MEU FILHO, VOCÊ NÃO MERECE NADA


Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

Por Eliane Brum

DE QUEM É A CULPA


Deus quando criou o homem e a mulher, nos deu a capacidade de escolhermos entre sermos bons ou maus, isto não implica absolutamente em sermos ricos ou pobres, saudáveis ou doentes, alegres ou tristes, tímidos ou arrogantes, e assim por diante… A maneira como vamos interagir com os outros ou com a própria natureza que nos foi ofertada graciosamente pela suprema Divindade, é que vai traçar a nossa trajetória no nosso curto espaço de vida.
Se você parar para pensar um pouco, vai perceber que os acertos, a alegria e a felicidade, como também a culpa, os erros, as decepções e as desgraças são privilégios de uma vida consciente. Quando acertamos, somos alvos dos reflexos do nosso sucesso, e isso nos dá alegria e, por conseguinte nos traz felicidade. Quando erramos e somos alvos de críticas, de difamações, temos que reagir satisfatoriamente e não nos trancafiarmos em nossa gaiolas emocionais, completamente alienados as misérias bem maiores que as nossas.
Trabalhamos, compramos, vendemos e construímos relações sociais, discorremos sobre política, economia e ciências, sem poder alcançar sua complexidade. Escrevemos milhões de livros e os armazenamos em imensas bibliotecas, mas somos apenas crianças. Não sabemos quase nada sobre o que somos, somos bilhões de meninos que, por décadas à fio, brincamos de adultos neste deslumbrante planeta. Quando consideramos a brevidade da existência dentro do pequeno parêntese do tempo que nos foi legado, e refletimos sobre tudo que esta além de nos, enxergamos nossa pequenez. Quando consideramos que um dia tombaremos no silêncio de um túmulo, tragados pela vastidão da existência, compreendemos nossas extensas limitações e, ao depararmos com elas, deixamos de sermos egocêntricos e libertamo-nos para sermos apenas seres humanos. Saímos da condição de sermos o centro do Universo, para sermos apenas uns andantes nas trajetórias
Mas se vocês estão pensando que eu vou continuar esta despretensiosa crônica tentando desvendar os intrincados caminhos da mente humana, com afirmações com teorias psicológicas freudianas, estão muito enganados, simplesmente eu não resisti a tentação em transcrever algumas frases de um livro imperdível que estou lendo e, aproveito para recomendar para os meus amigos que me aturam lendo as minhas crônicas, o livro chama-se “ O vendedor de sonhos” de Augusto Cury.
Na verdade toda esta retórica bonita e inteligente que o autor tenta nos passar, se resume na incapacidade que tem o homem de se livrar de seus problemas e de suas frustrações e na interminável e as vezes infrutífera busca da felicidade e do bem estar. Basicamente pela incapacidade de sonhar e de correr atrás de seus sonhos. Seja generoso consigo mesmo! A generosidade é uma palavrinha que habita os dicionários, mais raramente o coração do homem, que ilhados em seu mundo, tinham perdido o sabor indecifrável de se doar, abraçar, dar uma nova chance.
Caramba, esta coisa pega, quase que eu escorrego pelas frases pomposas e de difícil compreensão, porque afinal de contas somos apenas seres humanos cheios de falhas e defeitos, quase sempre incapazes de agir corretamente nas horas certas e nos momentos certos, afinal:
A culpa é dos gametas!

Por Ciro Fonseca

ILHA GRANDE – 2 DE 2 – FINAL


Passamos ainda alguns dias com o QG montado na Vila de Abraão, este povoado simpático, com PMs nem tão gentis assim. De lá é possível fazer várias caminhadas e conhecer lugares ótimos, como as praias da Enseada do Abraão, Enseada de Palmas e a maravilhosa Praia de Lopes Mendes, esta já voltada para o oceano, e point para surfistas e gatinhas. Partindo para a outra direção, pode-se ir para a Enseada da Estrela, passando pela Cachoeira da Feiticeira e chegando ao Saco do Céu. Este roteiro fica mais virado para o continente, e seguindo em frente se encontra ainda muitos lugares lindos, com boa estrutura para receber o turista e tudo o mais. Porém não era este o foco de nossa viagem, e sim o lado mais “selvagem” da Ilha.

