O HOMEM DE TRÊS BILHÕES DE DÓLARES – CARGA EXPLOSIVA – PRÓLOGO


Manhattan, Estados Unidos da América.

Mais um dia desponta na grande ilha. Grandes heróis e vilões estão ocupados seguindo suas carreiras de fachada para que possam verdadeiramente agir na noite.

– Peter, esconda-se, a luta vai começar. Se eles nos virem aqui vamos perder a chance da reportagem.

– Jane não sei porque você sempre diz isso, parece que tem medo de agir em campo.

– Ao contrário, tenho medo que ele lhe faça algum mal, assim a culpa de tudo vai recair sobre mim quando foi você que me arrastou para cá.

– Você não quer saber a verdade? – perguntou ele olhando fixamente em seu rosto.

– Que verdade? Tudo o que temos são aquelas mensagens anônimas que recebemos pelo correio. Como saber se é verdade, mesmo que eles lutem?

Dois homens se encontram em uma pequena praça. Parece que um está a favor da lei, e outro contra, mas só saberemos, prestando atenção em suas palavras…

– Você não vai me impedir de destruir esta cidade. Falou o homem maior.

– Já estou cheio de psicopatas tentando destruir a cidade. Se você não pára por bem então será por mal.

– Então tente me impedir – falou o homem que chegava perto dos dois metros e meio de altura com músculos imensos. Seu nome era Sabag. Sua motivação, porém era um mistério.

– Tenha certeza que farei isso – falou Kit. Ele faz parte da policia tecnológica que luta com pessoas e criaturas do mal que a policia comum não tem acesso.

– Pois então se prepare para ter a cabeça arrancada – falou Sabag dando um passo a frente e seguiu pulando até o policial.

Kit sentiu seu corpo prestes a ser esmagado, como em um abraço de uma sucuri.

– Parece que você não contava com meu abraço mortal.

Kit em um movimento desesperado, tentou pegar sua poliarma. Ele ajustara antes para a mesma emitir ondas sônicas que causariam um choque muscular no bandido. Mas ele também sofreria. Foi então que sem poder mexer o resto do corpo conseguiu que um dedo chegasse ao coldre.

– Sinta agora o poder da lei! – exclamou Kit puxando o gatilho.

De repente um som estranho ecoou como se um motor a jato estivesse sendo ligado e de repente os dois homens começaram a tremer e caíram ambos no chão.

Ficaram lá por um tempo até que Kit se recobrou primeiro.

– Kit pedindo reforços para central. O fora-da-lei chamado Sabag foi detido, mas preciso de ajuda pois ele pode acordar a qualquer momento e eu tive que usar a poliarma.

– Entendido! Onde se encontra neste momento? – perguntou o homem do outro lado do rádio.

– Estou próximo ao estacionamento principal do Central Park. Envie com urgência reforços.

Neste momento, Sabag recobra-se e ataca Kit lançando-o longe.

Perto dali…

– O cara não é nenhum ciborgue, e sim da policia tecnológica. Eu sabia que ia perder tempo dando ouvidos a você Peter.

– Desculpe Jane, mas a gente tinha que investigar. Se assim não fosse ainda estaríamos pensando que ele era mesmo um ciborgue como a mensagem anônima havia citado.

– A partir de agora, temos que descobrir quem é o engraçadinho que anda nos mandando pistas falsas – falou a moça irritadíssima.

De repente…

– Quem são vocês? – perguntou Sabag pegando no braço de Peter.

O homenzarrão correu e permaneceu puxando-o pelo braço, foi quando um raio de energia apareceu do nada e atingiu os dois homens.

– Peter! – exclamou Jane saindo de detrás de uma moita e correndo na direção deles. Ao chegar perto:

– Peter você está bem? – perguntou ela

Então repentinamente acontece algo estranhíssimo:

– O corpo de Sabag! Sumiu sem mais nem menos após um clarão.

Neste momento Kit e outros guardas da policia tecnológica chegam…

– Central, por favor mande uma ambulância para nossa posição.

– Imediatamente senhor!

