E CHEGAMOS AO FINAL DE 2013


Caros Leitores,

Muitas emoções se passaram desde o inicio de 2013 até este fim de ano. Espero que as emoções se mantenham a cada texto que for lançado por aqui no ano que entra.

Feliz 2014

Por Alci Santos

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O CAUSO SÉRIO DAS MALAS


Não é um causo de malas desses que acontecem nas rodoviárias, muito menos nos aeroportos super confusos DE HOJE EM DIA, em que os causos de extravio e trocas das malas rolam soltos.
Também não se  trata de nenhum causo de “serial- killer”, desses seres psicóticos que matam e picam suas vítimas como para uma salada e as escondem nas sinistras malas de viagens.
O causo foi verídico e a mim chegou como um engraçado conto que aqui lhes reconto.
Ela estava em férias e então resolveu fazer as malas ainda meio sem destino.
Tinha um convite e uma carona para ir para a cidadezinha do interior, na casa duma antiga e querida amiga, todavia ainda não sabia como voltaria de lá, mas o importante era chegar , aceitou, e como voltar ficaria para depois. Decerto voltaria de ônibus.
E todos vocês sabem como as mulheres são para fazerem as suas   malas: Com muito cuidado, sempre colocamos a vida e mais um pouquinho dentro delas, tudo do mais preferido, ainda mais quando a carona garante que alguém vai carregá-las pelo mundo, principalmente quando se  trata das antigas e incômodas malas sem alça…ou sem rodas.E foi assim que aconteceu.
Ela viajou para a casa da amiga de carona e na volta despachou sua mala com o mesmo motorista da família. Resolveu que voltaria dias após, de ônibus.
Uffa, assim  sua mala chegaria bem antes que ela, e sem precisar carregá-la, visto que o peso da volta  excedia sua capacidade física de movimentá-la, como sempre acontece.
Detalhe: porque mesmo na mala mais entupida de tralhas da ida sempre sobra espaço para mais alguma compra de novas tralhas da volta, uma roupinha que falta aqui ou o último modelito de sapato no mais alto estilo fashion dali.
Então, com todo cuidado , socou seus apetrechos recém adquiridos na viagem  recomendando ao motorista especial tratamento para sua a mala algo VIP, alguns novos frascos de  perfume, visto que a novidade da  moda adquirida sempre é duma fragilidade extremamemte inovadora.
O que ela não sabia é que o motorista da amiga  estava incubido de  deixar, pelo caminho, uma outra mala de roupas em doação para uma família necessitada, orientando para levar o que não interessasse à famíia diretamente à igreja do bairro.
O distraído motorista, então, desovou as duas malas de idêntico modelo no mesmo endereço de destino às doações.
Putz!
Lá chegando assim me relatou muito indignada o depoimento do motorista:
” Avançaram nas malas! Soube que abriram as duas ao mesmo tempo e foi uma festa! Usaram todos os perfumes.
Em poucos segundos os produtos de  doação se misturaram rapidamente com meus pertences. Todos da casa experimentando euforicamente as minhas roupas mais fashions encantados com o meu gosto tão chique-olha mãe, essa blusa é demais, é da última moda, essa é minha! Meus sapatos desfilaram em todos os pés. Até meu cobertor de  estimação foi motivo de  briga entre as crianças…”
Bem, a última notícia que me chegou dela  é que  estava lá na Igreja junto com o motorista garimpando  alguns de seus queridos e prediletos pares de sapato que não couberam nos necessitados pés da família, como também procurando pelo seu aparelho de chapinha que sumiu… um recentemente trazido junto com as demais  quinquilharias dos “states”.
Eu, com muito cuidado, só ousei lhe perguntar:” e o sapato  de oncinha você doou?
É que sei  que ela tinha loucura pelo seu sapato de  oncinha que carrega para todos os lugares há anos.
Soube que foi o primeiro par a ter novos pés…
“Pensa que ao menos você fez uma caridade fashion!”, tentei reanimá-la.
Causo sério, esse que lhes conto.. Para uma mulher , então…é o fim.
Até que senti na pele o drama dela.
Mas aqui lhes confesso:
Enquanto me relatava o ocorrido com caras e bocas, tentei me segurar para  não chorar de rir da sua divertida desgraça, convenhamos, algo meio que recomendada pela amiga do peito, e obviamnete que pensei em logo transcrevê-la aqui como “o causo sério das malas”.
Cruzes, que maldade a minha…
O motorista, ainda a pedir mil desculpas pelo lapso, por um triz não foi despedido.