Após terminar este rolê, e já tendo andado bastante, partimos para o que tanto esperávamos, o outro lado da Ilha. Caminhar costeando a Ilha é uma tarefa no mínimo ingrata, e de acordo com todos os moradores com quem conversamos, impossível. A trilha que existia antigamente não existe mais, e mesmo assim ela só iria até uma praia próxima a de Antônio Lopes, chamada Santo Antônio. Depois disso, a costa virava um emaranhado de pedras e mata atlântica. simplesmente impenetrável de forma ecológicamente correta. Para visitar estas praias a melhor maneira é desembolsar uma graninha e ir de barco. Para dizer a verdade, o acesso à maioria das praias é feito por trilhas montanhosas pelo interior da Ilha, pois as praias são divididas por esses perigosos rochedos. Bem diferente, por exemplo, do sul da Bahia, aonde é possível caminhar por dias sem tirar o pé da areia. O grande lance é que essa característica do litoral fluminense, torna a caminhada mais cansativa, cheia de sobes e desces, mas nem por isso deixa-a menos bonita! É aliás uma oportunidade maravilhosa de adentrar a mata atlântica, tão mirrada hoje em dia, e ter uma idéia do paraíso que este país era antes da devastação! Posso resumir tudo em uma única palavra; Maravilhoso! Mas ainda assim não é o suficiente…

 Andar pelo interior. Em um só dia fizemos uma caminhada de 16 Km, com todos os nossos equipamentos nas costas, para atravessar o interior da ilha até a praia de Dois Rios e depois até Parnaióca. A caminhada é cansativa e maravilhosa. Ouve-se o canto de vários pássaros, avista-se matas lindas, passa-se por cachoeiras e bicas d´água, sobe-se e desce morros intermináveis e chega-se à praia de Dois Irmãos. esta praia tem o Campus avançado da UERJ (sorte dos pesquisadores…), e é proibido acampar. Deste modo, nadamos um pouco, descansamos, almoçamos e partimos para Parnaióca. Esta parte da trilha é menos acidentada, mas a mata é bem fechada. Quando se chega a Parnaióca, descobre-se que o desafio vale a pena! A partir daí o negócio é descansar. Dá vontade de ficar lá para sempre…

Descobrimos que os nativos todos da região iriam para lá para uma festa da igrejinha local. Apesar de adorarmos festinhas, esta não estava nos nossos planos e estávamos a fim mesmo é de paz. Catamos nossas coisas e nos mandamos para a Praia de Aventureiro. Para chegar lá passamos ainda por um local intocado e apaixonante, as Praias do Leste e do Sul. Por fazerem parte de uma reserva ambiental é expressamente proibido acampar nesta região, que é vigiada por barcos e helicópteros. Para a travessia das Praias sugerimos levar uma boa quantidade de água, pois é muito mais longo do que parece, e a única fonte de água doce é um mangue depois de horas de caminhada. Aliás este mangue é a única passagem para a praia do outro lado, que também é enorme. Ao fim das duas cansativas praias de areia fofa e mar violento, chega-se a Aventureiro. Local realmente agradável, com área de camping e restaurante para recuperarmos as energias. Nosso rolê ainda não terminava por aí e para encurtar a história, depois de alguns dias pegamos um barco para Araçatiba, de onde iríamos pegar a barca de volta para Angra. A Ilha é linda e seu nome não mente, ela é realmente grande. Por isso temos desculpa para voltar e conhecer o que ainda não vimos. Adoro estas desculpas…

Por Parlos Ranna

ILHA GRANDE – 1 DE 2


Férias na faculdade. E melhor ainda, fora da alta temporada!

Partimos de BH eu, Carlos, que vocês já conhecem de outros Blues do Viajante, e meu querido camarada Geléia. Nosso destino era nada mais nada menos do que a linda e maravilhosa Ilha Grande, no Estado do Rio. Preparamos nossas mochilas com todo cuidado e esmero possível, pois tínhamos uma meta audaciosa; andar 80 Km em dez dias no terreno acidentado da ilha, fazendo desta forma boa parte do litoral voltado para o oceano, e mais uma considerável parte do litoral virado para o continente.

