O VINGADOR NEGRO – JUSTIÇA TARDIA, MAS INFALÍVEL – EPÍLOGO


D. Gabriel fôra chamado a cidade pois havia chegado uma mensagem no telégrafo.

Entrou no escritório do telegrafo e pegou sua mensagem. Pegou dinheiro para pagar, mas o telegrafista disse:

– Senhor a mensagem já foi paga no ato do envio.

– Obrigado – agradeceu D. Gabriel.

Abriu  o papel e leu a mensagem que dizia em letras maiúsculas:

“ESTOU CHEGANDO EM BREVE PT PASSAREI UM TEMPO EM AUSTIN PT HEITOR”.

D. Gabriel ficou surpreso. Seu grande amigo Heitor da Califórnia estaria chegando em breve. Agora ele teria uma pessoa em quem confiar.

Na noite seguinte, no rancho…

– E foi isso, D. Gabriel. O gado desta vez foi atacado por adolescentes. Eram cinco. Ouvi o que dava ordens dizer para roubarem tudo e me estarreceu uma coisa.

– O que homem, diga logo! – perguntou D. Gabriel curioso.

– A voz era idêntica a de seu primo Alejandro.

D. Gabriel surpreendeu-se como nunca tinha na vida ao ouvir aquilo.

FINAL DE TEMPORADA!

ATÉ A PRÓXIMA!

Por Alci Santos

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O VINGADOR NEGRO – JUSTIÇA TARDIA, MAS INFALÍVEL – CAP.27


Austin…

Fred Mulligan atravessou a rua principal da cidade rapidamente. Ele havia localizado um homem que procurara há tempos. Seu nome era Ship Masterson.

Entrou em um beco estreito onde ouviu um rumor de pessoas conversando.

Ao chegar no fim do beco, Mulligan se surpreendeu com o que viu. Pessoas gritando no meio da rua. Tratava-se de uma aposta entre um negro e um branco e cada um tinha torcida própria não necessariamente negra ou branca.

Mulligan de repente sentiu o cano de um revolver encostar em sua costa.

– Me procurando Mulligan?

– ah!ah!ah! Masterson. Então você me pegou.

– Não me interessa o que fazer com a sua vida Mulligan, muito ao contrário do que você está pretendendo em relação a mim.

– Criminosos são para ser apanhados. Você sabe disso.

– Do mesmo jeito que você sabe que não fiz aquele ato torpe que estão me acusando.

– Masterson, todas as provas estão contra você. Não adianta tentar escapar.

– Eu sei que você não está interessado em minha inocência, pois com ela, você não ganha nada.

De repente um mascarado pula em cima de Mulligan e o soca ferozmente. Quando tenta levantar recebe uma coronhada na cabeça e desmaia.

Masterson assustado, fica paralisado. O Mascarado olha para ele e diz:

– Venha comigo. Precisamos conversar.

-Assim como conversou com o padre falso que matou na diligência? – perguntou Masterson.

– Não ah!ah!ah!. De você quero outra coisa, que dependendo de você poderá te ajudar.

E assim os dois voltaram à rua principal e pegaram seus cavalos e saíram disparados da cidade.

Mulligan depois de um tempo levantou e permaneceu com um galo na cabeça por uns dias.

A SEGUIR: O EPÍLOGO…

Por Alci Santos

O VINGADOR NEGRO – JUSTIÇA TARDIA, MAS INFALÍVEL – CAP.26


O bandido urrou de dor quase não conseguindo levantar-se do solo arenoso. Quando levantou, olhou para o mascarado e disse…

– Seu miserável. Finalmente conseguiu me pegar.

O Vingador Negro retrucou:

– Demorou sim, mas peguei. Ninguém escapa por muito tempo do Vingador Negro! E você não vai escapar dessa incólume. Você merecia muito mais que essa chicotada. Mas vou assistir de camarote a vingança de um pai.

– Como assim? – perguntou Jerry.

– Francisco pode vir.Eu vou deixar você uns instantes com esse imbecil que pensa que pode tudo, mas no fundo, não pode nada. Acho que você merece a chance de dar uns sopapos nele para aprender mais a usar crianças para fazer chantagem.

– Tenha certeza que ele vai se arrepender disso.

O vingador se afastou e deixou Francisco e Jerry juntos para que lutassem. Chamou Lupito para assistir a luta.

