INJITUS, O ELEMENTAL MESTRE PARTE 1 DE 6


Cerca de seis anos atrás, Injitus saiu correndo risonho de sua cabana que ficava na Vila de Ophir. Era uma criança diferente de todas as outras da GRANDE CASTLE ROCK, que compreendia os quatro imensos quadrantes que dividiam a cidade.

Injitus havia nascido de parto normal que não fora tão normal assim. O parto fora difícil e o oficial da medicina teve que escolher entre sua mãe ou ele. Acabou escolhendo-o.

Desde os primeiros passos, o menino já tinha intimidade bastante com a natureza, tanto que fora várias vezes dado como desaparecido e diversas vezes encontrado, ou enrolado em plantas, mergulhando profundamente no rio, brincando com fogo e diversas outras estripulias. Apesar de tudo isso, nunca havia se acidentado com nenhum dos elementos.

Muitos achavam estranho e algumas pessoas já haviam tentado ou se livrar dele ou pegá-lo para sacrifícios.

Um dos que tentaram se livrar do menino foi seu próprio pai. Quando completou quatro anos, tentou vendê-lo para um mercador que estava de passagem pela cidade, mas o mesmo com pena do garoto denunciou o pai dele ao oficial governante e seu pai teve que fugir as pressas da vila.

Assim sendo, o oficial governante passou a ser responsável pela educação e tutela de Injitus que cresceu saudável, mas sempre cada vez mais afeiçoado aos elementos da natureza.

Apesar de gostar de todos os elementos, o menino tinha predileção aos vegetais e aos dez anos já era considerado por todas as pessoas da vila graças à educação que o oficial governante tinha lhe dado, porém um dia começara a sentir vibrações estranhas no ar. Era como se o ar fosse como uma folha de papel e tremesse.

Isto ocorreu durante seis dias até que passou a notar o céu da vila nas cores violeta e rosa. Apesar de tudo aquela coisa estranha ele estava bastante calmo.

No mesmo dia se retirara até a floresta para meditar sobre aquilo tudo e foi quando encontrou atrás de uma árvore um ser bem parecido com um anjo, com a diferença que esse era colorido de rosa e violeta. Era um ser de uma beleza extrema, quase inocente.

Injitus perguntou quem ele era. O mesmo ficou em silêncio durante 10 segundos e depois respondeu que era um Silfo.1

O ser então explicou que tinha vindo para lhe entregar uma poção que lhe daria o poder para interagir com todos os poderes do ar.

Injitus estranhou e perguntou porque ele estava recebendo esse presente. O anjo então explicou que ele estava destinado a ser o ELEMENTAL MESTRE, ser que dominaria todo o poder da natureza. Apesar de toda sua inteligência e bondade, Injitus tomava tudo isso como uma brincadeira e inocentemente aceitou a poção e bebeu a mesma que estava em um estranho cálice fornecido pelo Silfo.

Injitus pensou que os poderes iriam aparecer instantaneamente, mas nada aconteceu. O ser de luz colorida explicou que ele deveria esperar o poder se ambientar em seu corpo para que pudesse ficar disponível. Também explicou que agora ele se tornara o Elemental Mestre do Ar.

Depois que se passara um minuto, o ser de luz desapareceu bem devagar e Injitus não estava mais vendo o tremor colorido no ar. Agora tudo tinha se normalizado.

Injitus voltou correndo para a vila e várias pessoas o chamaram, mas ele ignorou e correu para casa e se deitou em sua cama.

Como todas as pessoas estavam acostumadas a um outro Injitus, logo correram até sua casa pra saber o que tinha ocorrido. Chamaram várias vezes, mas ele não respondeu. Então foram embora. Esperou o oficial governante chegar de seus afazeres e dormir. Foi então que arrumou algumas roupas  em uma tipóia e saiu caminhando em buscas de respostas. Mas para Injitus, antes de achar qualquer resposta, muitas questões surgiriam e muito em breve os poderes do ar seriam descobertos.