– Ei Moça, onde está o gigante que passou por aqui? – perguntou Kit

– Você não vai acreditar, mas ele sumiu no ar

CONTINUA…

Obs: O Homem de 3 Bilhões de Dólares permanecerá com sua origem inalterada, mas a sequência será reformulada daquela que foi criada anteriormente, porém não publicada.

Por Alci Santos

UNIVERSO RUGOSO 2 DE 2 – FINAL


Maxwell tinha uma admiração secreta por Marta. Ninguém sabia (ou pouca gente sabia), mas ele era encantado por aquela tentativa dela de fazer desmoronar a física quântica, de fazê-la deslizar na lama das teorias absurdas. Quando ele ouviu uma breve descrição explicando aquele resultado da simulação, quase que se esqueceu da próprias idéia que pretendia provar.

– Então você afirma, Marta, que esta dualidade onda-partícula é sempre fictícia?  Que só interpretamos sua trajetória como propagação de onda por uma falsa interpretação do fenômeno?

– Isso mesmo, Max!  Elétron sempre é partícula. Afinal, o que um é uma onda?

– Uma entidade que varia sua manifestação como tempo, que EXISTE e DEIXA DE EXISTIR várias vezes por segundo, milissegundo, ou… bom, como você mesmo disse: sei lá!

– Quando percebi a vibração do carro aumentar em frequência e diminuir em amplitude com o aumento da velocidade, tudo ficou claro para mim!! Embora não exatamente da mesma forma, o fato do elétron passar a se comportar como onda não representa uma metamorfose concreta de onda virando partícula. O elétron sempre é partícula! A baixa velocidade, (se é que é possível colocar um elétron a baixas velocidades!) ele se comporta como todas as outras partículas convencionais, acompanhando as rugosidades do Universo. Ma se ele começa a ser deslocado em velocidades maiores, ele passa a “saltar” por inércia as imperfeições do nosso plano espacial, atropelando sua rugosidade. Começa a, vários milhões de vezes por segundo,  existir e não existir, cruzar e “descruzar”  nosso “plano rugoso” detectável, e interpretamos isto como manifestação de onda. Conclusão muito  precipitada!

Não dava para negar a genialidade de Marta! Mas a idéia de Maxwell ainda era mais excitante,  e tinha uma correlação absurda com a dela.

– Você deve saber o que  é a “Matéria escura”, não é Marta? Aquela que  eu sempre a tentei localizar. Pois agora, se você me permitir, vou te mostrar onde foi que achei este excesso. Você vai concordar quando conhecer minha explicação. Caramba!!! Esta sua idéia de espaço multidimensional aplicada à mecânica clássica caiu como uma luva, garota!!!

A admiração, mais ainda, a paixão deveria continuar sendo platônica. Maxwell acreditava que qualquer tentativa de ir além disso acabaria desastrosa…

Marta também admirava Maxwell! Também sendo uma paixão secreta, ela não queria que isto ficasse evidente para ninguém! Esconder a matéria não-observável do Universo em meio às rugosidades do espaço-tempo convencional? Era simplesmente um toque de gênio!

– Você diz então que as coisas são maiores do que  aparentam! Que a galáxia tem mais de mil vezes a massa que observamos, só que ela está… como você disse mesmo?

– Ela está “amassada” nestas dimensões espaciais adicionais! Como se fosse uma enorme folha de papel reduzida a uma bolinha minúsculas.

– Que, inclusive, seria a tendência natural das coisas. A natureza é econômica, sempre tenta ocupar seu lugar da melhor maneira possível…

Ela praticamente havia dado uma rasteira nas bases da física quântica. Mas aquilo que Maxwell pretendia demonstrar parecia tão bom quanto!!!

– Chega aí, Maxwell! Eu posso te ajudar a parametrizar esta sua simulação! Você conseguiu me convencer da importância dela, Oh Grande Mestre do Universo!!!

Ficava claro para Marta a satisfação de Maxwell a cada novo número rolando pela tela, resultado de sua simulação.

– Fantástico, Marta! Eis aí a “Matéria Escura”. Exatamente onde está toda a matéria observável! Só não tínhamos ainda procurado direito!