Por MAVI

ESPETINHO DE GATO


Lelé conceituado gazeteiro dos Cafundós  vem pousando de churrasqueiro. O cara tem uma banca de revistas no centro histórico, nas vizinhanças do Mercado Central, de certo tempo pra cá, o sujeito quase não vende jornais e revistas. Seu maior negócio é encher a pança dos famintos e embriagar os papudinhos. A cada pinga ou cerveja vendida ele oferece um espetinho. Há muito tempo que degusto o tal tira gosto, mas confesso, ainda não descobri que carne é aquela. Uns dizem que espetinho de gato e outros falam que de filé miau. Será que existem diferenças entre gato e miau?

Por Chiquimribeiro

SOBREVIVENTES – CAP. 17


– Estiveram aqui agora pela manhã – afirmou Ricardo analisando o terreno.

Fábio olhou para o barranco e imaginou a cena.

– Devem ter caído pelo barranco – disse ele.

– É bem certo que sim, veja as marcas.

– Bom, então, ao menos estão vivos – aclamou Rodolfo, mais aliviado.

– Se andarmos rápido, vamos alcança-los antes do pôr do sol – declarou Ricardo.

– Ótimo! Vamos colocar o pé na estrada – incentivou Fábio.

***

– Essa decisão precisa ser bem analisada – dizia Eloísa ajeitando o óculos.

– Droga! Não viram aquele corpo na praia! – retrucou Wilson suando – Aquele é o sinal iminente que precisamos sair daqui.

– Olha, primeiro vamos esperar os outros voltarem e decidiremos por votação o que iremos fazer – sugeriu Amanda.

– Ela está certa – concordou Thais – Uma decisão unanime soa melh0r.

– Droga! Vocês ainda não entenderam o perigo que estamos correndo aqui?! – Wilson passou a mão no rosto.

– Entendemos – disse Amanda – E vamos correr o risco mesmo assim.

– Certo, se essa é a decisão final de vocês, então, aproveitem bem.

Dizendo isto, Wilson levantou-se, buscou uma bolsa com algumas coisas e saiu andando floresta adentro.

– Espere! O que está fazendo?! – indagou Thais correndo atrás dele.

Amanda também correu, porém, Eloísa permaneceu sentada observando.

– Aonde pensa que vai?! – perguntou Amanda, foi quase uma intimação.

– Eu não vou ficar pra morrer – respondeu Wilson – E também não sou babá de vocês. Já que querem tanto ficar, se virem.

– Você não pode fazer isto! – resmungou Thais.

– Quem vai me impedir? – Wilson voltou a andar deixando as duas para trás.

– Não! Não faça isso! Não nos deixe aqui! – gritava Thais em desespero.

– Esquece, não precisamos dele – retrucou Amanda.

– Como não precisamos?! Somos três mulheres sozinhas aqui!

– Fique despreocupada, se alguém aparecer, eu tenho isso – Amanda mostrou o revolver.

Thais olhou-a, engolindo a saliva.

***

Wellington e Nicolas realmente estavam perdidos. Aventurar-se floresta adentro não trouxe nenhum benefício, talvez uma fogueira tivesse sido uma ideia melhor.

– Ainda não acredito que eu estava delirando – falou Nicolas – Tudo parecia tão palpável.

– Você ainda não se esqueceu disto, é?

– Cara, eu estava lá. Foi real e pela primeira vez em tantos anos, tive medo – os olhos de Nicolas estavam distantes.

Wellington parou, cansado.

– Parece até que estamos andando em círculos.

Neste momento, um estalo soou. Nicolas e Wellington abaixaram-se em silêncio total. Infelizmente, em situações como essas tudo parecia ser alguma coisa.

– Será ele? – sussurrou Nicolas.

Os dois estavam atônitos, trêmulos.

– Nicolas! Wellington! Weverton!

Os gritos que soaram trouxeram alívio a eles. Eram vozes conhecidas. Nicolas e Wellington correram e finalmente depois de toda a confusão da noite passada, encontraram um porto seguro: eram Ricardo, Rodolfo e Fábio.