– Esse cara nunca vai ganhar do meu pai – disse Lupito.

– Como tem tanta certeza amiguinho?

– Ele era um boxeador quando era mais novo.

O Vingador resolveu observar melhor a luta.

Jerry correu para cima de Francisco tentando derrubá-lo, mas quando chegou perto o bastante recebeu um soco de direita. A lua estava muito bonita nesse dia e deixava quem estava perto ver o que acontecia.

Jerry demorou para se levantar, mas quando estava em pé recebeu uma voadora  que o jogou nas margens do rio desmaiado.

– Pronto vingador. Não tenho mais o vigor de antes mas acho que ele recebeu uma dura lição mesmo com esses poucos golpes.

– Deus me livre de lutar contra você Francisco – disse o Vingador e os três sorriram.

No dia seguinte…

Eu estou muito grato por tudo Vingador Negro. Você será sempre bem-vindo aqui.

Lupito se abraçou nas pernas do mascarado e disse de cabeça baixa, quase chorando…

– Eu não queria que você fosse embora…

O vingador percebeu que o menino se afeiçoara a ele e se acocorou ficando no mesmo nível de Lupito:

– Não fique triste. Nós vamos nos ver muito ainda. E tirou do bolso uma insígnia e deu a ele.

– A partir de hoje você faz parte do clube dos Vingadores. Membro honorário.

 – Obaaaaaa!!!! Viu Pai? Eu sou membro do clube do Vingador!

– Quando precisar estou às ordens.

Lupito pediu para o mascarado o colocar no colo e assim que foi feito, deu um beijo no rosto dele o que fez descer uma lágrima. Depois pôs o menino no chão e seguiu em frente.

Uma hora depois no Posto…

– D. Alvarenga seguirei em frente, mas a cinco quilômetros de Laredo, tenho que parar, pois não é mais minha jurisdição. Se ele tiver passado a fronteira, então nem o Xerife de Laredo poderá ajudar.

– Xerife, eu vou com o senhor. Tenho que encontrar D. Gabriel.

De repente um cavaleiro todo de negro em seu cavalo vai em direção ao prédio do posto e joga um homem que ia na garupa amarrado na frente do imóvel. Em seguida sai em disparada.

Os homens do Xerife ficaram tão surpresos que não esboçaram reação.

– Era o Vingador Negro – disse D. Alvarenga.

O Xerife correu até o posto e viu o homem sentindo dores.

– Ora,ora,ora, se não é o tal Jerry que estamos caçando.

– Xeri-fe… uuuhnnn, ai meu braço… tem um bilhete pra vc no bolso da camisa – disse o bandido.

O xerife abriu o bolso dele e tirou uma pequena folha de papel que dizia:

– Aí está o meliante que lhe prometi. Com os cumprimentos do Vingador Negro.

– Hunf! Esse mascarado gosta de dar presentes…

– Bom, já que o bandido está aqui então está tudo resolvido. Peguem ele e botem em um cavalo com dois homens vigiando. Um na frente outro atrás. Vamos voltar para San Antônio.

D. Alvarenga irritado, perguntou se o Xerife não ia procurar D. Gabriel.

O xerife respondeu:

– O Sr. acha que um janota ia entrar em brigas? Francamente!

Horas depois…

– Aí está o seu D. Gabriel D. Alvarenga ah!ah!ah!ah! –disse o xerife rindo.

– D. Gabriel o senhor está aqui há quanto tempo? – Perguntou D. Alvarenga.

Eu tive problemas no rio, na volta encontrei um homem que morava na floresta, comprei um cavalo dele e voltei para cá. Pensei que estava ocupado, por isso não voltei ao posto, e a propósito Xerife ainda vai cobrar aquele dinheiro do pobre vendedor de frutas?

– Como estou de bom humor porque EU peguei esse bandido, vou liberar. Pode vender a vontade, mas sem confusão.

Neste momento. D. Gabriel deu uma gargalhada.

CONTINUA…

Por Alci Santos

O VINGADOR NEGRO – JUSTIÇA TARDIA, MAS INFALÍVEL – CAP.25


Francisco e Lupito mergulharam bem fundo. O menino que vira D.Gabriel indo para o fundo e Francisco que fora atrás do filho achando que era imaginação.