– Maxwell, mais incrível ainda é nós dois termos a mesma idéia, mas cada um usando-a para explicar uma coisa diferente! O espaço rugoso é uma explicação boa tanto para você, pois mostra onde se esconde a matérias “excedente” do universo, quando para mim, ao explicar por quer corpos a alta velocidade começam a se comportar como onda, existindo e deixando de existir vária vezes por segundo.

– Você ainda não se deu conta de que sua idéia destrói a atual mecânica quântica, não é, Marta?

Ela olha fundo nos olhos de Maxwell. Seria paixão aquilo que ela estava observando? “Não viaja, Marta!!” Ela e Maxwell apaixonados? Era inconcebível esta idéia..

– Max, e você não percebe que acaba de resolver um dos maiores problemas da Cosmologia? Se eu dei uma rasteira nas bases da física quântica com minha idéia, esta sua idéia tapou um dos maiores buracos da Cosmologia, que era localizar a matéria faltante do Universo!

– Não sejamos precipitados! O simulador nos mostrou que existe uma evidência forte de estarmos no caminho certo. Mas nada descarta o experimento real, as provas concretas.

Marta  voltou com Carlos, ao final do dia. Ela até que gostava daquele técnico em computação, sempre apaixonado naqueles assuntos sobre inteligência artificial, aprendizado automático, reconhecimento de padrões… Mas ela nunca entendeu como aquilo poderia ser conscientemente pesquisado por seres inteligentes. Que espécime particular era o ser humano, né? Conscientemente tentando criar um rival evolutivo com o qual ele próprio, seu criador, não teria a mínima chance de competir. Olhou com ternura para Carlos, apaixonantemente pesquisando tais assuntos por pesquisar, sem entender as reais consequências daquilo tudo.

– Carlinho…

– Sim, Marta! Que foi??

Ela deveria ser ousada a tal ponto?? Bom, se não arriscasse, ela nunca saberia.

– Será que a gente poderia fazer um caminho diferente hoje? Hein, gato?

Demorou um pouco para cair a ficha de Carlos. Bom, ele não era de negar fogo! Ficaria até chato ele recusar, tomar uma decisão diferente. Ele tomou a primeira bifurcação à esquerda da via principal resoluto, plenamente consciente do que estava fazendo!

Maxwell estava radiante! Era simples questão de melhor elaborar os detalhes, mas a idéia toda já havia se mostrado válida! Quem diria… a matéria oculta sempre esteve lá onde a observávamos, só que amarrotada em dimensões extras. E, coincidentemente, a idéia servia até para explicar a teoria de Marta. Chegando a seu apartamento, pensou: onde Marta estaria agora? Imaginou ter percebido um olhar diferente lá no laboratório do simulador. Pensou em ligar para ela. Mas para falar o quê?? “Não, Max, não!!! Você está viajando de novo!! Você acha mesmo que ela quer alguma coisa de você??  Como você é besta, hein!!!”

Maxwell disca então para aquele número já bem conhecido

– Alô? Serviço de acompanhantes???

Por David Machado Santos Filho

UNIVERSO RUGOSO 1 DE 2


Aquela estrada ruim sacudindo o carro em movimento realmente estava incomodando muito Marta. Os amortecedores velhos não ajudavam em nada.Por que ele havia insistido em tomar aquele caminho com tanta teimosia? Bom, Marta sempre achou que não se deve discutir com o motorista.

– Poderia acelerar só um pouquinho?

A irritante tremedeira ficou mais intensa, como era de se esperar. Para passar o tempo, tentar esquecer o incômodo, Marta começou a querer adivinhar qual seria a freqüência base em que vibrava o veículo, pulando sobre as imperfeições da estrada mal-asfaltada. Seriam 30 Hertz? Duzentos?

– Estrada ruim, não é Marta?

Ela o fuzilou com o olhar. Quem foi mesmo que lhe havia sugerido seguir a via principal, ao invés daquele atalho esburacado?

– Acho melhor voltarmos e pegarmos a via  principal…

– Está doido! Não vai dar tempo! Já que você escolheu esta porcaria de caminho aqui, vai até o final!