1. Seres mitológicos da tradição ocidental

CASTLE ROCK – O TERROR DAS PROFUNDEZAS – CAPÍTULO VII


– Sai mais uma dose tripla ai garçom!

– Aguiar, acho que está na hora de parar. Você está desde a manhã de hoje aqui bebendo. Já está na hora de ir para casa.

– Quem você pensa que é seu barmanzinho filho da puta? – falou o homem já tomado pela bebida.

– Opa! Vamos com calma aí. Eu não admito ser desrespeitado dentro do meu próprio estabelecimento.

– Eu não tenho nada com isso. Quer respeito?  Respeite primeiro essa aqui! – falou Carlos Aguiar tirando do bolso uma “39” e apontando para a testa do garçom.

– E agora seu merda, ainda quer me desafiar?

– Tudo bem, Aguiar desculpe, não está mais aqui quem falou – disse o garçom do bar.

– Você tem muita sorte. Você só está vivo porque eu gosto daqui. Se fosse outro, já estaria com os miolos espalhados pelo chão.

– Menos, homem, menos – bradou Jimmy Bobo entrando pela porta do bar.

– Jimmy que bom que você está por aqui. Eu estava mesmo precisando de um amigo.

– Como assim? Eu nem lhe conheço. De onde você me conhece?

Antes que Aguiar pudesse pronunciar uma sílaba, o Subchefe entra no recinto.

-Alto lá! Estão todos presos.

– Presos porque, guardazinho? – Falou Aguiar sem qualquer senso do que estava fazendo.

Jimmy resolveu então fazer o jogo do Subchefe, pois não poderia ser preso. Se assim fosse, ficaria sem liberdade para achar os mafiosos.

– Eu não tenho nada a esconder Subchefe. O Garçom está de prova que acabei de chegar.

– O que me diz, barman? – perguntou o Subchefe ao garçom

– Ele está falando a verdade Subchefe.

– Mas esse outro vai para a  delegacia.

– Eu não vou a lugar nenhum guardazinho…

Aguiar puxou o revolver e ia atirar, mas Jimmy Bobo foi mais rápido. Sacou sua arma e atirou contra o revolver de Aguiar em sua mão.

Aguiar surpreso, falou:

– Jimmy, porque fez isso? Eu pensei que era meu amigo.

– Amigo? Está louco? Você nem me conhece.

O Subchefe interrompeu e levou os dois para a delegacia.

Máfia de Castle Rock. Alta Cúpula…

– Então ele agiu novamente Elton?

– Sim senhor. Ele está criando dificuldades para nossa organização.

– Teremos que tomar medidas drásticas então.

Ao lado do grande CSM (Chefe Supremo da Máfia) estava em uma cadeira com pouca iluminação um sinistro personagem se somente ouvia o que era falado. De repente interrompeu seu silêncio e  disse:

– Acho que você deveria deixar tudo comigo. Tenho melhores condições de acabar com esse abelhudo chamado Garra se lhe colocar em evidência.

– Meu caro amigo, isso jamais ocorreria pois jamais alguém vai suspeitar de mim.

– Eu sei que você é o CSM, mas como poderia saber se Elton iria lhe trair por exemplo?

– Elton está comigo há muitos anos e na menor possibilidade de alguém me trair tenho pessoas próximas a todos que trabalham comigo. Por exemplo, se ele tentasse me matar agora, eu já saberia disso.

– Mesmo que ele não falasse nada para ninguém? – perguntou o indivíduo ao lado do CSM

– Caro amigo, todos eles são vigiados até quando fazem suas necessidades fisiológicas. Quando entram para a organização eles estão a a par disso e caso não aceitem são executados sumariamente e desovados no rio.

– É verdade eu sei disso meu caro CSM, afinal se não soubesse, não me chamaria Arbost.

CONTINUA…

Por Alci Santos

CASTLE ROCK – O TERROR DAS PROFUNDEZAS – CAPÍTULO VI


Fundo do rio – lado branco…

– Zhélia, todas as comunidades subaquáticas estão se fragmentando. As famílias estão ficando doentes.

