VIK’S BAR – POR DENTRO DO IMPOSSÍVEL – CAPÍTULO 01


CBR-VB-PDI-C01-(08/11/2012)

Um homem surge da escuridão. Tive que usar meu binóculo para localizá-lo. Quando consegui, ele parou em minha frente como se estivesse hipnotizado.

Dei um passo para trás , mesmo ele tendo parado no local. Tentei tomar coragem para falar com ele.

***

O Vik’s Bar é um bar meio elegante que fica aberto 24 horas. Montei o mesmo com uma pequena fortuna que fui juntando ao longo de minha vida. Deixei de fazer muita coisa para criar um bar que atendesse todas as classes sociais, mas valeu a pena. É claro que Luan me deu uma mãozinha, mas foi só isso. No bar todos os clientes tem condição de pagar pois existem produtos dos mais baratos que são uma merda, até os produtos que são o de mais alto custo que são extremamente especiais. Por isso vem gente de todos os tipos e todas as laias frequentar o bar. A diferença é que há três alas classificadas por poderio social.

Muitos deles já me contrataram para que eu pudesse descobrir muitas coisas insanas, coisas da mais profunda torpeza do ser humano. Coisas dos mais diversos estilos e mais diversos horrores.

O subsolo do bar abriga minha base com armas e todo poderio tecnológico. E no meio de tudo isso existe um pequeno robô móvel que assume a vigilância quando eu estou fora e me passa as informações de logística. Seu nome é L-Ron que é baseado no nome do criador da Cientologia(1)  e escritor de ficção científica e fantasia L.Ron Hubbard.

***

Perguntei quem era ele e o que ele queria, mas ele inicialmente não me respondeu. Tentei várias perguntas diferentes e ele não me respondeu, mas na ultima pergunta, se ele conhecia o homem caído no meio da rua, notei pelo meu binóculo que ele fechara os olhos e imediatamente um pingente em seu pescoço começou a brilhar, brilhar, e brilhar.

Fiquei boquiaberto com tudo aquilo. Notei que um policial se aproximava da porta. Alguém devia ter me visto entrar.

Virei para olhar a porta e o mesmo se aproximava. Quando voltei a olhar o homem com o binóculo, o mesmo havia sumido.

Corri para o fundo do local onde estava, já tendo guardado o binóculo. Escuridão Total. Resultado: Queda em um buraco de uns três metros.

(1) – Sistema de crenças fundado em 1952 pelo autor de ficção cientifica L. Ron Hubbard onde  destaca-se a  Dianética

CONTINUA…

Por Alci Santos

VIK’S BAR – POR DENTRO DO IMPOSSÍVEL – PRÓLOGO


CBR-VB-PDI-PRO-(01/11/2012)

Olá! Me chamo Vik e moro nesta cidade maluca chamada Avelar. Estou escrevendo essa carta que é a primeira de muitas e somente cessarei caso eu não consiga mais pegar uma caneta ou digitar em um computador ou semelhante.

Sou dono de um bar chamado VIK’S BAR. É aqui a base atual daquele cara meio maluco chamado Luan. Vocês sábem de quem eu estou falando: O Homem Impossível.

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que somos muito amigos e geralmente o assessoro nas encrencas que ele arranja. Nada de muito sofisticado, porque ele tem sua maneira própria de se defender, ou melhor, maneira maluca.

O importante é que sempre estou aqui quando ele precisa. Depois do que ele passou algum tempo atrás tive que acompanhá-lo mais de perto(1). Mas hoje ele já está em seu estado normal, que é a anormalidade. Se você o acompanha, entenderá o que quero dizer.

Apesar do que disse nas linhas acima, não ajo somente em dupla. Tenho minhas aventuras que na verdade são bem diferentes da de Luan.

Não sou detetive, não trabalho para a policia. Ao contrário, a polícia tenta me pegar há muito tempo. Quer saber o que eu faço? Então comece a ler abaixo!

***

O corpo estava estendido no chão em cima da calçada todo retalhado. Eu li no jornal que um cara em outra cidade deixava as pessoas assim mesmo. Foi numa cidade que vários quadros de arte tinham sido roubados também.

Eu não sei se essas pessoas tem merda em seu cérebro para  cometer tal atrocidade. Pelo menos uma merda moral elas têm. Não digo roubar quadros, porque quem furta, dificilmente mata, mas quem retalha já está em uma situação cerebral sem volta.

