando a dona da casa abriu a porta, no entanto, Maurício esqueceu seu discurso cuidadosamente ensaiado.

– Lídia! exclamou ele.

– Sinto muito, disse a Sra. Morrissey. Eu estou em desvantagem. Eu não sei o seu nome, mas há algo de familiar em seu rosto.

Foi mais vestimenta do Padre que o lapso de tempo que lhe confundiu.

– Sou eu: Maurício Cooperfield.

O reconhecimento iluminou seu rosto bonito.

– Sim. Eu me lembro de você! Eu estava trabalhando na lanchonete, e você estava freqüentando a faculdade.
Maurício não podia acreditar na sua boa sorte. Depois dos anos que passaram, aqui estava Lídia Cordeiro de volta em sua vida, olhando tão bonito como quando ela tinha dezessete anos.

– Você estava estudando para ser um advogado, se bem me lembro, Lídia continuou. Eu acho que você mudou de idéia.

O manto de seu sacerdócio parecia, pela primeira vez,  pesar sobre ele. Como Padre, ele havia tomado um voto de celibato. É verdade, era uma promessa que muitos de seus irmãos haviam abandonado, mas a Igreja nunca permitiria que um padre pudesse casar.

– Eu não suponho que você veio aqui para pedir uma Carmel Macchiato ou Cinnamon Dolce Frappuccino. Então, o que o traz a Marblehead?

Por Alci Santos

O BEBÊ – PARTE 3 DE 5


– Eu farei o meu melhor, Maurício respondeu, pensando que o homem idoso provavelmente não precisava de um padre como ele que era um bom homem de relações públicas.

– Uma criança nasceu na noite passada, o Papa começou.

– Ele é o Anticristo, Padre Matolli acrescentou.

– O Anticristo? Maurício estava estupefato. Ele tinha antecipado um caso de abusos sexuais ou desvio financeiro, não o trabalho do diabo. Certamente, ninguém acreditava que o descendentes de Satanás poderia ser nada mais do que um personagem de “O Bebê de Rosemary” e “A Profecia”. A própria idéia era medieval.

– Eu sou um membro de uma ordem muito especial, continuou o Padre Matolli.

– O seu único objetivo no século passado foi vigiar os sinais que anunciam a chegada do filho do mal. Durante o ano passado, cada um destes sinais apareceram.

– Sinto muito, disse Maurício, sacudindo a cabeça. Acabei de descobrir que é difícil acreditar …
– O Padre Matolli está correto”, insistiu o Papa, silenciando as novas objeções do seu bispo. O Anticristo já nasceu. É será você quem vai encontrá-lo e eliminá-lo.

-Você acha que sua fé é forte o suficiente para tal tarefa? O idoso Padre perguntou. Você é capaz de destruir uma criança?

– Eu acredito que eu sou, se eu estiver certo de que a criança for o anticristo. Mas como vou encontrá-lo?

– Sabemos que ele é um filho homem caucasiano. Sabemos  o momento exato em que ele nasceu. Em certa cidade, havia oitenta e sete bebês brancos do sexo masculino nascidos naquela exata ocasião, respondeu Matolli.

– Ainda assim, o senhor não espera me igualar a Herodes e o massacre de oitenta e seis crianças inocentes no processo de destruir o mal?

– Não. Você irá a procurar os bebês, um por um. Você vai reconhecer o Anticristo quando vê-lo.

– Como?

– Não é por qualquer meio físico. A você será dado discernimento.

– Se eu encontrá-lo e for capaz de determinar, sem sombra de dúvida que ele é filho do diabo, como vou destruí-lo?

– Embora ele seja o filho de Satanás, ele nasceu de uma mulher mortal, por isso há diversas maneiras que você pode destruí-lo: afogá-lo numa banheira, sufocá-lo com um travesseiro, estrangulá-lo com as mãos.

Este foi o momento mais surreal na vida de Maurício Cooperfield. Ali estava ele, no Vaticano, na presença do Papa, o chefe de uma religião que era contra o aborto e o controle de natalidade, com calma sobre o assassinato de um bebê recém-nascido.

– Eu sei que você deve estar em conflito, meu filho, disse o papa. É muito pedir isso a alguém. É preciso ter fé para crer e à coragem e dedicação a Deus para realizar a escritura. De todos os homens que eu conheço, você é minha maior esperança.