Se encolheu emburrada no banco do passageiro, tentando voltar ao que estava pensando antes da interrupção de Carlos. Seria possível fazer uma avaliação do nível de rugosidade daquela péssima estrada medindo-se de alguma forma a freqüência de vibração básica na qual o veículo tremia? Estatísticamente sim. Sabendo-se a velocidade constante com a qual o carro deslizava sobre a porcaria da estrada, a freqüência básica daquela vibração infernal corresponderia à distância média que separavam os malditos buracos e solavancos do asfalto. Freqüência de vibração e velocidade do carro seriam suficientes para calcular a distância média entre as imperfeições da estrada, seu nível de péssima qualidade. “Mas afinal, por que estou perdendo meu tempo pensando nessas besteiras?” Percebe então que a freqüência das vibrações diminui, e a amplitude fica mais intensa.

– Você reduziu? Não vai dar tempo de chegar! Se você me fizer chegar atrasada na minha apresentação eu te mato!

Carlos não era doido de discutir com uma física quântica estressada, e por isso mesmo pisou fundo. Era impressão de Marta, ou o carro havia parado de sacudir tanto?

– Ei!! Não precisa exagerar!!

– Tá com medinho, é?

Lógico que estava! Um velocímetro encostando nos 200km/h assusta qualquer um!

– Hehe, o carro nem vibra mais, percebeu Marta?

– Lógico! A esta velocidade estamos passando praticamente voando sobre os buracos!

Marta ficou muda. E não mais falou durante todo o resto da viagem. Aquele seu comentário inocente, do carro voar sobre os buracos… explicava tudo!!! Estava aí a solução do seu problema! Mal via a hora de chegar no  auditório e apresentar logo seu último e chatíssimo estudo sobre partículas subatômicas. Sim, ela iria resumir um pouco, tirar partes pouco importantes da apresentação como a Fórmula de Plank, por exemplo… Queria ir logo ao laboratório para colocar à prova aquela idéia no simulador, pois sabia sempre existir uma enorme fila de pesquisadores querendo usar o sofisticado simulador de processamento paralelo.

Ah, e a propósito: eles conseguiram chegar a tempo para a  apresentação!

Mais uma vez Maxwell amassou com raiva a folha de papel na qual fazia seus cálculos, tentando ajustar os dados novos do radiotelescópio. As contas não batiam! Onde estava aquela matéria escura do universo que ninguém conseguia localizar? Em que lugar se escondiam os 99% de massa que éramos incapazes de observar? Vagavam como neutrinos no espaço entre as galáxias? Maxwell sempre se recusou a acreditar nisto, e foi o motivo de brigas intermináveis com seus professores na época em que se graduava como astrofísico. Ele não se conformava com este fantasma da Matéria Escura. Nada disso, esta massa adicional tinha de estar lá mesmo onde estávamos observando, nas galáxias, nebulosas, quasares, e todo o resto do universo visível. Só não tínhamos procurado direito ainda.

Tira outra folha em branco da pilha. “Então vejamos: se considerarmos o efeito de lentes gravitacionais côncavas, poderíamos concluir que a imagem que observamos desta galáxia longínqua deve ser bem menor do que a galáxia é na realidade. Digamos, dentro de margens de segurança, que a lente gravitacional reduza a imagem da galáxia pela metade. Assim ela é duas vezes maior do que a vemos, tendo então um volume 8 vezes maior, sendo que temos agora, após corrigida, uma massa real de cerca de… Não! Que coisa, não deu certo de novo!!! Cadê esta massa toda escondida?”  Mais uma folha de papel que é amassada até se tornar uma bolinha de celulose minúscula, atirada com fúria num cesto repleto de outras bolinhas semelhantes.

Maxwell decide dar um tempo. Olha para o cesto, e pensa: “Reciclar, reciclar…”  Pisa sobre o topo, amassando as bolinhas de papel. Comprime o máximo que consegue. Vira então o cesto, e dentro dele sai uma massa cilíndrica compacta formada de centenas de bolinhas de papel amassado. Todas as suas tentativas frustradas anteriores de tentar encontrar a massa oculta do universo. Tenta compactar ainda mais o bloco, mas não consegue reduzir muito o seu volume. “Reduzir uma folha de papel em uma bolinha era bem eficiente”, pensou Maxwell, “Afinal estou transformando um corpo praticamente bidimensional num tridimensional. Mas reduzir uma massa tridimensional compacta? Isso já é bem mais difícil, preciso aplicar uma pressão gigantesca para reduzir muito pouco o volume original.”