A policia estava cuidando da investigação inicial no corpo e eu estava pensando se seria boa idéia me aproximar.

Resolvi entrar no prédio em frente e usar meu binóculo super potente, presente de Luan. Não há nada que eu não possa ver com ele, pois posso ver entre as paredes e também no escuro com uma função infra vermelha. Subi até o terraço. Me ajeitei da melhor maneira possível e usando o binóculo, observei que ele sangrava pelos olhos, boca e até pelos cantos das unhas. Estranho tudo isso. Parecia que o cara tinha tido uma “overdose” de açúcar no sangue. E por esses sintomas não poderia se assimilar a uma diabete alta.

Notei que em sua camisa algo brilhava com as luzes, mas somente consegui ver isso por causa do binóculo. Parece que nenhum outro policial notou tal coisa inicialmente. Somente no final dos trabalhos, foi notado. Era como se fosse um pelo longo de algum animal, mas que não tinha cor muito visível.

Notei também que próximo de onde o corpo estava, havia uma loja. Notei que à ação do vento que era muito fraco, a porta abria um pouco e fechava, como se o vento não fosse suficiente para abrir nem 10% do ângulo que a porta formava com a parede.

De repente vi dois olhos brilhantes lá dentro. Fiquei com uma imensa vontade de chamar Luan, mas eu resolvi investigar primeiro. Não tenho certeza ainda se esses olhos tem algo a ver, então deixei Luan quieto. Resolvi eu mesmo investigar.

Desci até o térreo e saí do prédio. Andei cem metros e atravessei a rua. Ninguém me percebeu até eu chegar em frente da porta que pouco abria. Peguei em uma aldrava e puxei a mesma. A porta abriu por completo e eu entrei e rapidamente fechou novamente. Ainda bem que ninguém achou estranho minha entrada ali ou eu teria que explicar o que estava fazendo ali e eu queria distância da polícia.

O ambiente dentro do prédio era de total escuridão. teria que usar a visão infravermelha do meu binóculo. Quando peguei este, ouvi um barulho alguns metros à minha frente.

(1) – Acompanhe “O HOMEM IMPOSSÍVEL” para saber do que se trata.

CONTINUA…

Por Alci Santos

NO FINAL DO TÚNEL NEGRO


– Vi apenas um túnel.

No bar em Sibiu, na Transilvânia, Sorin olha-me no fundo dos olhos. Vai um pouco mais adiante.

– Vi um túnel negro com um homem no final, que me fazia sinais.

Eu espero. Temos todo o tempo do mundo e eu me lembro que, quando estive na mesma situação, vi também um túnel, só que levava até um hotel no Rio de Janeiro, o Hotel Glória. Olhei aquele hotel, esperei o pior, e pensei: “não é justo: tenho apenas 26 anos!”. Justo ou não, na madrugada do dia 27 de maio de 1974, eu estava diante da morte, e não conseguia ver o que acontecia ao meu lado. Só o túnel e o hotel. Mas minha história não vem ao caso; serve apenas para dizer que entendo perfeitamente o que Sorin está me contando neste bar perdido no meio dos Montes Cárpatos.

– Vi apenas um túnel negro, com um homem apontando uma arma para mim, e dizendo para que eu descesse do carro.

O calvário de Sorin Miscoci começou no dia 28 de março de 2005, perto de Bagdad. Tinha sido designado para passar uma semana ali, a pedido de uma estação de TV da Romênia. Terminou sequestrado por 55 dias.

– Mais tarde, quando fui libertado, os agentes de segurança americanos me perguntaram quantas pessoas estavam ali. E eu disse: uma. Eles riram e disseram que não podia ser assim. Foi o psicólogo quem me ajudou, explicando que em situações como esta nada que está em volta tem importância. Você vê apenas o foco da crise, o que lhe ameaça, e simplesmente esquece todo o resto.

Sorin acaba de casar-se com Andréa, que lhe acaricia a mão. Estamos viajando juntos há três dias, e continuaremos outra semana atravessando os montes Cárpatos. Eu conhecia sua história, mas esperei até que estivesse em sua cidade Natal para perguntar os detalhes. Cristina Topescu, uma amiga de longa data, jornalista da mesma TV para a qual Sorin trabalha, também está na mesa. Conta que, na hora de mobilizar o país, poucos colegas se apresentaram para ir falar com o Presidente da República, com medo de perder o emprego.