– Estou emocionado por sua confiança em mim, Vossa Santidade, declarou Maurício.
– Então você vai fazer o que nós pedimos?

– Sempre, Sua Santidade.

Maurício Cooperfield começou sua investigação com o próximo filho, que nasceu nos arredores de Roma. Não querendo chamar a atenção para si mesmo, ele vestia uma camisa preta simples e colarinho clerical. Pagar as chamadas para os doentes era uma prática comum dos padres, para que ninguém questionasse a sua presença no hospital. Quando ele viu o bebezinho no berçário da maternidade, ela não parecia ser diferente de milhares de outros bebês que ele havia visto ao longo dos anos.

E se este for o único? perguntou-se. Como eu posso dizer? Padre Matolli tinha assegurado que não haveria nenhum sinal exterior, sem “666” tatuado em seu couro cabeludo ou pequenos chifres saindo da testa. Por quase 20 minutos, Maurício olhou para o bebê, mas não podia discernir nada fora do normal sobre ele.

Por Alci Santos

O BEBÊ – PARTE 2 DE 5


– O que quer dizer com você não está indo  para a faculdade de direito? Mauro Cooperfield rugiu quando seu filho lhe informou que não ia fazer direito.

– Eu não quero me tornar um advogado ou um político, disse Maurício.

Mauro mesmo com o seu temperamento, não quis se indispor com seu único filho.

– Tudo bem. medicina é uma profissão nobre.

– Eu também não serei um médico. Quero me tornar um padre.

Mauro não poderia ter tido maior surpresa.

– Um padre? Em nome de Deus, por quê?

– Porque eu recebi um chamado.

Uma vez decidido o seu caminho, Maurício perseguiu seu objetivo com a determinação de seu pai, que a contragosto teve que aceitar. Com seu excelente desempenho acadêmico, ele recebeu uma nomeação ao Vaticano depois de ser ordenado. Enquanto servia na Cúria Romana, ele finalmente passou para o cargo de bispo e se tornou um dos  assessores do Papa de maior confiança.

Quando Maurício anunciou suas intenções de se tornar um padre, seus pais supuseram erradamente que ele não tinha nenhuma ambição. Na verdade, ele tinha mais ambição do que seu pai empresário e sua mãe alpinista social. Suas aspirações eram tão grandes, que a presidência não era suficiente para ele. Um executivo brasileiro poderia esperar por oito anos, na melhor das hipóteses, antes de desaparecer no reino dos ex-presidentes. A Igreja Católica, no entanto, ofereceu-lhe poder de qualquer posição secular que  pudesse corresponder. Por que se contentar em ser presidente, ele pensou, quando poderia ser um Sumo Pontífice? Ele queria ser o primeiro papa brasileiro. O jovem bispo nunca disse a ninguém de sua meta, nem mesmo a seus próprios pais, e ninguém nunca soube sua verdadeira motivação. Por fora, ele era um bispo, humilde e trabalhador, altruísta dedicado à sua vocação e a cumprir o que seus superiores lhe pediam.

Foi a sua reputação como um “homem de empresa” que fez Maurício de valor inestimável para o Papa. Durante seu mandato, no Vaticano, ele tinha sido chamado para lidar com vários assuntos delicados que poderiam ter resultado em escândalos estarrecedores. O bispo brasileiro expedia estes assuntos com uma habilidade inigualável em qualquer igreja.

Quando Maurício foi convocado pelo secretário papal em uma manhã de outubro, ele supôs uma outra situação potencialmente danosa. Com pouca dúvida de que ele estava à altura da tarefa, ele passeava com confiança junto à Guarda Suíça e no apartamento pontifício. Ele entrou no estúdio particular do Papa, onde dois homens estavam sentados conversando em voz baixa. Um deles era o próprio Santo Padre, o outro era um homem desconhecido de Maurício. O segundo homem era de uma idade tão avançada que ele fez o  papa o olhar como um garoto da escola.

Maurício inclinou-se diante do pontífice, beijou seu anel e soltou:

– Sua Santidade.

– Este, disse o Papa, virando-se para o padre idoso, é Padre Mattoli. Ele está aqui a negócios extremamente urgentes.

– Sua Santidade diz-me que de todos os seus padres, você é a pessoa mais qualificada para me ajudar, disse Padre Mattoli.

– Eu farei o meu melhor, Maurício respondeu, pensando que o homem idoso provavelmente não precisava de um padre como ele que era um bom homem de relações públicas.

Por Alci Santos