Enquanto continuava em seu esforço na compactação da massa de bolinhas, os olhos se arregalaram observando um ponto perdido, e uma idéia muito boa de tão doida lampejou em sua mente: “E se eu tivesse dimensões de espaço adicionais nas quais pudesse continuar dobrando um bloco compacto de matéria tridimensional? Quanto conseguiria compactá-la?”  Saiu correndo feito um doido de sua sala, em direção ao laboratório do instituto onde havia aquele potente simulador físico no qual poderia colocar sua idéia maluca à prova.

Era difícil acreditar numa pesquisadora de física quântica que duvidasse da dualidade onda-partícula dos corpos. Mas Marta era assim. Muitos diziam até que ela só se formou em Física Quântica na esperança de tentar derrubar de uma vez esta hipótese absurda. Poderíamos vê-la como uma física clássica que, vendo sua rival quântica ganhando cada vez mais espaço, decide estudá-la só pelo prazer de descobrir buracos na teoria por onde ela pudesse ser derrubada de uma vez por todas. Esta era a Marta, satisfeita com os resultados de sua simulação. Os números que piscavam nos mostradores eram ainda melhores do que ela previa no início! Será que ela conseguiria alocar algumas horas no concorrido acelerador de partículas para estudar aquilo na prática.

– Ah não!! – Maxwell entrou ofegante na sala. – Não acredito que você esta pendurada de novo nesse computador! Preciso testar uma coisa importante, Marta. Vai demorar muito com essa coisinha que está testando aí?

– COISINHA???! Você nem faz idéia do que estou testando…

– Ah, deve ser alguma besteira microscópica, subatômica, sei lá o quê! Minha idéia pode revelar algo bem maior, a estrutura do nosso Universo.

– Oh, Grande Mestre dos Mestres! Poderia espera seu lugar aí na fila como todos nós simples mortais temos que fazer?

Maxwell aguardou, chateado e impaciente. Já que precisaria mesmo esperar, tentou descobrir o que a colega fazia.

– Ué, achei que você não se interessasse pelo mundo das coisas minúsculas…

– Não seja tão chata assim, Marta. Só estava impaciente, certo? E ainda estou…

Marta não conseguia tirar os olhos do monitor. A tabela em sua frente, resultado de uma simulação, demonstrava inclusive a relação de Planck! E tudo isto sem necessidade nenhuma de apelar para explicações quânticas, de ondas virando partículas, trajetórias prováveis, regiões de coerência… Bastava uma explicação física clássica que admitisse dimensões de espaço adicionais, quase imperceptíveis de tão pequenas.

– Não acredito nisso! É fantástico!

Maxwell se aproximou, com veneno na língua, vendo os números tabelados na tela.

– Parabéns, Marta! Você acabou de redescobrir a Equação de Onda de De Broglie! Era nisso que você estava trabalhando? Francamente…

– Lógico que não, Max! Isso aqui é resultado de uma simulação. Obtive sem pressupor nenhuma hipótese quântica, apenas simulando características comuns de mecânica clássica.

– Você não desiste mesmo de tentar derrubar a mecânica quântica, Marta! O que está aprontando desta vez?

Marta olhou bem para seu colega astrofísico. Ela o admirava, dentro da área em que ele atuava. Mas sempre lhe pareceu um esforço inútil ficar especulando sobre galáxias distantes e relações inexplicáveis, quando tínhamos aqui mesmo, no mundo subatômico disponível em qualquer lugar do universo, descobertas inimagináveis, úteis até mesmo para o dia a dia, se entendidas e dominadas.

– Afinal, Max, o que você pretende simular aqui? Sua última idéia de lentes gravitacionais divergentes foi um fiasco! Em que você está pensando agora.

– Acho que descobri onde está a “matéria escura” escondida, Marta.