Para começar pegamos um ônibus para Angra dos Reis. Nosso ônibus chegaria na cidade de Angra aproximadamente às 6h30 da manhã, e para deixar tudo mais gostoso, foi assim que encontramos nosso primeiro obstáculo a ser superado: A barca de Angra para a Ilha só saía às 15hs. Isso significava que perderíamos o dia inteiro na cidade, quando planejávamos chegar cedo em Ilha Grande e já sair caminhando. A solução era se mandar de Angra para Mangaratiba, de onde sairia uma outra barca, esta, às 8hs da matina. Tínhamos portanto pouquíssimo tempo para chegar lá, e o ônibus não ia direto. Tivemos que parar em outra cidadezinha e de lá pegar um terceiro ônibus para Mangaratiba. Fomos uns dos últimos a comprar as passagens e entramos correndo na barca para não perder a viagem.

Graças a Deus tudo corria bem, como planejado. Íamos sorridentes olhando o continente se afastar, já pensando nos dias maravilhosos que teríamos pela frente. Ao chegar na Ilha porém, me ocorreu algo que me deixou muito assustado e injuriado. Em minha opinião pessoal o ocorrido foi uma afronta aos meus direitos pessoais, e uma total falta de respeito ao turista que chega na Ilha. Me explico no próximo parágrafo, e peço total atenção a ele, pois esta dica pode salvar as férias de muita gente!

Quando a barca aporta na Ilha e os passageiros descem, somos recepcionados por um bando de moradores, turistas e policiais à paisana. Os caras não perdem tempo, e ao ver um cabeludo como eu, pedem-nos para acompanhar-lhes à delegacia. No caminho começam um papo intimidador, do tipo:

– Ô malandro, o negó é o seguin, tamu procurandu por tóxicus. Tú tem aí contigu? – Tenhu não sinhô. – Ó! Nóis vai procurar! Se tivé é milhó falá agora! Se a gente achar tú tá ferrado mermão! Sem medo nenhum retuquei: – Tenho nada não cara! Tô te falando, só vim passar uns dias aqui, fazer um ecoturismo, um trekking. – Intão nóix vão vê!

Daí então, fui levado para um quartinho sinistro, e começaram a revistar meus bolsos, não acharam nada. me mandaram abrir a mochila e tirar tudo que eu tinha dentro. Ao que eu disse:

– Pôxa, minha mala está preparada para dez dias de caminhada! Os pesos estão divididos cuidadosamente, as roupas estão dentro de sacos plástico, vai dar um trabalho tremendo, gente. – Tem probrema não! Tira tudo daí!

 Revista minuciosa

Vocês não acreditam que busca minuciosa! Dificilmente alguém sair de lá sem ser incriminado caso esteja carregado. Tiraram tudo de dentro da minha mochila, abriram todos os sacos plásticos, olharam os bolsos de todas as roupas, procuraram por espaços entre as alças da mochila, e eu lá tranquilo da vida, rindo pra eles. Quanto mais eu sorria e puxava conversa sobre a ilha, mais eles procuravam! Até que desistiram. Perguntaram como é possível um cara com cara de malandro como eu não ter nada. Um deles, o que me escolheu na saída da barca quis recomeçar a busca. Sorte que o mais velho lá se mostrou um pouquinho, mas pouquinho mesmo, mais sensato e me liberou para que eu arrumasse a mala e saísse de lá. Arrumei rapidinho e saí vazado, torcendo para nunca mais ver aqueles manés. Foi ainda um trabalho extra achar meu amigo, que acabou escolhendo um camping qualquer e saiu à minha busca. Mas depois de encontrado, susto superado. AGORA COMEÇAM AS FÉRIAS!

CONTINUA…

Por Parlos Ranna

O QUE É FELICIDADE?


Hoje abordarei um tema interessante sobre: o que é felicidade?

Há pessoas que procuram felicidade em coisas inúteis e passageiras como: paixões, vicios, dinheiro, etc.

Dentre todos esse o dinheiro triunfa. Mas será que há felicidade em ter muito dinheiro?!

Vejamos mais a fundo o que é declarado como felicidade:

Se uma pessoa está com frio, do que ela precisa?

De calor ou cobertor

Se uma pessoa está com fome, do que ela necessita?

De algo que mate sua fome, ou seja, um alimento

Concluindo, a felicidade é aquilo que supre as nossas faltas!