– Oh! Finalmente! – suspirou Fábio.

O mais estranho era perceber como a relação com aqueles estranhos havia se intensificado durante aqueles dias.

– E Weverton? – indagou Rodolfo, aliviado e preocupado.

– Está morto – declarou Wellington, aflito.

– O quê?! – Fábio arregalou os olhos.

– Peraí, explica a história desde o início, porque o Henrique voltou para a praia em estado de choque e até agora não contou nada!

– Aquele maldito voltou para lá?! – exclamou Nicolas, furioso.

– Mas por que toda essa raiva?! Quem me explicar o que foi que aconteceu?! – Ricardo falou autoritário.

– Henrique matou Weverton! – gritou Wellington, com lágrimas – Ele matou…

Todos se entreolharam.

CONTINUA…

Por Naôr Willians

SOBREVIVENTES – CAP. 16


– Ei! Acho que encontrei uma pista! – exclamou Ricardo.

Fábio e Rodolfo correram ao encontro dele,

Ricardo estava abaixado ao lado de uma àrvore, apontando o dedo para uma mancha de sangue.

– Diabo! É sangue! – Rodolfo arregalou os olhos.

– Parece que Henrique e os outros passaram por maus bocados.

– Mas, pense bem – falou Fábio – Eram quatro contra alguém ou alguma coisa, não acha que no mínimo dois teria escapado.

Ricardo levantou-se.

– Depende de como eles reagiram na hora – explicou apontando para algumas trilhas de matos amassados – Ao que tudo indica, na hora do vamos ver, cada um correu para um lado.

– Então, qual delas nós vamos seguir? – questionou Rodolfo, apreensivo.

– Essa aqui – Ricardo apontou para esquerda – Parece que dois seguiram por aqui, nem devem ter percebido que estavam correndo juntos.

Rodolfo e Fábio olharam para a mancha de sangue, a intuição insistia em dizer que havia muito mais nessa história do que eles imaginavam.

***

– Pro inferno! Pro inferno, maldito! Você e sua guangue destruíram o transatlântico e nos trouxeram para cá!

Nicolas sentiu algo frio caindo em seu rosto. Era água. Abriu os olhos e pulou assustado.

– Acorda, cara! – era uma voz conhecida. Era a voz de Wellington.

O rapaz olhou para os lados atônito. Estava no meio da floresta, sujo, machucado e com uma terrível dor de cabeça. Poucos metros a sua frente, um barranco estendia-se ladeira acima.

– Escapamos? – perguntou Nicolas.

– De onde? – indagou Wellington sem entender.

– Do cativeiro onde o retalhador nos prendeu – declarou o rapaz.

– Que cativeiro? Ficou maluco?

– Nós estavámos presos num tipo de porão com correntes e tinha uma mulher morta na minha frente! Droga! Você estava desmaiado, mas, o Wéverton estava lá!

– Nicolas, acho que você bateu a cabeça muito forte. Nós estavámos fugindo ontem à noite e caímos barranco abaixo. Eu desmaiei e acordei agora com você gritando como doido – explicou Wellington limpando a roupa.

– Um sonho?… – Nicolas abaixou a cabeça – Não… Não! Não pode ter sido só um sonho! Era real!

– Isso acontece. Algumas pessoas quando passam por situações extremas acabam tendo alucinações e coisas do tipo. É só uma reação da sua mente tentando organizar seus pensamentos.

Nicolas permaneceu calado, olhando para o chão, como se tivesse sido transportado para outra dimensão.

– Não pode ser – sussurrou consigo mesmo – Aquilo era real…

***

Wilson acabara de sair da cabana de Henrique. Infelizmente, o quadro do jovem não mudara. Logo ao sair, enxergou Amanda chegando da floresta com algumas frutas.

– Acho que encontrei o suficiente para mais dois dias – disse ela satisfeita vindo de encontro ao policial com uma cesta improvisada.

– Estive pensando – declarou Wilson ajudando-a com a cesta – Estamos vulneráveis aqui.

Amanda encarou-o.

– O que está dizendo?

– Seja que for que atacou Henrique e os outros, pode vir atacar-nos também e aqui na praia não temos nenhuma chance de sobrevivência.

– Espera ai, está sugerindo que montemos acampamento na floresta?