– Eu já soube meu grande amigo Papilon – disse Zhélia

– Se isso acontecer, teremos que acondicionar as famílias para outros rios. O ruim é que não poderemos fazer isso com os seres inferiores como peixes e outros animais do rio.

– Temos que falar com Injitus, custe o que custar. Ele nos dará uma idéia do que fazer. Chame três homens. Vou para a superfície, preciso falar com ele.

Alta Floresta…

Injitus saiu através de uma fresta do caule de uma árvore bem anosa que perdia seiva abundantemente.

Quando se transformou em humano novamente, usou seus poderes para recuperá-la.

– Obrigado amiga, por me ajudar mesmo doente. Vou agora te recuperar. Mas o que aconteceu para esse buraco se formar em você?

A árvore falou:

– Eu agradeço tanto mestre Injitus. Eu pensei que seria meu fim. Isso aconteceu por causa de um caçador que atirou em mim com um daqueles canos que fazem barulho e acertam a gente.

– Uma espingarda?

– Ele veio até aqui, murmurou algumas palavras e atirou.

– Não se preocupe, você está salva e vai viver ainda muitos anos

Dizendo isso, colocou a mão próximo à fresta e imediatamente a mesma se fechou.

– Você sabe se passaram por aqui alguns seres estranhos parecidos com lagartos?

– Sim eles tem estado em vários lugares ultimamente. Parece que eles querem invadir as suas cidades.

– Hummmm eu bem suspeitava disso. Se algum deles aparecer por aqui me contate e me diga o que conversaram.

– Com todo prazer…eu lhe devo a vida.

E assim Injitus se transformou em seiva novamente e pulou em um buraco na areia para depois entrar na raiz do vegetal mais próximo e seguir viagem.

Horas depois chegava a Castle Rock…

– Preciso agora encontrar o homem que vim procurar.

Vila de Arch…

– E assim o é meus amigos… parece que nosso protetor Injitus não está mais interessado em nos defender. Somente vejo ele conversando com Zhélia. Ele deveria estar aqui conosco, mas parece que  ultimamente ele tem deixado até a Vila de Ophir, seu reduto para outros governarem, um tal de Kitoh. Por mim ele não representa mais nossa vila, mas vocês têm que votar agora.

Com medo de perderem suas moradias na vila, o povo votou contra manter Injitus como seu superior supremo.

Mais tarde…

– Foi tão fácil como tirar doce de criança. Agora eles nos pertencem. Quando os reforços chegarem, mandarei escolherem os corpos para eles invadirem.

– Parece que desta vez vamos vencer o povo da superfície.

Negrume, no dia seguinte…

– Recebi noticias animadoras Vigh.

– O que grande Arbost?

– A Vila de Arch na confluência das águas neagras e brancas é nossa. Hoje mesmo mandarei reforços, e assim poderemos começar a invadir as outras vilas.

– Um grande salve à inteligência de Arbost!

CONTINUA…

Por Alci Santos

CASTLE ROCK – O TERROR DAS PROFUNDEZAS – CAPÍTULO V


Faculdade Castle Rock…

– Milton, posso te pedir um favor?

– Claro Martin diga.

– Se você perceber algo de estranho aqui na faculdade, me avise. E avise para os outros também. Assim vocês vão estar contribuindo em um caso.

– Verdade? Nossa, claro que aviso pode deixar.

– Obrigado, isso é muito importante para que o caso seja rapidamente resolvido.

Martin, a seguir afastou-se para ver se encontrava a criatura. Estava cismado do que vira e com certeza iria impedi-la de cometer atrocidades.

Martin refletiu bastante e chegou a conclusão que a criatura estava se escondendo na faculdade. Ela provavelmente não tinha colocado em prática seu plano pois ninguém ainda tinha desaparecido ou sido encontrado sem vida. Ele estava resoluto em vasculhar a faculdade inteira á noite. Ele pularia os muros e de uma vez por todas encontraria o monstro principalmente porque o mesmo estava em seu reduto: A escuridão.