Em certo momento Lupito olhou para trás e viu seu pai. De repente Lupito apontou em uma direção e o pai do menino viu o corpo de descia devagar até o fundo do rio. Resolveu então a nadar e a salvar o homem. Era D.Gabriel.

Já com o ar lhe faltando Francisco pegou o homem e o levou para a superfície, onde com a ajuda de Lupito colocou na jangada. Imediatamente fez os procedimentos de primeiros socorros. Foi quando D. Gabriel deu três tossidas, voltando à consciência. Quando viu Francisco quis levantar-se, mas este o empurrou de volta.

– Homem, descanse um pouco. Por muito pouco você não morreu afogado.

– D. Gabriel tossiu mais duas vezes e disse para Francisco:

– Obrigado senhor. Estou em dívida.

– Se está em dívida não é comigo e sim com meu filho Lupito.

D. Gabriel olhou para o outro lado e viu o pequeno moleque daqueles que são baixinhos e tem aquele corte estilo dos índios brasileiros. O mesmo sorria bastante e disse.

– Tio o senhor escapou de uma boa. Se não tivesse lhe visto…

O menino falou de uma maneira tão autêntica que D. Gabriel riu.

Depois foram para a orla e D. Gabriel ficou descansando mais um pouco na casa deles que ficava na margem do rio.

D. Gabriel ficou como hóspede até recuperar as forças, foi quando resolveu ir embora.

– Francisco te agradeço muito por tudo e a você Lupito, agradeço por ter salvo a minha vida, mas tenho que ir. Vocês tem minha palavra que a partir de hoje viverão da forma que gostam, mas não mais lhe faltará nada nunca. Dou-lhes minha palavra.

Perto dali…

– Estou sentindo o cheiro de fumaça. Mas não é cheiro de folhas queimadas. Alguém tem uma fogueira acesa aqui por perto – disse Jerry.

O bandido andou mais à frente e localizou a casa onde estavam os mais novos amigos.

Neste momento Lupito saiu pelo outro lado para pegar água no rio. A fogueira crepitava na frente da casa iluminando até o rio.

– Pois é, mas não vai levar isto?

Francisco mostrou o traje do Vingador Negro para D. Gabriel.

-Isto estava preso em sua cintura quando o encontramos.

– Francisco, isso é uma longa história – disse D. Gabriel olhando nos olhos do homem.

– D. Gabriel eu vou pouco à cidade mas das vezes que fui ouvi relatos que tem um homem que procura ajudar a lei que se veste todo de negro. Não precisa falar nada, aqui seu segredo está salvo. Tem minha palavra.

– Eu te agradeço muito Francisco. Tenho medo de pôr em risco a vida das pessoas que convivem comigo, por isso luto dessa forma.

– Eu sei, não se preocupe. Agora entendo tudo. Vá lá atrás da casa e veja o que tem para você.

Um minuto após D. Gabriel sair da sala, o facínora entra em posição a dar uma gravata mortal em Lupito.

– Parado ai homem, ou mato o garoto.

Francisco ao ver Lupito, fez menção de atacar mas o bandido pegou as duas mãos e disse:

– Se você der mais um passo eu quebro o pescoço dele.

Francisco ficou arrasado e teve que obedecer.

– Tudo bem senhor por que faz isso?

– Cale-se. Quero comida e whisky já!

– Senhor não tomo essa bebida. Vivo do trabalho no rio tenho só suco de frutas.

– Você deve estar brincando comigo.

– Não senhor, é a verdade.

Atrás da casa, momentos antes…

– Eu nem estou acreditando no que estou vendo. Meu cavalo e minhas coisas. Francisco deve ter pego durante o período que cai no mar. Ele deve ter vindo sozinho para cá.

Quando ia voltando para agradecer, ouviu a conversa dos dois…

– Então traga logo essa praga de peixe se não quiser que eu mate o moleque e nem pense em fazer algum truque – disse Jerry

– Sim senhor

D. Gabriel rapidamente vestiu as roupas de Vingador Negro e pegou o chicote que estava no cavalo.

Neste momento…

– D. Gabriel me ajude, ele vai matar Lupito – Disse Francisco desesperado.

– Eu não vou deixar, mas volte para dentro e faça o que ele mandar. Ele não pode suspeitar que estou aqui.

– Certo.

O Vingador deu a volta na casa por fora cautelosamente sem que Jerry notasse nada.