– Pense bem, Amanda! Aqui é o lugar mais vulnerável dessa ilha! É apenas questão de tempo até essa pessoa que atacou os outros chegar aqui.

– Mas, indo para floresta estamos eliminando a chance do resgate nos encontrar! – lembrou Amanda.

– O que está acontecendo? – questionou Eloísa aproximando-se.

– Wilson quer sair da praia.

– Como é?

– Somos alvos facéis aqui.

Eloísa encarou os dois. Entretanto, neste momento, o grito de Thais soou pela praia inteira. Sem hesitar, todos correram na direção do som agudo. Encontraram Thais correndo em desespero.

– O que foi?! – questionou Wilson.

– Tem… tem um corpo! Um corpo bem ali!

– Fique com ela, Eloísa – pediu Wilson – Venha comigo, Amanda.

Os dois andaram alguns metros até que viram o corpo de um homem flutuando na água à beira do mar. Se aproximaram e puxaram-o para a areia.

– Conhece? – perguntou Wilson.

– Não – respondeu Amanda.

Neste instante, Wilson enxergou um corte profundo na garganta e vários furos no abdomen.

– Isso não é nada bom.

Amanda olhou-o, um pouco aflita.

– Esse cara não morreu afogado ou com a explosão do transatlântico, ele foi assassinado a facadas e foi recente… acredito que ocorreu tudo essa noite…

Os dois se entreolharam e engoliram a saliva.

CONTINUA…

Por Naôr Willians

SOBREVIVENTES – CAP. 15


– Tudo bem, pessoal – começou Wilson – Precisamos fazer um racionamento de comida e de água potável. Amanda, sabe como estamos de alimentos?

– Eu verifiquei ontem – explicou a moça – E as notícias não são boas. Temos água até o entardecer e comida até amanhã de manhã.

Todos ficaram chocados com a declaração.

– Droga! – resmungou Wilson – Olha, temos que economizar o máximo possível. Vamos fazer uma cota… cada um vai beber apenas trezentos ml de água por dia.

– Ficou maluco! – retrucou Eloísa – Ninguém consegue sobreviver assim!

– Escuta querida, você acha que estamos no quê? Num Reality Show?! – reclamou Amanda pousando as mãos na cintura.

– Abaixa o tom de voz… – Eloísa arrumou os óculos.

– Estou dizendo que precisamos economizar para durarmos até o resgate – explicou Wilson tentando apaziguar a situação.

– Ele tem razão, Elô – concordou Thais.

Eloísa suspirou, indignada.

– Está bem.

– E só faremos duas refeições por dia – até para Wilson era difícil dizer aquilo – Bem, conto com vocês.

***

Rodolfo achava que estavam perdidos. Já fazia uma meia-hora desde que haviam adentrado naquela floresta, e, no entanto, pareciam estar andando em círculos.

– Escuta Ricardo, tem certeza que sabe para onde estamos indo?

– É claro que sei! Verá agora como eu tenho conhecimentos sobre florestas!

Neste momento, todos pararam espantados, exceto Ricardo que exibia um sorriso convencido.

– O lugar onde encontramos aquela garota numa rede – declarou Fábio um pouco perplexo.

– Nossa! Que incrível! – exclamou Rodolfo – Era de noite e mesmo assim você conseguiu decorar o caminho.

– E agora? Qual o próximo passo? – indagou Fábio.

– Acredito que as mesmas pessoas ou a pessoa que colocou a garota na rede, também é a mesma que raptou Nicolas, Wéverton e Wellington – explicou Ricardo – Então, vamos procurar por vestígios, qualquer coisa que aponte para eles ou ele.

Fábio e Rodolfo balançaram a cabeça concordando. E a busca começou naquele perímetro. Aqui e ali. Esquerda e direita. Norte e sul.

Entretanto, um metro a frente, no alto da árvores, alguém observava-os.

***

Wéverton começou a acordar. Em sua cabeça soava um zumbido agoniante. Não se recordava de coisa alguma. Abriu os olhos pesados. Porém, a cena em sua frente não era nada receptiva. Uma mulher nua com as pernas e boca costurados e o crânio aberto.

– Argh!! – ele gritou percebendo enfim, as correntes em seus braços e pernas – Deus! Socorro, por favor! Por favor! – puxou as correntes em desespero.

– Não adianta – soou uma voz.