Três da madrugada…

Um vulto se aproxima do muro esquerdo da faculdade. Joga uma corda especialmente feita para esse tipo de incursão. Facilmente sobe até o topo do muro, porém dá de cara com arame farpado reforçado dividido em sete fios. Nada que seu alicate de fazendeiro não corte. Haverá algum grau de dificuldade apenas pelo número de fios, mas para Martin isso não é nada.

Após o corte dos fios, o detetive mudou a posição da corda e desceu para dentro do campus.

– Pronto. Agora ligarei a lanterna para que possa ver onde ponho os pés. Esta noite não tem lua e está um breu – murmurou.

Martin resolveu então inicialmente vasculhar por dentro dos prédios da faculdade. Resolveu iniciar pelo prédio central.

Depois de vasculhar todos infrutiferamente…

– Mas que tolo eu fui. Essa criatura com certeza está abrigada  na escuridão. Nunca iria ficar em locais com possibilidade de luz.

– É muito estranho também a segurança não estar por aqui. Pensei que ia ter problemas com eles, mas sumiram.

Dizendo isso Martin saiu para a parte externa do campus. Agora estava em campo aberto e teria que ser muito prudente, ou poderia ser atacado pela criatura, isso se fosse apenas uma.

Dirigiu-se então para a parte traseira do prédio central. Já estava quase indo para outro prédio, quando ouviu um barulho como alguém sugando algo. Notou então uma porta aberta no prédio vizinho dentro reinava a mais completa escuridão. Martin aproximou-se e regulou sua lanterna especial à claridade máxima que corresponde à luz bem forte daqueles faróis de milha de automóveis.

– Vou me aproximar da porta e surpreende-lo com a luz.

Quando se aproximou da porta, ao olhar para o escuro, sua visão noturna foi ativada.

Martin quando luta contra seres não convencionais, automaticamente ativa inconscientemente um pacote de poderes, já que é filho de uma mutante com um humano.

Essa visão noturna é um desses poderes, de acordo com que for aparecendo os outros, vamos dando mais informações.

Ao olhar para dentro, Martin visualizou uma cena dantesca.

– Diabos, a criatura está se alimentando, e o pior, é que é de um ser humano. É como eu pensava. É uma das malditas criaturas do negrume, a parte escura do rio Castle Rock.

A fera estava com suas presas inseridas no pescoço da vitima  estando a criatura em êxtase. Quanto mais a criatura bebia o sangue, mais aumentava aquele estado.

O corpo da vitima estava já inerte e totalmente pálido, pela falta de sangue. Quando a criatura retirou as presas do pescoço do homem, pareceu ficar bastante irritada pelo fato do sangue ter acabado e a empurrou o corpo fazendo-o estatelar-se no chão.

Foi quando Martin se fez notar ligando a lanterna no máximo e direcionando a criatura:

– Finalmente depois de dias, te encontrei, criatura bisonha.

As criaturas do fundo do rio tinham a aparência de lagartos de cor marrom do tamanho de homens.

Podiam usar tanto as presas como a cauda para atacar e defender-se. Sua pele era rugosa e dura, o que dificultava a luta de seu adversário.

– Não adianta grunhir nem tentar fugir. Eu quero respostas. O que você está fazendo aqui na faculdade?

Apesar de grunirem bastante, essas criaturas tem grande inteligência.

– Desta vez  seu intrometido, seu povo vai ser subjugado pelo grande Arbost.

– O que Arbost esta tramando dessa vez? – perguntou Martin perplexo.

– Hoje as vilas do Elemental Mestre estarão todas tomadas e ele será aprisionado. Já estamos tomando a parte clara do rio e logo Castle Rock será nossa ahahahahahahahahaha!

– Você sabe que não vai vencer essa luta criatura maldita, então facilite e entregue-se.