– O pior foi quando eu vi Sorin com o macacão laranja e a cabeça raspada, em um vídeo que foi entregue à Al-Jazeera (canal árabe baseado no Qatar) – diz Cristina. – Era um sinal de que a execução não devia tardar.

– Eu pedi apenas uma coisa a Deus: morrer com um tiro no coração. Já tinha visto vídeos de prisioneiros sendo decapitados; pedi, implorei para ser fuzilado – completa Sorin.

Andréa lhe dá um beijo. Ele sorri, pergunta se eu quero continuar naquele restaurante, ou se devemos ir até o único karaokê de Sibiu. Prefiro cortar a conversa por ali, melhor cantarmos juntos. Nosso grupo se levanta, tento pagar a conta, mas ela foi oferecida pelo restaurante, em homenagem ao herói local, aquele que sobreviveu apesar de tudo.

No caminho da discoteca, penso no túnel negro: sem querer romantizar uma situação dramática, entendo que isso se passa com todo mundo. Quando estamos diante de algo que realmente nos ameaça, é impossível olhar à volta, embora este seja o procedimento correto e mais seguro. Não conseguimos ver claro, usar a lógica, conseguir informações que podem ajudar a nós mesmos e aos que procuram nos tirar daquela situação. No amor e na guerra somos humanos, graças a Deus.

Chegamos ao karaokê, bebemos um pouco mais, cantamos Elvis, Madonna, Ray Charles. Nosso grupo é interessante: Lacrima, que foi abandonada pela mãe quando tinha apenas dois meses. Leonardo, que vem de uma depressão de dois anos. Cristina Topescu, que superou momentos difíceis recentemente. Sorin com seus 55 dias de cativeiro, e Andrea, que quase perdeu a pessoa que amava. Eu, com minhas cicatrizes no corpo e na alma.

E mesmo assim bebemos, cantamos, celebramos a vida.   Ter amigos como estes me dá mais do que esperança; me faz entender que os verdadeiros sobreviventes jamais serão vítimas de seus algozes, porque conseguem manter o que há de mais importante no ser humano: a alegria.

E onde houver alegria depois da tragédia, haverá sempre um exemplo a ser seguido.

Por Paulo Coelho

VIK’S BAR – POR DENTRO DO IMPOSSÍVEL – CAPÍTULO 01


Um homem surge da escuridão. Tive que usar meu binóculo para localizá-lo. Quando consegui, ele parou em minha frente como se estivesse hipnotizado.

Dei um passo para trás , mesmo ele tendo parado no local. Tentei tomar coragem para falar com ele.

***

O Vik’s Bar é um bar meio elegante que fica aberto 24 horas. Montei o mesmo com uma pequena fortuna que fui juntando ao longo de minha vida. Deixei de fazer muita coisa para criar um bar que atendesse todas as classes sociais, mas valeu a pena. É claro que Luan me deu uma mãozinha, mas foi só isso. No bar todos os clientes tem condição de pagar pois existem produtos dos mais baratos que são uma merda, até os produtos que são o de mais alto custo que são extremamente especiais. Por isso vem gente de todos os tipos e todas as laias frequentar o bar. A diferença é que há três alas classificadas por poderio social.

Muitos deles já me contrataram para que eu pudesse descobrir muitas coisas insanas, coisas da mais profunda torpeza do ser humano. Coisas dos mais diversos estilos e mais diversos horrores.

O subsolo do bar abriga minha base com armas e todo poderio tecnológico. E no meio de tudo isso existe um pequeno robô móvel que assume a vigilância quando eu estou fora e me passa as informações de logística. Seu nome é L-Ron que é baseado no nome do criador da Cientologia(1)  e escritor de ficção científica e fantasia L.Ron Hubbard.

***

Perguntei quem era ele e o que ele queria, mas ele inicialmente não me respondeu. Tentei várias perguntas diferentes e ele não me respondeu, mas na ultima pergunta, se ele conhecia o homem caído no meio da rua, notei pelo meu binóculo que ele fechara os olhos e imediatamente um pingente em seu pescoço começou a brilhar, brilhar, e brilhar.

Fiquei boquiaberto com tudo aquilo. Notei que um policial se aproximava da porta. Alguém devia ter me visto entrar.

Virei para olhar a porta e o mesmo se aproximava. Quando voltei a olhar o homem com o binóculo, o mesmo havia sumido.