Wéverton notou Nicolas preso, assim como Wellington, que permanecia desacordado.

– O quê? – questionou – Que lugar é este? Onde estamos?

– Eu não sei.

– Pro inferno! Eu quero sair daqui!!

– Pode gritar o quanto quiser – retrucou Nicolas – Ninguém vai te escutar. Estamos numa ilha deserta, sozinhos. Ninguém vai nos escutar.

– Como é?! Quer que morramos aqui?! Eu não quero morrer aqui! Eu não nasci para isso!!

– E nasceu para o quê? Para roubar transatlânticos?!

Wéverton, de repente, ficou sério.

– Do que você está falando?

– Olhe para frente e entenderá.

Os olhos de Wéverton foram rápidos e se depararam com três aparelhos televisores. Entretanto, em cada um, passava uma história sobre ele, Wellington e Nicolas.

No televisor dedicado à ele, haviam imagens de Wéverton ao lado dos traficantes, prontos para assaltar o transatlântico Jersey.

CONTINUA…

Por Naôr Willians

SOBREVIVENTES – CAP. 14


Amanheceu rapidamente. Os sobreviventes acabaram caindo num sono profundo devido o cansaço e a quantidade de informações que haviam filtrado no dia anterior. Mantiveram turnos de vigilância durante a madrugada para se assegurar que ninguém adentraria no perímetro. O grande problema é que eles nem imaginavam que o perigo já instalara-se dentro…

– Como foi a noite? – questionou Ricardo se aproximando de Wilson.

O policial estava na beira da praia, deixando os pés serem molhados pelas pequenas ondas que atingiam a areia.

– Tudo muito tranquilo – respondeu Wilson suspirando.

– Precisamos acordar os outros e decidir quem ficará aqui e quem irá conosco para as buscas.

Wilson concordou balançando a cabeça. Limpou os pés e calçou os sapatos.

***

Marcelle Gonçalves não conseguia esquecer dos gritos de seu amigo no corredor. Socorro! Socorro! Tivera pesadelos horríveis sobre sangue, morte e gritos vindos direto do inferno. Por que aceitamos fazer aquilo? Lembrou-se da recompensa. Cinco bilhões. Os olhos de ambos brilharam naquele momento, o coração batendo mais do que deveria. Marcelle calculou com a quantia que tinha na poupança. Dez bilhões. Lambeu os beiços desejando cada nota passando por seus dedos. O dinheiro na poupança era o bastante para viver o resto dos seus dias e ainda deixar para os filhos. Mas, a sede é insaciável. A lembrança vaga do transatlântico Jersey surgiu coberta por uma névoa. Era tudo fácil, entrar, pegar e sair. Por acaso, Deus estaria cobrando o preço? Depois de todos aqueles anos, chegara a hora de pagar?

Lágrimas rolaram quentes pelo rosto da moça. Fazia anos desde a última vez que chorara. E muito mais, desde que chorara se arrependendo. Perdoe-me…

***

Todos estavam reunidos. Era um círculo de pessoas cansadas, abatidas e acima de tudo, preocupadas.

– Como o Henrique está? – perguntou Eloísa.

– Ainda dorme. Pessoal, eu quero apenas dois comigo para começar as buscas – declarou Ricardo.

– Eu irei – disse Fábio, logo de cara.

– Eu também – Rodolfo deu um passo a frente.

– Ótimo. Já vou dizendo que isso não é uma jornada de escoteiros, andaremos rápido para que antes do entardecer estejamos de volta – Ricardo voltou-se para os outros – Vocês, fiquem de olho no Henrique e naquela garota presa. Não se preocupem e procurem andar sempre armados com alguma coisa.

– Peraí – resmungou Thais – Isso aqui é o quê? The Walking Dead? Lost?

– Senhorita, digo isso para seu próprio bem, porque segundo aquela malandrinha ali – Ricardo apontou para Amanda – Tem um maníaco psicopata matando gente.

Thais suspirou inconformada.

– Não temos armas para todo mundo – salientou Eloísa.

– Eu encontrei alguns facões nos destroços. Use-os. Bem, estamos partindo. Ah! Se não voltarmos até o pôr-do-sol mude o local onde estamos acampando.

Cada um cumprimentou o outro e depois Ricardo, Fábio e Rodolfo partiram floresta adentro.

CONTINUA…

Por Naôr Willians