– Os guerreiros do grande Arbost, nunca se entregam – murmurou a criatura

–  Então prepare-se para sua destruição!

Martin estava irreconhecível.

CONTINUA…

Por Alci Santos

SEU JUCA – 10 ANOS DEPOIS – CAPÍTULO V – FINAL


Dia seguinte, quarto da cabana de Seu Juca…

– Quer um energizante?

– Quero sim, Juca meu amigo –falou o elemental da floresta.

– Aconteceu alguma coisa ontem, para vc perder as forças? – perguntou Seu Juca curioso.

– Tive um embate com um elfo, mas fui achar que já tinha ganho e ele sugou minha energia com uma gema, quase que eu passo para o outro lado, tive que me atirar no rio e pedir a ajuda da Lady das Águas- disse o ser.

– Belo nome para tratar a Iara – disse rindo. Bom, com esse globo que tenho aqui você terá energia suficiente para dois anos. Mas quando recuperar a sua, guarde essa, porque está difícil conseguir a matéria prima para ela.

– Tudo bem Juca, meu amigo eu seguirei seu conselho.

– Gostaria de falar com você sobre uns pesadelos que venho tendo ultimamente.

– Pode falar, Juca.

– É que tenho uns pesadelos com ferraduras.

– Ferraduras, nossa, espero que não vá virar um burrico – brincou o elemental.

– Pare com isso, tenho que descobrir o que significa – disse Seu Juca apoiando a mão na testa.

– Você sabe que isso é proibido  entre os elementais né? Mas para você que me ajuda muito eu faço, mas não comente isso com nenhuma outra criatura.

– Segredo nosso. Está perdendo a confiança em mim?

– Não Juca, mas quanto menos se comentar, menor será o risco. Se descobrirem, serei banido dessa existência e passarei a ser um objeto inanimado na natureza, como uma pedra por exemplo.

– Fique tranqüilo, que você não correrá esse risco.

O elemental sentou-se no chão e entrou em transe. O ambiente no quarto sumiu dentro de um novo ambiente e apareceu uma terra, onde reinava a escuridão, mas nada daquipo podia ser tocado. O elemental apareceu ao lado de Seu Juca quando várias criaturas dantescas apareceram correndo em direção a un local não identificado. Seu Juca tremeu.

– Juca, amigo, não fique com medo, isso não existe, não aqui em nosso planeta, ou nossa dimensão. Essas coisas tem relação com a ferradura, mas ainda não está claro.

De repente:

– Veja, dois homens Juca.

– Ele está usando uma espécie de poder nas criauras, o outro usa o computador para combatê-las.

– Engraçado, isso aqui parece a terra, mas não é.

De repente a visão desapareceu e apareceu a visão de vária ferraduras em brasa caindo do céu e a certo ponto do cão elas giraram e ficaram de “cabeça para baixo”, parecendo um sinal de intersecção.

– Olhe só estão se complementando os pés da ferradura e…

– Juca , isso não é uma ferradura, mas sim a letra grega ômega.

Assim que o elemental terminou de falar, tudo sumiu e devagar o cenário do quarto na cabana foi se restabelecendo.

O Elemental saiu do transe, mas não ficou exausto.

– E a visão o que era? – perguntou Seu Juca.

– Eu não tenho idéia, mas pareceu-me haver uma tremulação no véu de energia invisível que separa as dimensões, mas não sei o que tem a ver com seu sonho amigo Juca.

Na mesma hora, na estrada para a capital do estado de Pernambuco…

– Tio o Sr. acreditou naquele velho louco? – perguntou Rosa sentada no banco do carona.

– Claro que não, querida, a vida no interior faz com que essas pessoas tenham essas idéias na velhice.

– É verdade. Imagine que quase acreditei quando Dona Marieta chegou lá e falou que eles eram irmãos.

– Pois é, Rosa, certas coisas jamais poderão ser sérias.

– Onde o Sr. foi de manhãzinha?