Ao chegar próximo à fogueira, pegou o balde cheio d’agua que Lupito fora pegar no rio quando foi capturado.

Aproximou-se da janela e enquanto o homem comia, Lupito olhou em uma oportunidade na janela. Mostrou o balde e o pé. Imediatamente Lupito entendeu.

Jerry comia avidamente um peixe assado quando…

As luzes da fogueira apagaram deixando somente a luz da lua banhando a casa.

Lupito deu um pisão no pé de Jerry e esse gritou. Lupito rapidamente se desvencilhou do bandido e correu para fora. Francisco correu por trás e fechou a porta. Jerry atônito correu para fora e sentiu uma forte chicotada estalar em sua costa.

CONTINUA…

Por Alci Santos

O VINGADOR NEGRO – JUSTIÇA TARDIA, MAS INFALÍVEL – CAP.24


No meio do rio…

– Diabos! A correnteza está muito forte, estou sendo levado para a cascata. Não há nada em que possa firmar as mãos. Vou ter que contar com a sorte pois essa cachoeira é de muitos metros.

E o tempo passou… então D. Gabriel chegou a cachoeira e ainda tentou segurar em alguma pedras, mas não adiantou. Foi arremessado por vários metros abaixo. Quando ia estatelar-se no leito do riu um grande olho d’água amaciou sua queda, porém não foi suficiente para mantê-lo consciente.

Um pouco mais à frente…

– Muito boa nossa pesca hoje em papai?

– Sim meu filho, vamos comer bastante hoje e o resto da semana está garantida.

O garoto olhou para o outro lado da jangada que estava com seu pai e viu…

– Papai acabei de ver um homem afundando no rio. Acho que ele caiu da cachoeira.

– Foi imaginação sua Lupito. Vamos remar até a margem.

– Não foi imaginação, Pai. Eu vi mesmo.

Sem esperar o pai responder, Lupito pulou no leito do rio que nessa parte era bem calmo.

– Lupito, volte – gritou o pai do menino baixinho de aproximadamente 8 anos.

Vendo que o menino já havia mergulhado, Francisco mergulhou atrás de seu filho.

Bem mais atrás…

– Ufa consegui chegar à margem, não sei o que faria se fosse arrastado como o janota. Esse aí já era. Preciso agora arrumar um cavalo ou terei de ir a pé até Laredo e ainda está bem longe. Vou ter que ir andando pela margem ver se acho alguma casa de nativos. Preciso de alimentação também.

O bandido que também caíra no rio, salvou-se e agora procurava manter-se vivo.

CONTINUA…

Por Alci Santos

O VINGADOR NEGRO – JUSTIÇA TARDIA, MAS INFALÍVEL – CAP.23


Para seguir até a fronteira era necessário atravessar o rio em um pequeno barco.

O bandido apontava dois colts para D. Gabriel que foi obrigado a remar.

O barco seguiu seu caminho, até que no meio do rio notaram que a correnteza estava um pouco forte.

– Quero saber se você viu algum mascarado quando entrava na floresta – disse o bandido

– Não, apenas vi Fitz correndo para o mato e você correr atrás dele.

– Você sabe que está numa furada não é janota?

– Sim, mas pelo menos salvei meu amigo.

De repente, a canoa bate em uma pedra submersa e os dois são levados pela correnteza. O bandido teve sorte, pois caiu mais para perto da margem e próximo a um tronco, segurou e nadou até a orla.

Dom Gabriel não teve a mesma sorte. Caiu no meio do rio e foi levado pela correnteza, onde cinco minutos à frente o esperava uma respeitável cascata.

Neste momento, mais atrás, no posto…

– Sim Xerife. Um bandido atacou o posto e ia me levar como refém, quando apareceu um homem chamado D. Gabriel. Ele se ofereceu para ir no meu lugar.

– Eu estou estupefato. Gabriel é sobrinho de um amigo meu e se algo acontecer a ele eu não terei sossego mais nessa vida.

– Calma, D. Alvarenga ele não fará mal a ele. Só quer se safar.

– O que fará Xerife? Tentaremos atravessar o rio na canoa.

Os homens saíram e ao chegarem à orla do rio tiveram uma triste constatação.

– Ele levou o barco! – disse o Xerife esbofeteando a sua própria palma da mão.

CONTINUA…

Por Alci Santos