Corri para o fundo do local onde estava, já tendo guardado o binóculo. Escuridão Total. Resultado: Queda em um buraco de uns três metros.

(1) – Sistema de crenças fundado em 1952 pelo autor de ficção cientifica L. Ron Hubbard onde  destaca-se a  Dianética

CONTINUA…

Por Alci Santos

VIK’S BAR – POR DENTRO DO IMPOSSÍVEL – PRÓLOGO


Olá! Me chamo Vik e moro nesta cidade maluca chamada Avelar. Estou escrevendo essa carta que é a primeira de muitas e somente cessarei caso eu não consiga mais pegar uma caneta ou digitar em um computador ou semelhante.

Sou dono de um bar chamado VIK’S BAR. É aqui a base atual daquele cara meio maluco chamado Luan. Vocês sábem de quem eu estou falando: O Homem Impossível.

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que somos muito amigos e geralmente o assessoro nas encrencas que ele arranja. Nada de muito sofisticado, porque ele tem sua maneira própria de se defender, ou melhor, maneira maluca.

O importante é que sempre estou aqui quando ele precisa. Depois do que ele passou algum tempo atrás tive que acompanhá-lo mais de perto(1). Mas hoje ele já está em seu estado normal, que é a anormalidade. Se você o acompanha, entenderá o que quero dizer.

Apesar do que disse nas linhas acima, não ajo somente em dupla. Tenho minhas aventuras que na verdade são bem diferentes da de Luan.

Não sou detetive, não trabalho para a policia. Ao contrário, a polícia tenta me pegar há muito tempo. Quer saber o que eu faço? Então comece a ler abaixo!

***

O corpo estava estendido no chão em cima da calçada todo retalhado. Eu li no jornal que um cara em outra cidade deixava as pessoas assim mesmo. Foi numa cidade que vários quadros de arte tinham sido roubados também.

Eu não sei se essas pessoas tem merda em seu cérebro para  cometer tal atrocidade. Pelo menos uma merda moral elas têm. Não digo roubar quadros, porque quem furta, dificilmente mata, mas quem retalha já está em uma situação cerebral sem volta.

A policia estava cuidando da investigação inicial no corpo e eu estava pensando se seria boa idéia me aproximar.

Resolvi entrar no prédio em frente e usar meu binóculo super potente, presente de Luan. Não há nada que eu não possa ver com ele, pois posso ver entre as paredes e também no escuro com uma função infra vermelha. Subi até o terraço. Me ajeitei da melhor maneira possível e usando o binóculo, observei que ele sangrava pelos olhos, boca e até pelos cantos das unhas. Estranho tudo isso. Parecia que o cara tinha tido uma “overdose” de açúcar no sangue. E por esses sintomas não poderia se assimilar a uma diabete alta.

Notei que em sua camisa algo brilhava com as luzes, mas somente consegui ver isso por causa do binóculo. Parece que nenhum outro policial notou tal coisa inicialmente. Somente no final dos trabalhos, foi notado. Era como se fosse um pelo longo de algum animal, mas que não tinha cor muito visível.

Notei também que próximo de onde o corpo estava, havia uma loja. Notei que à ação do vento que era muito fraco, a porta abria um pouco e fechava, como se o vento não fosse suficiente para abrir nem 10% do ângulo que a porta formava com a parede.

De repente vi dois olhos brilhantes lá dentro. Fiquei com uma imensa vontade de chamar Luan, mas eu resolvi investigar primeiro. Não tenho certeza ainda se esses olhos tem algo a ver, então deixei Luan quieto. Resolvi eu mesmo investigar.

Desci até o térreo e saí do prédio. Andei cem metros e atravessei a rua. Ninguém me percebeu até eu chegar em frente da porta que pouco abria. Peguei em uma aldrava e puxei a mesma. A porta abriu por completo e eu entrei e rapidamente fechou novamente. Ainda bem que ninguém achou estranho minha entrada ali ou eu teria que explicar o que estava fazendo ali e eu queria distância da polícia.

O ambiente dentro do prédio era de total escuridão. teria que usar a visão infravermelha do meu binóculo. Quando peguei este, ouvi um barulho alguns metros à minha frente.

(1) – Acompanhe “O HOMEM IMPOSSÍVEL” para saber do que se trata.

CONTINUA…

Por Alci Santos