– Fui assinar o contrato do meu mais novo livro.

– Aqui em São Bento da Trindade? Não acredito.

– Pois é – falou Valeriano sem jeito.

 O que ele teria ido mesmo fazer de manhãzinha em que lugar?

– Ei tio pára, pára, pára, pára pára o carro. Olha quem veio aqui.

Rosa saiu do carro correndo e pulou no homem que havia chegado. Deu um abraço e continuaram a conversar.

– Pois é Lucivaldo, fiquei feliz que você tenha vindo me buscar, imagine a volta para a capital com o tio Valeriano dirigindo.

Rosa gritou para Valeriano segui-los de carro após entrar no Subaru de Lucivaldo.

– Essa menina está impossível – disse Valeriano pegando uma pasta que estava em cima do banco traseiro de seu carro.

– Ai ai, essa juventude de hoje…mas não posso reclamar, ela mesmo sem saber, me deu um grande presente.

Nas mãos de Valeriano, um contrato assinado por Seu Juca autorizando a publicar sua próxima obra de ficção. Será que é ficção mesmo? Pergunte para Seu Juca em São Bento da Trindade.

SEU JUCA – 10 ANOS DEPOIS – CAPÍTULO IV


– Como pode? Depois de tanto tempo? – estranhou Rosa.

Seu Juca sem se alterar falou de maneira bastante franca:

– Querida graças aos céus tenho uma cabeça muito boa, chamamos de “memória fotográfica”. Quem a tem não esquece quase nada.

– Então se lembra do que me falou quando eu tentei entrevistá-lo aos meus treze anos? – Perguntou Rosa de uma maneira irritada.

– Claro, lembro como tivesse dito hoje mesmo. Falou Seu Juca.

– E porque disse aquilo? Porque mentiu para uma menina que só queria fazer seu dever de casa?

– Na verdade, eu queria que você contasse para as pessoas, porque elas não acreditariam em uma palavra do que você dissesse, tanto que, nem você acreditou, mas eu disse cem por cento de verdade. Eu disse que era meio extra-terrestre e que tinha contato com seres elementais. Falei a verdade.

– Ah é? E onde estão esses seres ? – perguntou Rosa sem acreditar.

– Um deles está ali naquele quadro – falou Seu Juca mostrando um quadro na parede com uma pintura surrealista.

– Estou vendo apenas um quadro ali – falou Valeriano tentando entender o que estava pintado no quadro.

– Bom eu falei a verdade, se quiserem acreditar bem, se não quiserem, não acreditem.

– Rosa perdendo a paciência falou:

– O Sr. é doido mesmo como as pessoas estão cansadas de dizer e colecionar globos de neve.

Seu Juca que não queria brigar, respondeu:

– A criatividade das pessoas quando é alimentada por boatos é bem grande hem?

– Não entendo como o Sr. diz isto se fala coisas sem nexo para as pessoas – retrucou Rosa.

– A falta nexo está no fato de você nunca ter visto o que eu falei. Se algum dia você o vir vai acreditar em mim – disse Seu Juca sinceramente.

– Conversa, o Sr. até enganou Dona Marieta. O que o Sr. fez para ela? – disse que atravessou o mar vermelho em uma nave espacial?

 – Não fiz nada para Marieta, apenas contei para ela que era minha irmã, como uns elementais me contaram, mas ela não acreditou. Acho que ela não se lembrou do tempo que passamos juntos antes dela ser raptada.

– Tome tento seu velho caduco pare de enganar as pessoas é que é – disse Rosa destratando o meio- homem.

– Olhe moça, eu estou conversando educadamen…

De repente alguém entra na cabana.

– Pare essa menina! Ele é meu irmão sim. Eu consegui lembrar de certas coisas de nossa infância e elas dão muito certo com esse velho. Ele é velho sim, mas só na pele, mas a cabeça é diferente de qualquer uma nessa terra que todos vivemos. Ele não envelhece – Dona Marieta falou entusiasmada.