Se você precisa de dinheiro, então é claro que, ele fará você feliz quando o tiver.

Por Naôr Willians

ASSALTO À GELADEIRA


Durante o dia, eu me comporto bem. Almoço uma salada, no jantar só um peixinho. Seria um magro de fazer inveja se não tivesse o hábito de escrever à noite. Teclo as primeiras linhas logo após o jantar e vou pela noite afora: infanto juvenis, romances, novelas… A inspiração só chega na madrugada. No período diurno sou vítima de uma entidade: o Exu Tranca Texto, que me impede de inventar histórias à luz do sol. Mas o que tem isso a ver com o peso? É simples: lá pelas 2, 3 da manhã, costumo sentir uma certa fome. Levanto do computador e prometo a mim mesmo:

— Vou comer só uma coisinha.

E desembesto até a geladeira. Vasculho as prateleiras, subitamente assediado por uma fome tirana. Já comi coxinhas e empadinhas geladas, potes de cogumelos em conserva, doce de casca de laranja, queijo e pão com manteiga, além de toda besteira que encontro pela frente. O pior: sem ordem lógica. Sou capaz de devorar bombons de chocolate e, em seguida, as almôndegas que sobraram do jantar! Nem precisaria de garfo, poderia comer com uma pá, tal a voracidade.

Eu me sinto feliz e realizado depois do assalto à geladeira. De madrugada, não importam as regras do regime e da civilidade. Como tudo que encontro! Recentemente, recebi  maravilhosos potes de doces mineiros. Escondi num escritório separado de casa. Senão, comeria tudo na madrugada. Um amigo acorda com fome durante a noite.

— Quando tenho um sonho ruim, voo para a geladeira — confessa.

Entre outros recordes, já devorou um pote inteiro de batatinhas temperadas, feitas pela mãe, e uma travessa de lasanha fria. Outro dia comeu quatro pedaços gelados de pizza que sobraram do jantar.

— De noite a comida fica mais gostosa! — garante. Recentemente eu estava no Twitter. Contava sobre quando fiz codornas pela primeira vez. Um rapaz chamado Rodrigo entrou na história. “Fiquei com vontade de codornas” — escreveu. Morava longe, não sabia onde encontrar as preciosidades às 3 da manhã. “Vou fritar frango” — avisou antes de sumir. Na outra noite, confessou: descongelou peito e coxas e torrou no alho e óleo. “Pelo menos era ave. Foi a melhor refeição da minha vida!”

Esse é o caso. Há duas experiências gustativas de alta satisfação. A primeira é ir a um restaurante, deliciar-se com um cardápio elaborado, apreciar os paladares sutis. A   segunda é quando o desejo de comer transforma qualquer porcaria em um banquete das “Mil e Uma Noites”. Garanto: o maior chef de cozinha é capaz de chupar os ossinhos de uma carcaça de frango assado, durante a madrugada. Garçons e maîtres são capazes de, após o expediente, montar um pratinho de arroz com feijão aquecido no micro-ondas. A madrugada é o reinado das comidas sem grife, das mortadelas, dos sanduíches de requeijão, das misturas improváveis entre doces e salgados, do exagero que é uma delícia.

Uma amiga do Twitter, Isabel, é capaz de comer sanduíche de pernil na madrugada. E vamos combinar: as redes sociais incentivam ainda mais os assaltos à geladeira, porque durante a conversa noturna sempre bate uma fominha. Vão acabar criando uma geração de gordos! Há poucas noites comi dois ovos fritos com pão às 4 da manhã!

Na manhã seguinte bate o remorso. Acordo com a cabeça martelando:

— O que fiz, o que fiz!?

Corro para a academia! Haja esteira! Sou incapaz de resistir a um ataque de fome noturna. Mas não sou o único! Falando francamente: quem nunca assaltou a geladeira que atire o primeiro osso!

Por Walcyr Carrasco

FÁCIL E DIFÍCIL


Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião…
Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias…
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros.

Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir…
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a
mesma…
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado…
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece.
Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã…
Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas e as vezes impetuosas, a cada dia que passa.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar…
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar…
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.

Fácil é ditar regras e,
Difícil é segui-las…

Por Carlos Drummond de Andrade