AMAR


A mar é libertar, deixar você fazer escolha,

mesmo que essa escolha não seja eu!

Mesmo assim por tanto te amar

deixo você.

Saudade eu tenho de você…

Você que não ficou desapareceu…

Como que sonhei e idealizei

e não aconteceu…

Por Eme ZinaTTo

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PRA LONGE


Cansei de tanto esperar

Cansei de tanto te aguentar

Você simplesmente me ignora

Cansei desse jeito de ser

Cansei de tanto ouvir você dizer

Que não vai dar, que não vai dar

Eu vou pra longe, pra longe e distante

Te esquecer

Eu vou pra longe, pra longe e distante

De você

Não vou me perder no tempo

Esperando um sentimento

Que não diz nada de você

Vou em busca de alguém

Que me mostre o grande amor

Que eu anseio alcançar

Vou vencer este amor

Não vou me arrepender

Eu cansei de você

Vou pra longe desse abraço

Vou pra longe desse sorriso

Eu quero minha vida viver

Por Naor Willians

A “NOTRE-DAME” DE VITOR HUGO


Satanás passeando — veio um dia
ao mundo sublunar e viu criada
a formosa Esmeralda — doce fada,
vivo sonho de viva fantasia.

Ora o diabo tem queda para a ironia.
— Hei de pregar, disse ele, caçoada
no padre eterno, que não sabe nada,
se não sabe o que é bom em poesia.

Falou desta maneira o Sr. Diabo,
escoucinhando no ar, com um jumento,
coçando a fula orelha e alçando o rabo.

E foi o resultado deste evento
parir ao Quasimodo — que no cabo
com o anjo do Senhor fez casamento.

Por Gonçalves Dias

A BUNDA ENGRAÇADA


A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai pela frente do corpo.
A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas em rotundo meneio.
Anda por si na cadência mimosa, no milagre de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte por conta própria. E ama.
Na cama agita-se.
Montanhas avolumam-se, descem.
Ondas batendo numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda, rebunda.

Por Carlos Drummond de Andrade