– Sim, eu conheço a teoria. Que importância tem para nós saber disso?

– Que importância tem??? Caramba, toda a importância possível!!! Saber sua quantidade é que vai determinar se nosso universo vai se expandir indefinidamente, entrar num ciclo interminável de expanção e compactação, ou finalmente acabar colapsando totalmente daqui a algumas dezenas de bilhões de anos, num Big Crunch irreversível. Você me pergunta que importância isso tem??!!

– Daqui a dezenas de bilhões de anos eu não vou mais existir, nem você. Talvez, nem mais a humanidade… Talvez nem vida de forma alguma, um simples acidente temporário em meio à evolução das coisas inanimadas.

– Como você é, hein Marta!!

Max refletiu um pouco.

– Pois bem! Se vida, ou vida consciente, ou, mais ainda, vida consciente inteligente é um fenômeno tão efêmero assim, este é o melhor motivo para tentarmos entender tudo o que se passa a nossa volta, onde estamos, como aparecemos aqui, como podemos mudar as coisas, quais são nossos limites…

– Certo, Max, certo!! Poupe-me de seu sermões cosmológicos!

Maxwell odiava quando Marta interrompia seus devaneios tão inflamados. O fazia se sentir um crente religioso tentando defender esbravejante a sua fé, e ele bem sabia que não era assim! Ele tinha bases para acreditar naquilo que acreditava, bases solidamente científicas. E ele acreditava num ser inteligente (vejam que ao falar de inteligência ele de forma algumas se restringia aos humanos) capaz de compreender o mundo à sua volta em plenitude. Ateu? De forma alguma! Ele nunca o fôra. Mas, sim, ele acreditava num Deus capacitado o bastante para planejar e criar um universo que pudesse evoluir dali em diante usando suas próprias pernas, regido por leis totalmente determinísticas e compreensíveis por seres inteligentes que porventura se desenvolvessem nele, sem necessidade de continuar interferindo o tempo todo na história cósmica. Isto era inclusive conveniente! Depois de criar um universo, o liberava para planejar e criar outros universos, já que este que acabara de criar era completamente auto-suficiente. A tal ponto de sua própria existência poder ser negada, sem que isso interferisse de forma alguma em sua criação.

– Esta Equação de Onda de De Broglie você obteve da simulação, e não de forma empírica, observando um experimento real?

– Sim! Totalmente da simulação.

– E que hipóteses você considerou?

– Apenas hipóteses de mecânica clássica, estendidas num espaço de múltiplas dimensões espaciais.

– Múltiplas dimensões? Você está falando de espaço-tempo?

– Nada a ver com espaço tempo. Apenas dimensões espaciais. Nossas três dimensões convencionais, mais algumas outras interferindo microscópicamente… não,nanoscópicamente… digo… picoscópicamente… ah, sei lá qual o termo!! Eu só modelei a mecânica clássica funcionando num espaço tridimensional não-contínuo e liso, e sim com rugosidades a nível subatômico impoerceptíveis na direção de dimensões espaciais extras…

Maxwell não podia acreditar! Aquela idéia se encaixava como uma luva na simulação que ele pretendia fazer de objetos tridimensionais amassados em dimensões adicionais!

– Pode me passar esta parte do simulador responsável por simular este espaço multidimensional? Sõ para eu não precisar começar minha simulação do zero?

– Lógico Max! Mas… que se passa nesta sua cabeça?

– Bom… Digo depois de você me revelar o que é que você nestá testando aí!

CONCLUI A SEGUIR…

Por David Machado Santos Filho

ALIEN


Sou Íquero, um perfeito elemento alienígena, recriado na Terra, primeiramente em discreto e perigoso laboratorio ! O primeiro na Terra!
Meu papel é especialmente grande: Viver interpretando um bom humano; reproduzir alguns “filhos mistos”; para em breve dominarmos a Terra!
Já estamos agindo: espalhamos as agressões, a violência e a solidão. Não é um horror?! Pois é, amigo. Já dominamos tudo!
Você já sentiu nossa presença ao lado de todos?
Eu sou o próximo para dominá-lo. Espere!!

Por Thera Lobo