Seu Juca esboçou um sorriso maroto e disse:

– Então finalmente se lembrou Marieta.

Logo em seguida os dois abraçaram-se durante o tempo sobre os olhos incrédulos de Rosa e Valeriano. Então Dona Marieta explicou:

– Em um dia que nós catávamos frutas para a sesta, você se afastou um pouco da clareira  e pouco depois chegou um casal e me levou a força para morar com eles. Eles andavam sempre armados  e eu fiquei com medo de tentar fugir e fiquei morando com eles até morrerem trinta anos atrás.Durante o tempo da guerra perdi meu marido. Desculpe eu ter lhe destratado Juca.

– Não se preocupe irmã, naquele tempo todo não sabíamos que éramos manos – falou Seu Juca com lágrimas nos olhos.

Vendo que era demais para sua cabeça, Rosa saiu correndo da cabana. Valeriano foi atrás, mas disse que voltava para falar algo com Seu Juca que aceitou. Quando  a porta da cabana foi fechada, o elemental que conversava com ele na floresta saiu do quadro que estava na parede.

– Mas que confusão – falou o ser de energia.

– Que nada, o problema é que ela não acredita. Não permite que haja outra possibilidade do que ela acredita como certo. Mas é melhor que ela ache mesmo que sou louco para nem aparecer mais aqui hehehehehe – disse Seu Juca Sorrindo.

Marieta perguntou o que era aquilo tão bonito e tão colorido e Seu Juca explicou para ela o que era um elemental. Levou o resto todo dia, mas explicou, agora se ela entendeu, são outros quinhentos.

SEU JUCA – 10 ANOS DEPOIS – CAPÍTULO III


Caso não recorde das partes anteriores, leia aqui como tudo começou

o prólogo, a parte I e a parte II

======================================================

-E parece que no dia que vosmecê me disse tudo, me tirou metade do peso que eu levava sobre minha cabeça. – falou seu Juca.

– Juca eu fico feliz que você se sinta assim. Eu tinha que contar porque você é um grande amigo dos seres mágicos e elementais existente nesta floresta e posso dizer que você faz parte de nossa evolução.

– O meu pai encontrou aquele elemental que o salvou a vida, não foi isso?

– Sim, seu pai estava envenenado por fungos venenosíssimos. Da forma que ele se encontrava, mesmo ele sendo extraterrestre tivemos que usar a magia elemental.

– Mas porque ele resolveu viver em São Bento? Era uma pequena cidade naquele tempo.

– Pelo que soube, sua nave se avariou e ele passou a viver com os humanos para ver se conseguia material para fabricar peças. Ele levou anos para conseguir, já que o material da terra era impuro. Isso quem me disse foi um amigo meu que também era conhecido dele.

E foi ai que ele conheceu mainha? Ela se chamava Simone.

– Sim, no começo ele teve que mudar sua forma para a forma humana que não tinha quase diferença. Apenas a cor era meio marrom-esverdeada.

Enquanto isso, em outro lugar…

– Era por aqui sim tio – disse Rosa tentando achar o caminho para a cabana de Seu Juca.

– Não estou muito certo disso rosa, o celular já está saindo do alcance das torres – disse Valeriano já cansando.

– Se quiser voltar tio, não tem problema.

– Vou continuar Rosa, ora se vou perder uma história.

– Tio, o senhor está cada vez pior com seus livros. Qualquer coisa que escrevesse ganharia muito dinheiro.

– As coisas não são bem assim Rosa – falou o tio da moça sorrindo.

De volta à Floresta…

– Mas porque quer que eu conte de novo Juca? Você já não sabe? Disse o elemental.

– Sim, mas gostaria de ouvir novamente, é muito difícil alguém me contar algo assim.

– Tudo bem. Sua mãe casou-se com seu pai sem saber que ele era de outro planeta e mesmo assim, tiveram dois filhos. Um menino e uma menina. Você nasceu primeiro. Seu pai aproveitou para usar aparelhos extra-terrestres em você que estimularam sua inteligência, já que você tinha nascido de uma cor estranha, mas no inicio ele disse a sua mãe que era uma doença, mas ele conseguiu fixar a cor humana em você. A sua irmã não nasceu extra-terrestre e sim terráquea. Seu pai aceitou bem e passaram a viver muito bem. Quando seu pai contou a sua mãe que era de outro planeta ela disse que tinha uma certa desconfiança, mas ela aceitou.

Sua irmã era impedida de subir na nave espacial.

Quando a nave ficou pronta, ele recebeu ordens de retornar imediatamente e foi então que aconteceu algo surpreendente. Ele forçou todos a irem para a nave.

– Foi a fuga? Perguntou Seu Juca.

– Sim, seu painho programou a nave para partir em uma noite linda exatamente á meia-noite. Ele se trancou na cabine de pilotagem e você com medo foi até o quarto onde estava sua mãe e sua irmã. Então você que costumava a freqüentar a nave, colocou uma máscara anti-gás e soltou no recinto um gás que as fez adormecer. Você pegou sua irmã exatamente no momento que a nave se preparava para decolar e conseguiu sair por um local de escoamento de emergência, mas a nave não voltou para a terra.

Você e sua irmã passaram a viver de frutas na floresta, mas um dia sua irmã sumiu.

Longe dali…

– Veja tio, ali está a cabana – falou Rosa correndo até a mesma.

Ao chegarem, Rosa bateu na porta e ninguém atendeu. Foi até aos fundos e bateu novamente e nada. Quando voltou para frente, bateu novamente na porta e a mesma cedeu e ficou entreaberta.

Rosa e seu tio entraram e notaram que era uma cabana simples sem nada demais.

Há muitas léguas dali…

– A partir daí eu me lembro bem – disse Seu Juca com os olhos brilhantes.

– Então conte – disse o elemental sorrindo.

– Eu a procurei por vários lugares, até que um dia tive que desistir. Não achava que a encontraria. Anos depois tive meu primeiro encontro com elementais que me reconheceram do tempo do meu pai, apesar de não ter contato com eles.

Passei a fabricar um material que eles me apresentaram em uma receita. Disseram que meu pai fazia isso para eles, mas eles eram proibidos espiritualmente de fazer aquilo por serem de culturas diferentes, mas se fosse dado por outra pessoa, eles poderiam tomar.

– Você fala do peyo? Perguntou o elemental.

– Isso mesmo. Graças a ele vocês podem se energizar até hoje – Disse Seu Juca. Em troca recebo alguns poderes passados pelos elementais.

– É verdade, as duas partes se beneficiaram – disse o elemental.

– De uns tempos para cá estou tendo uns pesadelos – disse Seu Juca.

– Depois continuamos nossa conversa, pois senti que alguém invadiu sua cabana.

Na cabana…

– Não tem ninguém aqui Rosa, é melhor voltarmos.

– De jeito nenhum, nem que tenhamos que esperar até a noite – disse ela resoluta.

– Querida, seja razoável, não sabemos se o homem voltará hoje.

– Tio, eu não vim de tão longe para voltar de mãos abanando. Vamos esperar.

Neste momento Seu Juca  voltava da floresta. Notou os dois na casa e manteve o bom humor.

– Bom dia, em que posso ajudar vosmecês?

Rosa e Valeriano ficaram constrangidos por terem sido encontrados dentro da casa.

– Não se preocupem, não estou zangado por vosmecês terem entrado.

– Desculpe, a porta estava aberta e entramos, coisa que não deveríamos ter feito – falou Valeriano.

– Não tem problema, mas vosmecês devem estar aqui por algum motivo. Qual? Perguntou seu Juca ficando um pouco mais sério.

Rosa engoliu em seco, tomou a frente e falou:

– Quando eu era pequena eu conversei com o Sr., ou melhor eu o entrevistei.

– Eu me lembro, eu a reconheci.